06 setembro 2009

Olá pessoas,


que eu gosto de ir ao shopping vocês já sabem, mas a minha simpatia não é apenas porque adoro fazer compras; na verdade acho os shoppings - a despeito de toda a discussão sobre eles serem espaços que estimulam o consumismo, criando em nós necessidades que nem mesmo teríamos se não houvesse a enxurrada de publicidade e apelos atraentes na vitrine (ahhh...confesso que meus olhos brilham quando vêem: off, liquidação, sale, desconto, promoção, queima total ....) e que quando entramos lá perdemos noção de tempo, daí o fato de que em nenhum lugar daquele espaço, propositadamente, não há relógios (lembrei de Alice no país da maravilhas....que só estréia em 2010..e terá Johnny Depp como chapeleiro louco....mal posso esperar. Não, eu não sou doida, apenas penso em hiperlinks...rs) etc - um lugar interessante para observar as pessoas e suas peculiaridades.


Aliás, sempre que falo de consumismo lembro das aulas de Filosofia, disciplina que eu cursei 2 vezes. Coisas do sistema de ensino superior do nosso país. Mas há males que vêm para o bem...Quando fiz faculdade de Psicologia, filosofia foi um horror...o professor entrava na sala às 7 da manhã, fumando e vestido com um traje que parecia mais um pijama. Todo amassado. Uma lástima. As 7:05 ele indicava um aluno e este começava a ler O banquete, de Platão, e isso se estendia até 9 h quando a aula acabava. Metade do semestre foi isso e na outra metade....lemos, com o mesmo entusiasmo... A República ...do mesmo autor. Notem que eu disse “ler” e não “discutir” ou “aprender”.



Já na segunda faculdade, aí sim, as aulas eram proveitosas. O professor era apaixonado por filosofia e mostrava isso na empolgação das aulas. Claro que ele não fugiu da originalíssima idéia dos famigerados seminários, mas não foi de todo ruim. Coube à minha equipe apresentar a filosofia clássica, com a santíssima trindade: Platão, Sócrates e Aristóteles. Seminário sombrio aquele; durou dois dias e somatizamos horrores...terminei a apresentação com dor na coluna, entrevada, quase sem voz.



Nas pesquisas sobre Sócrates, dizia-se que ele gostava muito de andar pelo mercado observando as pessoas e a dinâmica do lugar (alguns dizem que era pra fugir de sua mulher, que era uma peste. Pobre Xantipa...rs)...e nessas andanças alguém perguntou a ele o que tanto observava, ao que ele respondeu:

“estou olhando quantas coisas existem e das quais não preciso para ser feliz”

Se Sócrates falou isso de fato, nunca saberemos...mas quem quer que tenha falado..estava certo.



Não, o shopping não é um espaço democrático, mas, cá pra nós, quantos espaços são democráticos de verdade?! Ok, a democracia começou com os gregos e referia-se à participação dos cidadãos nas decisões sobre o que é melhor a respeito dos assuntos públicos, ou como naquela época, o que era melhor para a pólis. Mas a coisa já começou meio errada, né não? Afinal, cidadão não era todo mundo, como a democracia nos faz pensar hoje, mas apenas homens, nascidos em Atenas; mulheres, estrangeiros e escravos não passavam de seres de segundo escalão, sem direito de opinar em nada, muitas vezes, no caso de mulheres e escravos, nem sobre suas próprias vidas.

Acho até melhor deixar esse lance de democracia para um outro momento, porque pode dar pano para manga e longe de mim querer povoar o blog com discussões profundas numa domingo de manhã...rs.



Ok, mas eu fiz esse “intróito” todo (linguagem de Domingo!) apenas para contar (valorizar, eu diria...rs) que ontem fui à uma loja e entrei no provador feminino. Andando pelo curralzinho (sim, aquilo parece um estábulo...aff...quando não parece um banheiro com cortina plástica, parece um curral...).

Passando até encontrar um espacinho vazio....vi uma porta aberta...com um ser lá dentro...pelada!

Meu Deus, esse mundo tá perdido mesmo!

A criatura não poderia ter fechado a porta e não exposto sua figura na Medina?! Uma vez em uma loja, indo para um provador no momento em que faltou luz (sim, também sou pára-raio de situações inusitadas...), havia uma senhora com a porta aberta e igualmente pelada. Ela ofereceu duas justificativas diante dos olhos atônitos, meus e de mommy. Disse que estava pelada por que não havia ar condicionado ...e depois veio a pérola:

“minha filha, tanto faz ver como saber que tem”

Uma filósofa.

Nesse momentos eu agradeço ao Senhor por ter me dado noção. A cada dia creio mais que este é um opcional raro...e em extinção.


Até mais!



P.S: manchete de jornal: A Seleção brasileira foi recebida com festa no aeroporto de Salvador.

Brasil X Chile....no dia do meu aniversário...ok...alguém tá de sacanagem comigo só porque eu falo mal da seleção da Nike...ops...do Brasil...

2 comentários:

Josilene disse...

Bracho, fia... vc sabe que eu odeio compras... so.... passarei batido por esta parte. hihihi

Mas amo filosofia! Pena nunca ter tido aulas. Um dia eu chego lá! rsrs

Sim, a fila para "noção" era pequena... poucos foram os que se interessaram por esta dádiva de Deus!

E viva ao Brasil do Pão e Circo! (Tb não tenho mais paciência para seleção de gente sem amor à camisa)

Bjos!

Iandra disse...

Sócrates era meu brother (oi?) kkkkkkkkkk Gosto de ir ao shopping (na maioria das vezes sozinha) observar o comportamento dos seres SN ou com um pouco de noção, vá saber... as vezes tb vou para me distanciar de alguma situação q me incomoda.
Certa vez uma prof da facu me sugeriu fazer a mono baseada no comportamento das mães/pais e seus bbs no mercado ou shopping... mas não fiz.. aff. Quem sabe na próxima?

Quanto à seleção brasileira... Hum! Prefiro não comentar... Mas seu ingresso já está aqui comprado, viu fia?! kkk

Comentei, ta vendo? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk