25 agosto 2009

Coming back home...

Não, eu não abandonei o blog..aliás, pensei muitas vezes em voltar a escrever aqui, mas as horas estavam curtas, os dia atribulados com o final de semestre na faculdade etc...além disso, não posso negar que meu último post também teve certa influência no afastamento. Escrevi com tanta raiva que sempre que pensava no blog, associava ao último post ...e bloqueava....mas cá estou eu, com a mente fértil, a língua solta e a pergunta de sempre: alguém ainda me lê?!


Pois então... vocês lembram daquela música da Adriana Calcanhoto: “pela janela do carro, pela tela, pela janela, eu vejo tudo enquadrado, remoto controle”?

Pois é...na ida e volta do trabalho eu sempre penso sobre isso enquanto olho a dinâmica da cidade logo de manhã através da janela do ônibus. Tema recorrente esse meu, né? O buzu...estou sem tema para o TCC...não se admirem se tiver algo a ver com o transporte público...rs
Mas como não ser? É o transporte público que me leva pro trabalho, pra faculdade, onde eu converso com os amigos, dou risada, me estresso nos engarrafamentos, participo do comércio informal comprando dos baleiros e vendedores de bugingangas mil, ouço pregação religiosa...em decibéis capazes de estourar taças de cristal... pedido de ajuda pra de veio do interior através do sonho da cidade grande e nunca mais voltou...enfim...
É da janela do ônibus que eu olho as pessoas e imagino como são as suas vidas, o que pensam, sentem, pra onde vão. Todos os dias eu pego o mesmo ônibus, no mesmo horário, o que quer dizer que já conheço boa parte das pessoas. ...sei onde sobem...onde descem...
Sim, sou observadora. Uma squint, como diria Booth (piada interna pra quem vê BONES...rs0).
É da minha natureza observar as pessoas. Deve ter sido por isso que escolhi psicologia e depois comunicação. Quer profissionais mais observadoras de gente que essa?!

E foi também no buzu que, depois de algum tempo cheguei a singela conclusão de que sou pára-raio de gente estranha. Será que é porque de algum modo tb sou meio estranha? Vai ver que é....
Eis que a criatura entra no buzu e 5 minutos depois abre sua maxi bolsa e dela saca uma necessaire...vocês acreditam que a criatura fez o make completo no balanço do busão? Creiam-me...até creme nas mãos ela passou....e eu sinceramente achei que, em dado momento, ela sacaria a escova de dentes e daria um tapa na higiene bucal...mas não, ela ainda manteve um pouco de dignidade...


· Mas foi da mesma janela que citei antes que vi uma triste cena....numa clara demonstração da barbárie explodindo em ódio reprimido pela frustração nossa de cada dia, um grupo espancava o que seria um suposto ladrão....com a face ensanguentada e um buraco na testa ele andava sem rumo, com o olhar perdido como se pedindo clemência, a mesma que talvez não tivesse se a situação fosse outra...
Finalmente, sob pauladas, ele caiu...eu não olhei mais...mas as pessoas narravam a cena abominável, com uma empolgação semelhante a que deveria acompanhar os massacres no Coliseu...eu só conseguia pensar em quantas vezes matamos o pai da horda e abrimos as portas do inferno...

A despeito dos crimes cometidos, acredito que as sanções precisam ser feitas dentro das leis, por mais que saibamos que elas são traiçoeiras e falhas ... é preciso haver uma ordem a fim de que não fiquemos à mercê das morais individuais.
O contexto é outro, mas creio que a frase se aplica:
"Não cometa o crime pelo qual está sendo julgado"
(Diz o padre para Edmond Dantes no filme O conde de Monte Cristo)

Um comentário:

Kuase Nada disse...

Moça estava sentindo saudades já, tanto tempo sem notícias, mas sei como é quando sobra pouco tempo...

E agora quanto ao post em si, me diz uma coisa você que é da área, como podem duas pessoas que nunca se viram, nem conviveram nos mesmo locais pensarem tão igual???? Sempre vejo nesses relatos pensamentos parecidos com os meu, ações iguais as minhas, e tal. Só para deixar claro tenho muitos amigos que fiz só pegando ônibus e olhe que todo semestre meu horário muda....


Bom é ótimo ter você de volta, e espero que fique por um bom tempo mais.