23 abril 2010

A violência nossa de cada dia...

Acabo de ver na tv a seguinte manchete:

"Médica, no Recife é assaltada. O bandido a empurrou para fora do carro, mas ela ficou presa pelo cinto de segurança e foi arrastada por cerca de 100 metros"


Esse relato me fez pensar nessas duas pessoas. 

Na médica, que chega às 5:30 da manhã de um plantão. Possivelmente muito cansada (não é mesmo esta a condição permanente dos médicos?!), ela devia estar no  carro distrída, desaramada de espírito, talvez na dúvida se tomaria um banho ou se cairia na cama assim mesmo. talvez tenha revisado mentalmente as contas a pagar, se o filho (se é que ela os tem) fez as tarefas de casa...pode ter pensando que precisava ir ao salão, fazer as unhas e dar uma mexida no cabelo. Talvez tenha pensado como seria bom diminuir o ritmo às vezes e respirar com mais calma, na contramão do frenesi das emergências hospitalares, onde a sensação é de que estamos sendo atrasados e devemos correr pra algum lugar.

Mas pensei também no assaltante.

Quem é ele? Que vida teve? Quem foram seus pais? Quais são seus sonhos? Ele sonha? Será que acordou mais cedo para adiantar a correria do crime, ou nem mesmo dormiu e aquela seria sua última tarefa num dia, que assim como o da médica, ainda não havia terminado? Como se prepara alguém que vai assaltar outro? O que imagina? A quantas bate seu coração com a descarga imediata de adrenalina necessária para a luta/fuga? Quando a bala sai da arma, quando o grito ameaçador sai da garganta furiosa, corpo recebe o impacto, a pólvora se impregna, o terror se instala, mas eu sempre quis saber o que passa pela cabeça de uma pessoa na iminência da execução do crime. São muitas perguntas com a intenção não de justificar,  obviamente, mas de entender, ver a pessoa atrá da arma, atrás do crime, atrás do choque que nos assola a cada vez que nos deparamos com tamanha explosão de violência cada vez mais familiar.


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