30 outubro 2011

Um minuto da sua atenção...

Olá,

tudo bem com vocês?

Olha só, depois que fiz os comentários sobre Diário de uma paixão (ver post na categoria Cinema!) fiquei pensando que, pelo medo de contar demais do filme e estragar a graça de quem ainda não viu, acabei omitindo uma coisa que gostaria muito de ter falado. Interpretações psicológicas à parte (aviso importante: as análises aqui são da leitora/fã de séries e de cinema e não da psicóloga, embora obviamente eu não possa calar de todo a psicóloga que mora em mim...rs). Desse modo, vou fazer um breve adendo àquele post, mas quem não viu e pretende ver...não leia mais a partir daqui, ok. Ou leia.....você é livre!

SPOILERS 

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Com o desenrolar da história vamos entendendo que o casal de idosos é formado por Allie e Noah; ela com Alzheimer avançado e ele lendo o diário das suas memórias, narrando toda a sua história de amor, daí o nome do filme ser The notebook.

Pensando na história, achei fabulosa a metáfora do autor acerca do tipo de adoecimento que escolheu para cada um deles. Allie passa a história dividida entre uma proposta de casamento perfeita, uma vida perfeita e sua paixão por Noah. Então, idosa, tem Alzheimer, o que eu interpreto como uma expressão da dificuldade que sempre houve para ela em processar as coisas, os dois mundos em que estava vivendo, as memórias. Como é próprio do Alzheimer, ela tinha flashes, momentos de lucidez em que o reconhecia, lembrava da história deles, mas isso não durava muito. 

Tocante quando ela pergunta a ele: “quanto tempo tivemos da última vez?” e ele responde: “5 minutos”. As crises violentas quando ela se imaginava entre estranhos me fazia pensar no dilema dela de estar e não estar com Noah, de não saber bem qual era o seu lugar, de não saber o que queria. Outra passagem linda foi quando ele mandou ela parar de pensar no pai, na mãe, nele....e responder: o que ela queria? Ele perguntou isso duas vezes. Logo no começo, quando ela listou todas as tarefas diárias e de como era ocupada fazendo tantas coisas e ele perguntou o que ela fazia por seu próprio gosto. Pintar, ela disse. E essa imagem volta quando ela entra no escritório do noivo e diz: “eu não pinto mais, eu costumava pintar”. E ele sugere que ela retome isso. “Farei isso, ela diz”. 

Sim, fará, ela retornará à Noah e perguntará: “porque você não me escreveu, não tinha acabado. Eu te esperei por 7 anos!”. Lágrimas aqui como se não houvesse amanhã...rs.

Aqui eu fiz um retrospecto e percebi que havia sido pega pelo autor porque da forma como a história havia sido mostrada, quando Allie e Noah se separam, parece que ela retoma sua vida tranquilamente. Vemos ela sair, ir à festas, dançar, beber e encontrar o galante noivo perfeito que lhe pede em casamento e ela aceita. Aqui a gente entende. Nunca foi fácil. Nem quando ela disse sim à Lon, nem quando voltou à cidade de Noah, nem quando foi perdendo e memória.

Já Noah tem um histórico de ataques cardíacos, inclusive tendo mais um depois de uma crise de Allie. Achei mesmo a única forma possível de representar o intenso e quase devastador amor que ele teve por ela desde sempre, desde que viu Allie pela primeira vez no parque de diversões. Era amor demais para um coração aguentar. Duas cenas nos contam que é Noah: a cena em que Allie acorda na casa dele, casa que tem também uma história linda (não, não vou contar!), e segue as setas de papel no chão, chegando a um quarto específico....nossa....o amor dele fica cristalino ali. A outra é quando descobrimos que ele sai de casa para morar com ela, mesmo sem ser reconhecido. Os filhos acham que ele está perdendo sua vida ali, mas ele não poderia ter outra vida senão ao lado dela.

É isso. As obras estão aí pra nos fazer pensar nas diversas mensagens que podem ser lidas. Em Diário de uma paixão há muitas. Há uma linda história de amor. Há as dúvidas entre uma vida segura e o lançar-se de cabeça sem garantias. Há a dolorosa discriminação de classe. 

Mas, pra mim há uma questão delicada e fundamental: qual são os nossos sonhos? O que queremos, afinal, da vida? O que fazemos para que eles não sejam apenas lembranças do que poderia ter sido e não foi? A paixão aqui se refere a uma história de amor, inclusive por nós mesmo.

Até mais!

Um comentário:

Millena Bezerra disse...

Adoraria fazer um comentário beeem construtivo sobre esse livro/filme, mas só consigo isso: buááááaáááá.

Beijos!!