09 novembro 2011

Olá pessoas!

Sim, são dois posts em um dia, mas não se acostumem...rs. Isso acontece porque chove cântaros em Salvador (sério, gente, a coisa tá calamitosa) e não pude nem ir trabalhar. Então, depois de falar de séries , segue mais uma resenha de Crônicas de Nárnia.

O livro de hoje é O cavalo e seu menino

À primeira vista esse nome me soou estranho, afinal....não deveria ser o menino e seu cavalo? Não, não deveria. Nem no livro, nem na vida real. Ninguém deveria ser dono de ninguém, não é mesmo. Mas vamos lá.

Essa é a capa:




Uma das coisas que mais me agrada nas Crônicas é que cada livro traz histórias bem diferentes, embora Nárnia esteja presente em todas elas. O terceiro livro traz como novidades:

  1. Um mapa antes da abertura do livro:


Eu adoro mapas, e assim como fiz com as ilustrações, me dediquei a observar o que aquela representação me trazia. Acostumada aos mapas de Tolkien e, mais recentemente aos de George R.R. Martin, ricos em detalhes, o mapa de Lewis é infinitamente mais simples, mas ainda assim interessante. Nele podemos entender um pouco mais do mundo fantasioso que o autor criou, que na verdade, é muito mais que Nárnia. Há vários “países” como a Calormânia e a Arquelândia, que faz fronteira com Nárnia, e o deserto, cenário da atual aventura.

    2. Esse é o livro que tem um caráter mais oriental e isso fica claro pela descrição do sistema de classes, pelo clima do lugar, organização das cidades, opulência material, moradias, costumes etc. Aprendemos aqui termos como tarcaã e tarcaína, que eu entendi como algo próximo de sheiks, califas ou algo assim.

    3. Conhecemos mais alguns personagens e o primeiro deles é Shasta, o menino do título. A curiosidade por outros mundo é constante, não sendo Shasta uma exceção. Criado por um pescador, o menino se dedicava a pensar o que existiria do lado de lá da serra, mas o “pai”, muito prático, apenas lhe dizia que deixasse essas bobagens pra lá. Isso quando estava de bom humor, porque nem sempre ele era tranqüilo assim. Amor é o que menos existia naquela relação.


A vida de Shasta muda com a chegada de um forasteiro e seu cavalo, um animal de Nárnia.  Porque fiz essa ressalva sobre o animal? Bom, vocês já devem ter notado que os animais de Nárnia não eram como os outros. Esse também não era. Perceber as nuances da personalidade de Bri, o cavalo falante, é um exercício rico.

Lançado em uma aventura arriscada, Shasta conhece Aravis, uma tarcaína e Huin, uma égua, e as coisas se complicam cada vez mais. Quando Lewis toca na relação entre animais e humanos, mostrando os animais falantes chamando Aravis e Shasta de “seus humanos”, impossível deixar de associar à história de Planeta dos Macacos, não o filme mais recente, mas os anteriores, onde o mundo era dominado por símios que tinham humanos de estimação. Ver o orgulho e a certeza de superioridade de outro ângulo nos faz pensar no quão ignorantes somos e no quanto isso nos impede de nos tornarmos sábios de fato.

Cada um fugindo de seus próprios fantasmas, Shasta e Aravis chegam à cidade de  Tashban e, por artimanha do destino, são separados. Aravis, na companhia de uma velha amiga, tem um vislumbre do que sua vida poderia ser, caso aceitasse as regras de sua casta. Shasta, por seu lado, é confundido com um príncipe, Corin, e leva, durante curto período de tempo, vida de rei. O reencontro é difícil e ainda há muito chão rumo à seu destino: Nárnia. Huin e Bri têm certeza do que encontrarão lá, mas Aravis e Shasta estão temerosos, afinal, não são narnianos.

Os reis e rainhas de Nárnia, Pedro, Susana, Edmundo e Lúcia, aparecem aqui e ali, mas sem grande destaque na história, a não ser pela batalha em Anvar, batalha essa rápida e que não acrescenta muita coisa, na minha humilde opinião. Aqui eles são definitivamente coadjuvantes...e isso não é necessariamente ruim.

Eu falei da personalidade de Bri, o cavalo falante, não foi? Pois, essa frase:

Sem duvida quando falam dele como sendo um leão, estão querendo dizer que é forte como um leão. Mas é falta de respeito. Se ele fosse um leão, seria um animal como qualquer um de nós. Ora essa!

que é seguida pela repreensão de Aslam sobre a postura orgulhosa do animal mostra como para ele os seres não podem ser iguais. Há uma hierarquia de importância e, assim como os animais de Nárnia estão muito acima dos outros animais, a referência à Aslam como leão só poderia ser “um modo de falar”. É como se o complexo de superioridade dele, fosse, na verdade um disfarce ara o seu real complexo de inferioridade.

Por fim, destaco na resenha a lição de Aslam para Aravis. A menina, que havia fugido de casa através de uma artimanha, na qual envolveu a ama, mesmo sabendo que o preço para esta seria alto, aprende que cada um dos nossos atos têm conseqüências, tanto para nós, quando para as pessoas que estão ao nosso redor, por isso é preciso responsabilidade e reflexão para que o preço não seja alto demais.

As arranhaduras nas suas costas, uma por uma, dor por dor, sangue por sangue, são iguais aos lanhos feitos nas costas da escrava de sua madrasta, em razão da droga que a fez dormir. Você precisava saber o que é isso”.


A maior surpresa é reservada à Shasta, mas obviamente não contarei aqui, vocês precisarão ler O cavalo e seu menino.

Se o enredo fosse no twitter poderia ser assim: um menino. uma menina. animais falantes. famílias perdidas. batalhas em campo e no coração. o reencontro.

E aí, deu vontade de ler? Comentem, critiquem, fiquem à vontade.

Até mais!

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