03 agosto 2011

Conversa de buzu

Eu detesto ouvir a conversa dos outros no buzu. Sim, detesto, mas não é que eu seja o baluarte da discrição e nem ligue para os detalhes sórdidos que as pessoas insistem em compartilhar com os demais passageiros. O problema é que durante as idas e vindas, a passagem que segue, os que vêm e vão, eu adoro me perder nos meus próprios pensamentos...entrar no meu mundinho, que certamente não é open house, mergulhar bem fundo e ir dos pensamentos mais sérios e adultos até os mais delirantes devaneios pueris. Desse modo, vocês podem imaginar o quanto é incômodo ser interrompida pelo papo das adolescentes da escola militar e seus relatos sobre que passou a mão em quem, quando e onde...entendendo-se onde como a parte do corpo da relatora. Ou pela jovem atendente de telemarketing que não sabe se vai a festa sozinha e dá o troco ao namorado que saiu sem ela ou chame ele pra sair e faz uma DR daquelas. Ou ainda pela moça que trabalha no mesmo local que eu, mas em outro setor e fala mal de suas colegas, sem poupar adjetivos nem veneno.

É demais, minha gente....é muita fusão de público e privado pra minha cabeça. Como se não bastasse isso, agora ainda tem a moda dos DJs de ônibus. Sempre falo deles aqui, se bem que de uns tempos pra cá até parei, né? Mas isso não aconteceu por eles terem sumido da face da Terra ou terem recebido a dose de semancol que lhes faltava. Eles ainda estão lá...sempre....com repertório cada vez pior....e som mais alto.....e o mais revoltante: ninguém parece se importar.

Pra me defender disso eu sempre recorro ao meu mp3, claro, mas eis que meu Sony resolveu quebrar (e eu não tomo vergonha de consertar)....comprei um mp3 bem vagabundo que, como era de se esperar, também quebrou e eu passei a usar o celular (com fones, ÓBVIO!). Mas aí, com essa onda de assaltos no buzu....manchetes em jornais....mommy começou a trabalhar o terrorismo em minha mente. Disse que chamava atenção...que podia ser assaltada....que ele era novinho....que eu ainda estava pagando (essa parte é mentira. Eu já paguei....rs)...e eu fiquei meio com receio, sabe. Não pelos meliantes em si, mas pelas coisas que a mãe da gente fala. Se mãe fala....é batata...melhor atender...rs.

Desse modo, caríssimos, é na crueza da vida....sem música....sem alento.....e ouvindo a conversa alheia que enfrento o vai e vem no buzu. Hoje por exemplo veio um cara do meu lado, que já entrou no buzu falando ao celular e só desligou pouco antes de saltar. Aff. Uma conversa manhosa....arrastada...bem típica de cafajeste, sabe. Aquilo era conversa com pretensa amante. Aposto. Querem indícios? Eu lhes oferecerei! 1. Fala melosa; 2. Atenção para ouvir o que a outra pessoa dizia; 3. Piadinhas de duplo sentido (toscas...argh); 4. Falas sobre a esposa com ar de desprezo (ex. "eu não gosto de tal coisa, mas fiz pra agradar a mulher....tem que fazer, né....ô"); 5. Sugestão de se encontrar no dia seguinte....com horário à escolha da pessoa do outro lado da linha; 6. Arrastou-se para desligar. 

Diz aí....é ou não é coisa de quem quer uma filial pra chamar de sua? Ninguém merece.

Até mais!

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