26 julho 2011

O tesouro da leitura

Que eu sou fã de Cordel Encantado, todo mundo já sabe. Acho a fotografia maravilhosa, o enredo bem conduzido, os personagens ricos e bem interpretados, além de amar a forma de representação do Nordeste, com a dose de caricatura que nos cabe, afinal somos performáticos e visuais mesmo etc etc etc (só estou começando a achar que por causa da enorme audiência estão esticando demais esse lance do Timóteo.Rei - pega Jesuíno - que se salva - pega Timóteo - que foge - que pega alguém e recomeça o ciclo....).

Mas o que eu queria falar não é de nenhuma das cenas dos protagonistas mas sim de outras que me emocionam de um modo impressionante: as cenas de leitura de Antônia.

Na verdade eu chorei litros no dia em que ela teve que dizer que não sabia ler. Ela chorava de lá, mergulhada numa vergonha que nem deveria existir e eu chorava de cá imaginando como seria a minha vida se eu tivesse nascido em outro contexto, sem acesso aos estudos, ao conhecimento formal. Eu já agradeci à minha mãe uma centena de vezes por ela ter me ensinado a importância da leitura, mas não apenas isso...por ela ter me mostrado o quão prazeroso isso é. Desde as histórias lidas na hora de dormir, que eu pedia pra repetir muitas e muitas vezes. Os discos de vinil que rodopiavam na vitrolinha vermelha sussurrando as historinhas fantásticas que eu atentamente ouvia. As coleções Disney e de Monteiro Lobato. Eu gostava tanto de ler que quando nada novo havia, ou quando já estava saturada de reler o que tinha.....lia bulas de remédio. rs. Sim, criança estranha, eu sempre digo! Lembro de uma cena cômica, em que, de volta do oftalmologista, cheguei em casa ávida por ler.....mas não podia devido às pupilas dilatadas. Eu supliquei, mas minha mãe disse que não podia e escondeu os livros ou qualquer outra coisa que eu pudesse ler. Esqueceu de um livro das propostas políticas de Manoel Castro, então candidato à alguma coisa que não me recordo agora. Se a vida lhe deu limões, faça uma limonada. Se eu tinha Manoel Castro...era isso que eu ia ler. E li. Com a cara colada  no papel. Vendo tudo desfocado e ganhando como prêmio um carão e dor de cabeça.

A minha paixão de ler vem da sensação de liberdade que me oferece, pelo expandir de limites, ou melhor, pela ausência de limites. Ler, para mim, é o equivalente de ser livre. De entrar num mundo que é meu e no qual me sinto completamente à vontade. É encher os olhos de lágrimas diante de uma grande biblioteca. É ficar emocionada diante de pessoas que aprenderam a  ler aos 70, 80 anos. É vibrar por causa de um livro nas minhas mãos. É fechar os olhos pra inspirar o cheiro de livro novo, mas também mergulhar nas sensações do aroma de livro antigo, de capa de couro carcomido pelas horas. É saber que eu sou todas as coisas que vivi, mas também e não menos importante, todas as coisas que li.

Até mais!

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