20 outubro 2011

Elementar, meu caro Watson...

Ele já foi adaptado de inúmeras formas e nos mais variados formatos...uns bons, alguns excelentes, vários realmente dispensáveis. Mas eis que vem a BBC e faz um trabalho incrível de adaptação das histórias de um dos personagens mais famosos de todos os tempos: Sherlock Holmes!




O nome Sherlock Holmes sempre me atraiu muito: investigação, astúcia, Londres...hum.....perfeito, mas devo confessar uma falta grave: nunca li uma história sequer do detetive. Vergonhoso, eu sei e pretendo reparar isso em breve, mas deixemos minhas falhas literárias de lado, ou melhor, que eu possa tentar remediá-las trazendo a vocês um pouco da minha impressão sobre a série. 

Por não ter lido as histórias não tenho parâmetros suficientes para saber se a adaptação da BBC é mais ou menos fiel à ideia de Sir Arthur Conan Doyle*, criador do detetive Holmes, mas a julgar pelo filme estrelado por Robert Downey Jr que teve como críticas o demasiado humor e patifaria de Holmes, arrisco dizer que a série se aproxima mais da intenção original. 



Fiquei tão impactada com a série que cheguei a dizer no twitter ontem: 

"A piscadela de Sherlock aos 11 min e 44 segs do episódio me fez escrava pra sempre".

Exageros à parte, eu fiquei realmente encantada; as cenas externas são belíssimas e aqui vocês podem dizer: ok,  Sherlock vive em Londres...como poderia ser ruim? Sim, é Londres, o que já torna o cenário por si só excelente. Mas não é apenas isso. Tem uma aura de sonho, de mistério, as ruas escolhidas, os closes nos calçamentos de pedra, nos táxis negros, nos prédios de cores sóbrias. 

Todo um clima sombrio é construído visualmente e faz com que você veja que não está numa Londres antiga, no tempo do Holmes do Doyle, afinal na série ele não desgruda do celular, manda SMS, entra na internet, tem GPS etc, mas também não se sinto nos tempos atuai. É como se houvesse um tempo em parênteses, que só existisse na série. Um tempo outro, uma realidade outra onde existem Sherlock, Watson, uma linda e sombria Londres e o endereço 221 Baker Street.

O que posso dizer de Benedict Cumberbatch, que interpreta o Sherlock? 




Nossa. Ele impressiona pelo seu rosto forte, peculiar, que não nos deixa saber se é feio, bonito, atranete ou repulsivo. Sua pele é de um branco marmóreo e seus olhos azuis têm uma luminosidade surreal. Ele consegue, na mesma cena, ficar sem nenhuma expressão, explodir em ira porque as pessoas estão pensando e isso lhe atrapalha e logo em seguida sorrir de modo quase infantil por se dar conta de algo que chama de obvio, mas que os demais nunca entendem.


Martin Freeman faz um Watson não tão charmoso quanto Jude Law, mas bem mais realista e cativante no final das contas. Tem uma tarefa árdua que é atuar com o Benedict que tá insano como Sherlock, mas o faz muito bem. 

Acho que interpretar o homem comum deve ser uma das coisas mais difíceis do mundo, sabe, porque interpretar o excêntrico, o diferente, o inusitado já lhe dá de atemão a simpatia do publico. Somos traídos pelos estranho, apesar do medo que nos desperta ou exatamente por isso. Mas o homem comum, vulgar, sem destaques, brilhos especiais....pra fazer esse com maestria e com veracidade é preciso ser muito bom. 

E Freeman é.





Acho interessante notar que como há a frequente associação entre genialidade e loucura, parece haver sempre a necessidade de uma credencial humana junto ao gênio. O ator David Duchovny (DD) falou sobre isso numa entrevista sobre a série de TV Arquivo X, onde o psicólogo Fox Mulder, brilhante e excêntrico, tinha sempre a seu lado a cética médica Dana Scully, a quem DD denominava de credencial humana de Mulder, ou seja, aquela que o mantinha de algum modo ligado a esse mundo e que acabava por atestar que se ele podia manter laços sociais com outro ser humano, algo de aproveitável deveria ter em si. 



É o caso de Sherlock. O chamam de sociopata ( e ele não se incomoda nem um pouco), repetem várias vezes que ele não tem amigos, mas a presença de Watson e sua “amizade” com o estranho detetive (ou consultor como ele se intitula), mostram que naquela brilhante indiferença tem alguém que vale a pena prestar atenção.



Enfim, diálogo rápidos, inteligentes e bem construídos. Personagens famosos e bem interpretados. Produção cuidadosa.



Sucesso!

Pelo menos é isso que eu espero porque não tem coisa pior que se apegar a uma série, ficar ansiosa pelos desdobramentos.....e vê-la ser cancelada! 

A primeira temporada de Sherlock foi ao ar em 2010 e teve 3 episódios, cada um com 1h 30min. Eu sei, eu sei....quase nada. Mas a vida é assim...rs. A segunda temporada tem previsão de ir ao ar no começo de 2012. Esperemos ansiosamente por ela!

Um beijo e até mais!


*Eu conheço Sir Conan Doyle por outra de suas obras: The Lost World. Também não pelo livro, mas pela série que durou três temporadas e nunca teve seu final exibido. A série, que no Brasil era exibida na rede TV não era nenhuma obra prima, mas tinha uma história interessante, bem como personagens que poderiam ter rendido muito mais. Mesmo com as limitações, foi fã por bastante tempo e ainda guardo um carinho significativo. Cheguei a escrever fanfictions na época!  Mas isso é assunto para outro post.

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