01 maio 2010


A cada volta pra casa ela se punha a pensar....

Às vezes pensava tanto que chegava a esquecer os ruídos do ônibus e as músicas do mp3

Tudo virava pano de fundo quando ela se retirava do mundo exterior e se recolhia à seu infinito particular.

É curioso ser gente, ela pensava. Mais curioso ainda é ser gente que pensa....demais.

Muitas vezes ela desejou pensar menos, saber menos, ter mais da leveza que via em tantos e que certamente havia de tornar a vida mais fácil.

Mas a ela tal dádiva não havia sido dada.

Parecia sempre fadada a pensar, pesar, escolher, decidir, enfrentar, lutar....

Entre uma curva e um olhar passageiro, seus pensamentos caminhavam sinuosamente entre as promessas do dia seguinte e o cansaço de seu corpo.

Vagava entre o desânimo de uma rotina cinzenta e a grandeza dos sonhos delirantes.

Ao mesmo tempo em que o calor sufocante das paradas lhe traziam um profundo e melancólico suspiro...

A maior parte do caminho era preenchido por lufadas de ar que desalinhavam seus cabelos, alisavam suas faces e cutucavem um sorriso ainda em potência.

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