27 julho 2009

A profusão de blogs na net é uma coisa que me intriga. Porque a gente tem tanta necessidade de se mostrar, de receber comentários de outras pessoas, de mostrar quem somos, como pensamos, como nos vestimos. Sim, eu sei, sociedade do espetáculo. Também sei o que a psicanálise sabe desde sempre, que é o outro que nos constitui. Mas ainda assim fico pensando, inclusive em mim mesma. Qual a necessidade que tenho eu de escrever textos sobre coisas que me acontecem? Será para integrar as minhas experiências? Para não perdê-las para a voracidade do tempo? Para me ver refletida no espelho da alteridade e montar o quebra cabeças de quem sou eu?
Keep thinking.


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Ah... o mundo televisivo poderia ser tão rico, mas se mostra tão pobre. Programas toscos, vazios, que terminam em si mesmo, fornecendo nem mesmo entretenimento...nem passatempo. Apenas perda de tempo. As emissoras se matando por audiência apresentam matérias iguais ou muito próximas. Sorrisos amarelos e discursos piegas exploram a miséria alheia, o desespero, a fé já nem se sabe mais em que. E o marasmo impera. Vivemos o tempo dos mornos. Somos, como bem apresenta Clube da Luta, os filhos do meio da História, os que desistiram de lutar antes mesmo de começar. Aqueles cujos heróis morreram de overdose e os inimigos estão no poder. Cazuza bradou isso há tanto tempo...e quase nada mudou. Me assusta pensar que somos aqueles que se conformam em viver mais ou menos, sentir mais ou menos e ser produzidos em série.

Aqueles que se enquadram no tempo dos programas que reformam as pessoas, cortando, aparando, esticando, clareando, ajustando...Danem-se as peculiaridades, as diferenças, os pequenos defeitos inerentes à nossa humanidade?

Não...alguém avisa aí que Deus mora no detalhe e não na padronização...


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Hoje não tenho dica.

Quero falar do meu fascínio por bibliotecas. Não me perguntem por que, mas me dá uma sensação de entrar num outro mundo, me sinto à vontade, em casa.

Como dizia Clarice Lispector: “venho de longe, de uma ancestralidade pesada”.

Durante muito tempo eu quis ser leve. Demorou, mas eu entendi que uns podem ser leves, outros não. E isso não é necesariamente ruim. Não ser leve, muitas vezes, pode significar não ser morno, nem raso, nem limitado. A personalidade caleidoscópica é uma das cosias que mais gosto em mim. Ao lado da sinceridade cortante. Eu sei, às vezes machuca, mas é sempre de verdade. Sem hipocrisia. Quem lida comigo pode até não gostar de mim, mas sempre vai receber a verdade da minha parte. E quando a situação impede que fale o que penso...eu calo.


Exemplo de biblioteca maravilhosa...
Real Gabinete Português de Leitura - RJ



Até mais!


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