27 fevereiro 2010

Apesar de ser comum eu reclamar das pessoas por aqui...isso não quer dizer que eu não goste de gente...afinal, ter cursado Psicologia...e depois Comunicação social, no mínimo me aponta que eu gosto de interagir e conhecer o mundo que habita em cada pessoa, né não? E daí que eu estava pensando outro dia que as pessoas, pelo menos para mim, se aproximam muito dos livros. Acho que ambos podem ser lidos, mas pra isso é preciso que você esteja disponível...e que com eles se encontre, pronto para um caminhar compassado ou para um embate...Pessoas, assim como livros podem ser chatas, enfadonhas e até mesmo aversivas...nos afastamos deles, muitas vezes porque não queremos lidar com o discurso em círculos, com os temas pesados que no fazem olhar dolorosamente para nós mesmos, ou porque o assunto que trazem é tão diferente do nosso universo que a compreensão mútua é quase impossível; ás vezes parece que pessoas e livros, mesmo na língua portuguesa, estão falando em grego...As histórias das pessoas...assim como a dos livros, podem ser intensas, tão intensas que podem mudar o rumo de uma vida, abrir novos horizontes e possibilidades, você pode até não gostar deles, mas algum marca vai ficar...se não notar agora, em um momento oportuno notará...com ambos você pode se surpreender....se assustar com os rumos e reviravoltas inesperadas, só que neste caso, normalmente a surpresa que é tão valorizada nos livros, nem sempre é bem vinda nas pessoas, afinal credibilidade, confiança raramente casa com surpresa....neste caso, o mais comum é a decepção de confira em alguém e ver que tudo que você depositou foi perdido...aliás, enquanto escrevo acabo de pensar na palavra que escolhi: depositar...já notaram como nós fazemos depósitos de amor e confiança nas pessoas..e, evidentemente, esperamos um resgate disso? É uma relação bem monetária, bancária, né? Estranho ser gente...como sempre falo. Algumas pessoas capturam nosso olhar pela beleza....mas, além da capa, adornada com letras douradas e acabamento fino, pouco ou nada há de aproveitável...rasas, superficiais decoráveis apenas, deixam apenas uma imagem como marca, mas esta se desvanece e invariavelmente....some em meio a tantas outras. Tenho cá pra mim que é sempre melhor quando, a despeito da capa, talvez não tão boa, não tão fina, às vezes gasta pela vida, pelas dores, por amores ou pela falta deles, seu conteúdo vale uma biblioteca inteira. Por fim, os livros, assim como as pessoas nem sempre tem final feliz, mas eu me pergunto: o que é mesmo a felicidade senão um conjunto de pequenas frações de sorrisos?

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