02 dezembro 2009

Há um certo tempo cheguei a pensar que havia perdido a capacidade de sonhar...estava tão profundamente mergulhada no mundo real...no mundo concreto e seus problemas absorventes que as saídas vislumbradas..parcamente imaginadas....eram tão raras e tão distantes...me sentia impotente...sem rumo...por isso, por favor, nunca façam nada que roube as esperanças ou os sonhos de alguém...isso é cruel e quase mortal...a pessoa fica como uma roupa sem substância....um invólucro sem recheio...uma sombra que caminha entre um mundo de cores...alguém que circunda uma festa, mas não tem acesso a ela...

Depois dessa fase em suspenso...precisei me reconectar..comigo mesma...isso veio no momento em que busquei de volta o mundo de sonhos...comecei a escrever. Nunca tinha feito aquilo...apenas em redações tradicionais na escola e em questões abertas de prova..mas não era a mesma coisa...não era a expressão de mim mesma no papel...a internet me trouxe isso...um grupo de amigos...um seriado em comum...comecei a escrever fics...identifiquei-me, sem perceber, à princípio...com um personagem...mesmo que quem lesse as histórias não soubesse disso...quando releio as histórias, vejo claramente o quanto falava de mim mesma. O personagem era um jornalista, inseguro de suas habilidades, meio excluído do mundo dos espertos e em busca de quem era ele mesmo...seus gostos, desgostos, anseios...sua coragem, sua fraqueza. O personagem  ali, era eu.

Hoje consigo rir disso...não como piada, mas percebendo que percurso interessante foi esse meu...foi assim que descobri como pensar mais por mim mesma...de modo mais crítico...de modo mais amplo...descobri outros mundos...atravessei barreiras, extendi limites...ampliei horizontes...hoje eu escrevo sobre tudo...e sobre nada...rs...

Acho que quem olha pra dentro...atentamente...cresce e se fortalece...

Escrever é terapêutico...e salva. Eu sou a prova disso.


Até mais!


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