17 fevereiro 2011

E eis que apresentei o TCC...

e isso mexeu comigo de uma forma que eu não tinah imaginado.

TCC...trabalho de conclusão de curso...ai ai...quantos dramas se escondem por trás desta sigla. Eu não sei se é com todo mundo, mas comigo foi....eu amo meu tema....adorei fazer as leituras e análises (que ainda nem terminaram!), mas também foi sofrido...

Apresentei na terça e confesso que minha vaidade sofreu um violento e direto ataque....nada dos elogios que eu imaginei (não, não me acha A pessoa, mas é que eu me dediquei tanto!)....cheguei em casa frustrada, arrasada, deprimida....no maior estilo Maysa "meu mundo caiu"....por isso decidi mandar um e-mail pra minha orientadora pra saber se o estrago era assim tão ruim quanto eu imaginava. Não era. Até eu mesma, depois de dois dias...comecei a achar que fiz drama....mas eu sempre faço! Com tudo! E como psicóloga que sou

(ai, minha gente, é um karma ser psi...a gente fica se analisando! Vcs sempre perguntam: tá me analisando.....olha só, nem sempre a gente analisa vcs - tb não vou mentir e dizer que nunca o fazemos - mas sempre, sempre analisamos as nossas ações. E isso é muito complicado)

comecei a fazer a arqueologia desse meu drama. Não foi só o TCC...tem muito mais coisa envolvida...como sempre tem na vida da gente, né? Tantas coisas mal resolvidas....paradas....adiadas.....frsutradas.....e isso tudo acabou se somando e culminando neste momento.

Eu sou vaidosa...e admitir isso me ajuda a lidar com o fato de que sempre preciso de aprovação social, de reconhecimento, feedback e tal...e quando isso não vem, ou pelo menos não vem como eu espero, eu desmonto....

Crescer dói....é chato....e difícil....mas não é uma escolha....quando a gente menos espera: cresceu. E como diz cap. Nascimento: a gente se omite uo vai pra luta. Eu escolho ir pra luta. Sempre.


UMA TESE É UMA TESE (MARIO PRATA)


Crônica publicada no jornal O Estado de Sao Paulo em 7 de outubro de 1998.




Sabe tese, de faculdade? Aquela que defendem? Com unhas e dentes? É dessa tese que eu estou falando. Você deve conhecer pelo menos uma pessoa que já defendeu uma tese. Ou esteja defendendo. Sim, uma tese é defendida. Ela é feita para ser atacada pela banca, que são aquelas pessoas que gostam de botar banca.


As teses são todas maravilhosas. Em tese. Você acompanha uma pessoa  meses, anos, séculos, defendendo uma tese.


Palpitantes assuntos. Tem tese que não acaba nunca, que acompanha o elemento para a velhice. Tem até teses pós-morte.


O mais interessante na tese é que, quando nos contam, são maravilhosas, intrigantes. A gente fica curiosa, acompanha o sofrimento do autor, anos a fio. Aí ele publica, te dá uma cópia e é sempre - sempre - uma decepção. Em tese. Impossível ler uma tese de cabo a rabo.


São chatíssimas. É uma pena que as teses sejam escritas apenas para o julgamento da banca circunspecta, sisuda e compenetrada em si mesma. E nós?


Sim, porque os assuntos, já disse, são maravilhosos, cativantes, as pessoas são inteligentíssimas. Temas do arco-da-velha.


Mas toda tese fica no rodapé da história. Pra que tanto sic e tanto apud? Sic me lembra o Pasquim e apud não parece candidato do PFL para vereador? Apud Neto.


Escrever uma tese é quase um voto de pobreza que a pessoa se autodecreta. O mundo pára, o dinheiro entra apertado, os filhos são abandonados, o marido que se vire. Estou acabando a tese. Essa frase significa que a pessoa vai sair do mundo. Não por alguns dias, mas anos. Tem gente que nunca mais volta.


E, depois de terminada a tese, tem a revisão da tese, depois tem a defesa da tese. E, depois da defesa, tem a publicação. E, é claro, intelectual que se preze, logo em seguida embarca noutra tese. São os profissionais, em tese. O pior é quando convidam a gente para assistir à defesa. Meu Deus, que sono. Não em tese, na prática mesmo.


Orientados e orientandos (que nomes atuais!) são unânimes em afirmar que toda tese tem de ser - tem de ser! - daquele jeito. É pra não entender, mesmo. Tem de ser formatada assim. Que na Sorbonne é assim, que em Coimbra também. Na Sorbonne, desde 1257. Em Coimbra, mais moderna, desde 1290.


Em tese (e na prática) são 700 anos de muita tese e pouca prática.


Acho que, nas teses, tinha de ter uma norma em que, além da tese, o elemento teria de fazer também uma tesão (tese grande). Ou seja, umaversão para nós, pobres teóricos ignorantes que não votamos no Apud Neto.


Ou seja, o elemento (ou a elementa) passa a vida a estudar um assunto que nos interessa e nada. Pra quê? Pra virar mestre, doutor? E daí? Se ele estudou tanto aquilo, acho impossível que ele não queira que a gente saiba a que conclusões chegou. Mas jamais saberemos onde fica o bicho da goiaba quando não é tempo de goiaba. No bolso do Apud Neto?


Tem gente que vai para os Estados Unidos, para a Europa, para terminar a tese. Vão lá nas fontes. Descobrem maravilhas. E a gente não fica sabendo de nada. Só aqueles sisudos da banca. E o cara dá logo um dez com louvor. Louvor para quem? Que exaltação, que encômio é isso?


E tem mais: as bolsas para os que defendem as teses são uma pobreza.


Tem viagens, compra de livros caros, horas na Internet da vida, separações, pensão para os filhos que a mulher levou embora. É, defender uma tese é mesmo um voto de pobreza, já diria São Francisco de Assis. 


Em tese.


Tenho um casal de amigos que há uns dez anos prepara suas teses. Cada um, uma. Dia desses a filha, de 10 anos, no café da manhã, ameaçou:


- Não vou mais estudar! Não vou mais na escola.


Os dois pararam - momentaneamente - de pensar nas teses.


- O quê? Pirou?


- Quero estudar mais, não. Olha vocês dois. Não fazem mais nada na vida. É só a tese, a tese, a tese. Não pode comprar bicicleta por causa da tese. A gente não pode ir para a praia por causa da tese. Tudo é pra quando acabar a tese. Até trocar o pano do sofá. Se eu estudar vou acabar numa tese. Quero estudar mais, não. Não me deixam nem mexer mais no computador. Vocês acham mesmo que eu vou deletar a tese de vocês?


Pensando bem, até que não é uma má idéia!


Quando é que alguém vai ter a prática idéia de escrever uma tese sobre a tese? Ou uma outra sobre a vida nos rodapés da história?


Acho que seria um tesão.

Nenhum comentário: