13 junho 2011

Memórias e desejos

Uma música, ou ladainha como chamam, de Santo Antônio acaba de tocar na TV. As lágrimas escorreram antes que eu pudesse assentar minha armadura e, num simulacro de bocejo, interromper o seu rolar desenfreado. Lembrei da minha avó paterna que rezava a trezena de Santo Antônio todos os anos. Lembrei que no último dia todos nós íamos para a casa dela e rezávamos também. Eu me via no meio dos meus parentes e daquelas idosas, amigas da minha avó, cujas histórias conhecia tão pouco, mas que me encantavam por seu canto tão fervoroso das ladainhas decoradas, escritas em velhos caderninhos desbotados que traziam à mão. Ao final, trazíamos pra casa um pãozinho com uma cruz traçada no topo. Ele repousaria no pote de farinha durante todo o ano como uma prece silenciosa de que nunca faltasse alimento naquele lar. 

Amanhã é dia de Santo Antônio. E eu desejo a todos que nunca falte alimento nos nossos lares. Nem alimentos do corpo, nem alimentos da alma. Que nossas vidas sejam sempre fartas em pães e paz.


Um comentário:

Fritas disse...

Bonita lembrança...algumas pessoas têm lembranças tão bonitas da infância ou de certas passagens da vida...acho isso muito legal.