18 junho 2010

Às vezes as coisas se tornavam tão surreais que ela precisava recapitular mentalmente como tudo havia ficado daquele jeito.

Havia perdido o direito ao silêncio...o direito ao respeito....o direito a tanta coisa. Por muito pouco não perdeu o direito de sonhar....este não poderia perder, é o que lhe fazia levantar todos os dias e combater o bom combate como o bom soldado que era.

Na sua lógica, construída a duras penas, não cabia a compreensão sobre o tipo de pessoa que preferia ser lembrada pelas coisas ruins que havia feito...pelo quanto havia atrapalhado a vida dos outros..por todas as chances que havia negado...obstruido...por todas as grandes possibilidades que poderiam ter sido, mas nunca foram...

Mais absurdo ainda era ver que este tipo particular de pessoa trazia ainda outra característica: se achava sempre no direito, quase divino, de se colocar no lugar de vítima, enquanto atribuía ao torturado o posto de algoz.

Fosse o torturado um pouco mais frágil e tivesse ele vivido menos situações como aquela, pensava ela, poderia até assumir de fato este papel....mas a certeza de que já havia trocado passos demais para voltar atrás lhe dava tranquilidade para seguir adiante.

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