03 fevereiro 2010

Olá pessoas,

não me admiro quando as pessoas acham estranho...porque eu mesma também acho bastante weird

(parênteses modo ON: sim, eu já devo ter falado do lance de gostar de usar algumas expressões em inglês...mas não é esnobismo nem nenhuma idiotice associada, se justifica apenas pelo fato de que acho que o significado expresso é mais próximo do que quero dizer em inglês do que em português...em weird por exemplo, algumas coisas não são apenas "estranhas"...elas são weird...rs...)


o fato de gostar de algumas coisas tão eruditas ou profundas, de ter uma paixão arrebatadora por estudar, aprender, ler.....e ler coisas não tão usuais...mas, ao mesmo tempo, gostar bastante de coisas que as pessoas normalmente classifcam como fúteis, como bolsas e sapatos..além da moda de modo geral.

Explico: eu fiquei enlouquecida na semana passada quando, pra matar o tempo enquanto esperava as amigas chegarem no shopping, fui na Saraiva (definitivamente, não há melhor lugar pra passar o tempo do que na Saraiva..se for Mega Store então, tô dentro....não, a Saraiva não patrocina este blog - quem dera - nem me pagou pra afirmar isso...) e tive um encontro com um livro que queria há muito tempo.

Porque eu falei que tive um encontro? Porque foi assim. Aliás, eu sempre brinco dizendo que não compro ou acho as coisas..eu simplesmente tenho encontros com elas...exemplos rápidos, antes que vocês se percam na minha associação livre..e eu também: sempre me falaram de Cris Cornell..ex Audioslave....mas nunca dei bola...eu precisei ter um encontro com a música dele, um dia qualquer, na MTV pra me encantar....John Mayer...uma amiga jura de pé junto e dedo beijado que me falou horrores dele, de como era maravilhoso tocando e tal..eu juro de volta dizendo que não lembro disso...deve ser obra dos meus ataques súbitos de alzheimer precoce....mas um certo dia outra amiga me pediu pra baixar umas músicas....JM estava entre elas...foi amor à primeira vista..quer dizer, ao primeiro acorde...já que eu nem sabia que cara ele tinha..rs...

Enfim...uma vez na Saraiva, eu andei, andei, andei, folheei algumas coisas....guias de viagem (adoro, mesmo sem ter grana pra ir nem ali....na saída da cidade....rs...)...fotos antigas de Salvador (eu já disse que amo minha cidade..não necessariamente por ter nascido aqui, mas por achá-la linda....de uma poesia rara?)...a famigerada bolsa do macaco com as faces fendidas (isso é assunto pra outro post....mas eu contarei)...etc...

Olhando as mesinhas que ficam no meio da loja..de repente eu o vi...lá estava ele, em cima da pilha, largado..displicentemente deixado por alguém cuja polidez foi incapaz de colocá-lo na estante onde achou....desta vez confesso que fui obrigada a agradecer à falta de educação tão comum à barbárie....apanhei o livro e o abri..o cheiro que exalou me fez esboçar um sorriso...sim, cheiro de livro me agrada muitissimo...me traz lembranças doces e uma sensação de conforto inexplicável...

Logo fui trazido de volta da minha zona de coforto e lembrei que estou na operação compras zero (sim, aquela mesma que iniciei num dia e terminou uns dois depois..rs..)...e ele deveria estar caro....afinal, quase tudo na Saraiva é tão lindo, quanto caro...quase o coloquei de volta na pilha desarrumada.....mas fui tentada a virar e ler a contracapa...

"Porque é verdade. Mas não penses que te censuro. Se queres transformar-te num homem de letras, e quem sabe um dia escrever Histórias, deves também mentir, e inventar histórias, pois senão a tua história ficaria monotona. Mas terás que fazê-lo com moderação. O mundo condena os mentirosos que só sabem mentir, até mesmo sobre coisas mínimas, e premia os poetas que mentem apenas sobre coisas grandiosas"
(Baudolino. Umberto Eco)

Esse pequeno texto me pegou e me fez levá-lo pra casa...E lá fomos nós, eu e Baudolino, correndo pelas escadas até encontrar as meninas...eu leva a um sorriso no rosto e apertava meu pacote com uma alegria que poucos compreenderiam.

Mas foi neste mesmo dia que eu a revi....a famigerada..e já citada acima: bolsa do macaco com as faces fendidas....oremos!

Um ser humano normal..ou beirando a normalidade....veria a bolsa...até simpatizaria com ela...viraria as costas e esqueceria....

Mas eu não...que apenas flerto com a sanidade, não consigo..não dá...uma vez que bato os olhos numa bolsa que gosto...pronto! Algo é ativado e a partir daí eu piro total....e levo a danada pra casa....desta vez o alvo foi a bolsa do designer Paul Frank...do macaco Julius...

Sinceramente, são essas situações que me fazem questionar minha sanidade..e o volume de excentricidade que cabe no meu ser...

Vi a bolsa duas evzes no mesmo dia..e não comprei, mas chegando em casa...me arrependi, voltando no diua seguinte na loja...a Saraiva...ao me aproximar da prateleira onde ela ficava...um frio percorreu a minha espinha: e se tiver acabado?

C-A-R-A-C-A! Que pensamento do cão! Não é que o diabo da bolsa tinha mesmo acabado? De um dia pro outro??? Mas esta não foi a pior parte..duro é saber que existe gente sádica neste mundo! Eu, com cara do gato de botas de Shrek, viro pra vendedora, quase implorando pra ela dizer que sim..e pergunto da bolsa.

A resposta da monstra? "A-C-A-B-O-U de ser vendida, senhora..."..tipo assim....ela frisou o "acabou", e foi quase como se a pessoa ainda estivesse no caixa pagando (sim, eu olhei pro caixa...rs...), me chamou de senhora....rs.....e usou aquela voz malemolente de quem tá figindo peninha mas sileciosamente tá te chamando de bitch por dar aquela grana naquela bolsa boboca.....odeiooooooooooooooooooo vendedores from hell!

Saí....abatadida...caibisbaixa...mas ainda tive forças para fazer a proposta a minha mãe.

(Sim...minha mãe, que tinha decidido resolver algumas coisas no shopping, fui comigo na loja...ainda sem entender o porque da fixação na bolsa...)

"Mãe..olha só..a gente fica na porta da loja..a sacola da Saraiva é transparente...então, a pessoa que passar com um sacolão e a gente notar que a Pual Frank...você distrai...e eu tomoe  saio correndo, ok?"

Minha mãe não respondeu...apenas me deu as costas, bem no estilo vergonha alheia...e saiu andando, como se nunca tivesse me visto na vida...

Mornos.

Bem..a saga da bolsa continua...rs...

Até mais!

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