19 novembro 2009

Sobre amizade

Desde sempre eu tive uma relação delicada com os amigos....debaixo da aparência distante e até, muitas vezes fria, me apego rapidamente às pessoas...e isso nem sempre é bom...parece que quanto mais vc se apega, mas sensível fica a qualquer mágoa que a pessoa possa lhe causar. Ser agredido por um estraho ou colega é ruim, magoa...mas ser ferido por um amigo....ah....é quase mortal...vc se desfaz, se desmancha...dá um sensação tão doída....difícil lida, difícil esquecer.

Por isso, o mais comum é que primeiro eu analise o terreno e só depois em aproxime de fato. Sim...sou desconfiada...posso conviver por anos e não confiar na pessoa...Me esforço pra ser verdadeira, afinal, de quem eu não gosto realmente, procuro me afastar...não conversar nem ter muito contato...odeio fazer "o social"...não é da minha natureza.

Mas, enfim...quando me aproximo das pessoas e começo a considerá-las amigas...é como se elas passassem a fazer parte de uma linda cristaleira, onde ficam dispostos finos copos de cristal...

Há copos maiores, copos menores, copos mais decorados, outros menos. Há várias prateleiras e no alto ficam os copos de que gosto mais. Tomo o maior cuidado para que nenhum deles sofra danos, mas, de vez em quando algo estremece a cristaleira. Claro...algumas vezes a culpa é minha, admito. Mas outras vezes as pessoas realmente extrapolam.

Aí ....o copo, que era tão perfeito, ganha, de início, uma pequena ranhura...que vira um trinco....ele continua lá...na mesma estante, mas de uma forma diferente...cada vez que olho a cristaleira, lembro do copo...de como ele era e no que se transformou...

Um belo dia descubro que o trinco já não está só. ganhou a companhia de uma fina camada de pó...e algumas teias de aranha...eu tento limpar, mas o medo de que o trinco aumente me impede...o pó se acumula....o trinco faz aniversário e se aprofunda...quase um abismo...começo a olhar outros copos...e este vai ficando lá....meio esquecido...já não toco tanto ele...ele também desiste de ser notado...

Um belo dia, a mão, sem distinguir trinco, pó ou ranhura, sem notar, empurra ele pra trás....e ele vai, sem resistência...outros passam pra frente. Muito tempo depois, numa daquelas faxinas de fim de ano, finalmente há o reencontro...mão e copo...mas ambos já não se reconhecem ... tão distantes que estão...

Com a desculpa de preservá-lo, a mão decide que o copo dever ser guardado e então, o embrulha em jornal e guarda numa caixa. Sabe que não mais a abrirá, afinal, há outros na cristaleira e acabam de chegar novos.

Assim, a caixa se junta a tantas outras. Num canto. E cria pó. E vira lembrança. Cicatriz.

5 comentários:

Josilene disse...

Ok... amei isso!

Dolores disse...

Adorei sua visita. E seu blog além de muito bem escrito, é pura diversão.
Vou seguir.
Um beijo

Fritas disse...

Aff, Bracho!Darei na sua cara...q textinho maneiro!\o/

Ilmaralina disse...

Belíssima metafóra! E não preciso dizer mais nada. Bjo!

Ilmaralina disse...

Belíssima metáfora! E não preciso dizer mais nada. Bjo!