14 março 2010

Porque gente é coisa complicada...

Ela achava ele uma graça. Não tinha a ver com beleza física, mas com um jeito, uma forma de ser, de sorrir...

Pela quantidade ee intensidade que a olhava..ele parecia achar a mesma coisa sobre ela.

Os olhares eram sempre rápidos, furtivos.

As palavras trocadas eram sempre sobre trabalho. E eram sempre poucas. E eram sempre rápidas. E sempre cortadas.

Mas naquele dia, parecia que o universo conspirava a favor...

Era sábado. Local de trabalho vazio. Uma alma ou outra passava, mais distraída em seus próprios pensamentos que verdadeiramente preocupada em interagir com outras pessoas.

Parece que no fim de semana as pessoas, quando têm que trabalhar, ficam mais "autistas" do que normalmente já são...todos silenciosamente rezando para que os minutos corram, e atrás deles sigam as horas e o próprio dia...

Ela não agia diferente. Também exibia todo o seu potencial autista, com os olhos mergulhados em seus papéis, procurando sabe-se lá o que, como se eles fossem responder a ela as perguntas que nem mesmo havia feito...

Um leve toque quebrou seu silêncio interior. O toque foi seguido de um "oi" tímido, meio sem graça, mas ainda assim, doce...

Milhares de coisas passaram pela cabeça dela...mas nenhuma foi capaz de vir à tona...

Ela se limitou a responder com um mais tímido ainda "oi...tudo bem?"

Porque ele precisou se fazer mais do que presente? Não bastava falar um oi...afinal, não tinha ninguém lá..ela ouviria...e porque ela foi incapaz de puxar conversa? Falar de qualquer bobagem...do calor..do tédio de trabalhar no fim de semana...do cisco no olho, sei lá...era melhor do que ter passado uns 10 minutos (que pareceram 10 hs) calados...apenas ele e ela lá...cada um com seus papéis...encastelados em seus feudos..mudos....incapazes de quebrar a golpes de marreta a barreira do silêncio que se formou...

Ela passou o resto do dia se achando uma idiota...e tendo a mais completa certeza de que outra oportunidade assim não ocorreria de novo...

A vida não permite ensaios....ela sabia disso...

Desde que o Diretor Supremo, lá do alto da sua sabedoria gritou Ação!...os dados haviam sido lançados, cabendo a cada um assumir seus lugares e fazer suas apostas...talvez o que ela precisasse fosse exatamente tomar para si a postura de jogadora..não a parte pejorativa...mas a postura de quem se arrisca...

Mesmo que seja a perder....

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