04 novembro 2011

Resenha: O leão, a feiticeira e o guarda roupa

Olá pessoas!

Tudo bem? 

Obrigada pelos comentários. Fiquei muito feliz e espero que continuem gostando e comentado, ok.

O livro de hoje é O leão, a feiticeira e o guarda roupa, segundo no volume único de Crônicas de Nárnia.


Lúcia, na sua chegada à Nárnia, sendo recepcionada pelo fauno Sr. Tumnus e indo para a casa dele.


Ignorem a foto um pouquinho tosca...rs. Não há muitas imagens das ilustrações da Pauline Bayles no Mr. Google e como eu acho lindas, tirei foto do meu livro para vocês verem. Elas são todas assim, em preto e branco a aparecem não apenas com o título do livro, como na abertura de cada capítulo, assim ó:


Confesso que eu passo um tempinho olhando as imagens, antes de ler os capítulo, procurando os detalhes e imaginando o que está por vir.

Selecionei mais essa imagem que é da dedicatória que Lewis fez à sua afilhada:


Não há uma só vez que eu leia e não me emocione. Lindo. 

E chegamos à história!


 “Era uma vez duas meninas e dois meninos: Susana, Lúcia, Pedro e Edmundo. 
Esta história nos conta algo que lhes aconteceu durante a Guerra, 
quando tiveram de sair de Londres, por causa dos ataques aéreos. 
Foram os quatro levados para a casa de um velho professor, em pleno campo, 
a quinze quilômetros de distância da estrada de ferro 
e a mais de três quilômetros da agência de correios mais próxima”.



Logo aqui, nas primeiras frases do livro Lewis já nos faz entender algo simples e direto: ele não vai falar das coisas deste mundo. Estamos longe dos meios de transporte e longe da comunicação com qualquer outra pessoa. O melhor a fazer é assumir a aventura que vem e seguir adiante. Foi isso que eu fiz apesar de desconfiar do improvável nome: O leão, a feiticeira e o guarda roupa. Isso lá é nome de livro?!

Bom, vamos à ideia inicial: quatro crianças entediadas resolvem desbravar uma casa antiga e enorme que, do alto de sua ingenuidade infantil, parece um poço de aventuras. Lúcia, a mais novinha, acha o guarda roupa que os levará a outro mundo. Que ironia: foi uma brincadeira de esconde-esconde que fez com que se descobrissem figuras centrais de uma história em que puderam fazer a diferença.

Ok, passagens secretas e portais que dão para outros mundos não são ideias originais, mas creio que usar um guarda roupa..sim! Como eu disse na resenha anterior, várias coisas aqui são explicadas com a leitura do primeiro livro. Por exemplo: como vi o filme sem ter lido o livro, não entendia o caráter mágico do guarda roupa. Depois da história de Digory e Poly entendi. Confesso que fiquei procurando uma explicação possível por trás da metáfora do guarda roupa. Ese negócio de ser graduada em psicologia e comunicação criou esse traço quase paranóico/ conspiratório em mim. Os sentidos ocultos e/ou disfarçados sempre me interessam! Não consegui chegar a nenhuma conclusão. Se alguém tiver, por favor, compartilhe!

C.S. Lewis deixa claro (inclusive ele fala muito bem sobre isso na parte final: sobre como escrever livros para crianças) que suas histórias são contadas a partir da ótica das crianças, então, se vocês observarem bem poucos são os adultos de destaque que aparecem. Acho interessante como o autor tem a preocupação de trabalhar a personalidade de cada personagem, mesmo os que não são humanos, como o senhor Castor, por exemplo. Isso acontece não apenas neste livro, mas em todos os outros. Lúcia, Susana, Edmundo e Pedro são bem diferentes uns dos outros e isso fica evidente nas diversas discussões travadas. Também vale destacar o fato de Lúcia ser aquela que “descobre” Nárnia; como eu disse, ela é a mais jovem e talvez a sua escolha queira dizer (além de ser uma homenagem à afilhada) que por ainda estar completamente imersa na infância, pode transitar livremente entre fantasia e realidade.

Acho curioso como os habitantes de Nárnia e até mesmo Aslam, que não é de Nárnia, mas de além mar, nomeiam os humanos: filhos de Adão e filhas de Eva. Porque não há filhos de Eva, nem filhas de Adão? Não sei e fiquei intrigada.

Lembram das alegorias religiosas? Pois bem, olha elas aqui de novo! Aslam, o leão e só por aí já vemos o simbolismo da força, do poder, da imponência se apresentando. Porque Lewis escolheu um animal para representar o criador de Nárnia? Eu não tinha me dado conta e cheguei a pensar num certo pudor de encarnar o criador em um ser humano, falho por natureza e preferiu, assim, encarnar qualidades supremas num animal majestoso.  Reformulei minha teoria quando lembrei que não há humanos nascidos em Nárnia. Os humanos vieram todos de outros lugares, como veremos em Príncipe Caspian.

Aslam é apresentado como o criador e redentor. Aquele que traz a luz e afasta todo o mal. Aquele que nunca é visto, mas que guarda toda a esperança. Muitos duvidam de sua existência, mas crer na salvação através de Aslam é a representação direta da fé. A Acho que até mais especificamente a fé católica de que o Salvador voltará e redimirá a todos. Aslam submete-se ao sacrifício para salvar Edmundo e toda a Nárnia, mas quando se pensava tudo perdido, eis que ele volta, ressurge ajudado por pequeninos (os ratos que roem a corda e me lembram, novamente...sempre... Senhor dos Anéis ao mostrar que há reis, há cavaleiros, há grandes heróis, mas o foco é o heroísmo presente em cada pequeno ato. Uma pequena criatura pode mudar o destino do mundo) e faz ver que acima do mal existe um poder supremo. Com o nascer do sol, a imagem de Aslam se recupera e ele renasce.

Nessa passagem lembrei de uma lenda egípcia muito bonita: a lenda de Rá, o deus Sol. Segundo a lenda o sol daria uma volta completa na terra todos os dias, cumprindo as 24 hs. A parte clara seria o momento em que ele passa pela superfície da terra, nos iluminando. À noite ele continua seu passeio, mas desta vez nos subterrâneos, completando as doze horas sem luz. Esse é um momento crítico quando, em duas oportunidades, ele combate a serpente do Caos. O nascer de um novo dia é prova de que o Sol saiu vitorioso. Enfim, esperança de salvação e renovação.

Por fim, outra mensagem muito bonita transmitida pelo tio das crianças, quando estas lhe contam de Nárnia (prestem atenção no livro 1 e no tio):

Mas não tentem seguir o mesmo caminho duas vezes. Na verdade, vocês não devem fazer coisa alguma para voltar à Nárnia. Nárnia acontece. Quando menos esperarem, pode acontecer”.


Pode ser uma interpretação selvagem de minha parte, mas isso me soou como um não tentem repetir as coisas boas na vida de vocês, não desperdicem o tempo que vivem tentando repetir sensações ou imagens. Elas vêm e vão. Cada experiência é única e por isso tão preciosa. Aproveitar o máximo cada uma delas é o segredo, porque viver buscando resgatar aquela emoção lhe impede de ver e sentir todas as outras.

Se o enredo fosse no twitter poderia ser assim: quatro crianças. Tédio. Um guarda roupa. Um novo mundo. Muitas aventuras. Bem x mal. O calor volta à Nárnia. Apenas o começo.


Bom...a próxima resenha será sobre o livro 3: O cavalo e seu menino. Espero postar em breve.

Até mais!

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