16 outubro 2009

Olá pessoas,


Enquanto procuro um lugar que não me assalte e onde eu possa comprar a preços módicos minha famigerada memória, vou me virando como dá para acessar a net de forma decente. Por isso a demora de posts....perdoem-me, please...rs. Obviamente isso tem um preço e minhas opções variam entre disputar o único PC do trabalho com mais 20 colegas e duzentos milhões de estagiários (muitos deles sem noção...) e usar os Pcs do lab...estes são em quantidade um pouco melhor....que 1! RS...mas o lab está quase sempre cheio....de gente tão sem noção quanto os estagiários citados anteriormente.

Na verdade, este post era pra ter saído desde ontem, quando cheguei ao lab e ele estava vazio...mas eu deveria ter me perguntado o porque de tamanha sorte, né? Pois...não era sorte, o fato é que a internet estava fora do ar...Enquanto digitava essas linhas, rezava para que o santo que protege os viciados em internet me ajudasse e fizesse a conexão voltar...e, ao mesmo tempo tentava suportar o tenebroso cheiro que inebriava o ambiente. Lembram daquele pomada Cadina, para tirar manchas de pele ou sei lá o que?! Pois...eu achei que ela já tinha ido pro céu das coisas estranhas há muito tempo! Mas não, de modo que o aroma no lab ontem era Cadina intenso! Só o pai...

Por falr em "ontem"...vi uma cena que deixou bem chocada: uma mulher, beirando os 40 anos, sei lá, andando nua pelas ruas. Não...o que me chocou não foi a nudez, afinal depois de trabalhar em hospital, em enfermaria cirúrgica, a gente perde muitos pudores...mas me chocou aquela mulher em tal estado de degradação, suja, maltratada, com aspecto alheio, cabelos desgrenhados e completamente sem roupa vagando, andando com certa pressa mas como se fosse para lugar nenhum...apesar de trabalhar com a saúde mental, a loucura nunca foi fácil para mim. Incomoda-me o fato de alguém ser alijado de sua vida, de suas escolhas, de poder guia-la, mesmo sabendo que a gente guia de fato pouquíssima coisa na vida.

Isso me incomodava desde que fazia estágio no hospital psiquiátrico e via aquele monte de gente confinada, sem saber nada do que acontecia lá fora, privado do convívio social, privado mesmo de ser gente. A forma como eram abordados pelos profissionais, como ratos de laboratório, objetos de estudo que deveríamos dissecar através das palavras sob a nobre justificativa de aprender os secretos meandros da psicopatologia.

Incomoda-me quando vejo o pavor da equipe quando chega um paciente psiquiátrico e imediatamente é colocado em “isolamento social”. Pois é, termos sugestivos esses e que exprimem de modo incisivo o que acontece com aquela pessoa. Quando pedem atendimento para eles, não é pelo seu bem estar, mas única e exclusivamente para que sejam silenciados, contidos e disciplinados.

Cada vez que um paciente psiquiátrico chega na enfermaria e me chamam, uma lâmpada com a carinha de Foucault se acende na minha mente. Exatamente por saber que a Psicologia nasceu nesse intuito de disciplinar os corpos e as almas, precisamos questionar estas posturas a fim de não incorrer no erro de silenciar os sujeitos, mas sim dar voz, permitir que sejam lembrados e considerados enquanto gente e não apensa patologia, também ali, sempre.

Até mais!

Um comentário:

Rafaelly disse...

Cara...eu não tenho muito estômago pra isso...estive em um Caps durante a faculdade para fazer um trabalho, mas meu Deus...nao aguento ficar ali não...eu me sinto mal...fisicamente. E olha q a idéia do Caps é humanizar um pouco isso tudo, mas sei lá...ali definitivamente, não seria um lugar pra mim...A energia é pesada demais...