13 novembro 2011

Resenha - Príncipe Caspian

Olá pessoas!

Seguindo a sequência do livro, a resenha de hoje é sobre Príncipe Caspian

Resolvi fazer essa resenha um pouquinho diferente e por isso assisti também ao filme Príncipe Caspian. Antes de qualquer coisa eu gostaria de fazer um comentário: eu não sei se alguém está achando chato as citações freqüentes de Tolkien, mas é que de fato muita coisa me lembra os livros dele, que eu amo, e, além do mais, Tolkien e Lewis foram amigos; não é impossível que tenham conversado, trocado ideias e influenciado um ao outro. Tendo deixado isso claro, vamos lá.

Eu morro de medo de filmes que adaptam livros porque geralmente fazem uma geléia geral, transpõem as coisas com mais liberdade do que deveriam e acabam criando uma outra história. Acho isso desrespeitoso como o autor, porque se fosee pra criar uma coisa nova, porque usar o nome de uma pessoa famosa? Aí quem nunca leu o livro fica achando que aquele era a ideia do autor....sem ser. Mas, felizmente, no caso dos filmes de Nárnia isso não aconteceu!



Gostei de Príncipe Caspian, o filme. Acho que teve as doses certas de doçura, emoção, aventura. Achei o finalzinho melancólico, mas muitas vezes há passagens assim nas Crônicas de Nárnia, o final do livro o é. Achei bastante fiel à história, exceto por um detalhe omitido ou bobagem inserida. Por exemplo, no livro não há nem mesmo insinuação de romance entre Caspian e Susana, enquanto no filme não faltam olhares e coisas do tipo, mas isso não afetou o filme. 

Por outro lado há coisas literalmente transpostas identificadas assim que vi. Quando gosto de um livro e isso acontece no filme, eu vibro. Foi a mesma sensação com Senhor dos Anéis e com Guerra dos Tronos.

Tanto no livro quanto no filme a história começa numa estação de trem; Pedro, Susana, Edmundo e Lúcia têm saudades de Nárnia e se mostram tristes por não saberem quando ou mesmo se voltarão. De repente algo mágico acontece e eles se vêem transportados para uma ilha. No filme incluíram uma briga entre estudantes que, ao meu ver, era desnecessária, mas observando a fala de Pedro acabei por entender a que propósito serviu: “vocês não estão cansados de serem tratados como crianças?”, pergunta ele. Ao que Susana retruca que está na hora de se conformarem em viver mesmo na Inglaterra. Fica claro que ter sido rei em Nárnia não é uma coisa fácil de esquecer; perder todo o reino, não no sentido de riqueza, mas de respeito, confiança, admiração e coragem era irreparável.



Nessa ilha, eles descobrem as ruínas de um palácio e se dão conta de que é Cair Paravel, o local onde reinaram. Tentando entender o que estava acontecendo, salvam a pele do anão Trumpkin (interpretado pelo ator Peter Dinklage, que também interpretar o anão Tyrion em Guerra dos Tronos. EXCELENTE em qualquer papel que faça, mas em Guerra dos Tronos ele é incrível!) e este lhes conta que apesar de em seu mundo ter se passado apenas 1 anos desde que os quatro deixaram Nárnia, lá já são mais de 100! 

Nesse tempo, os telmarinos invadiram Nárnia, mataram quase todos e tomaram o lugar. Os que restaram se esconderam nos bosques e lá permanecem guardando sua história silenciosa. Desde lá o que se fala sobre Aslam são apenas sussurros.

Como os quatro irmãos Pevensie retornaram à Nárnia? Surpresa. Leiam e descobrirão!

Ao mesmo tempo conhecemos Caspian, que foge de um palácio com a ajuda de seu mentor, pois seu tio o queria morto, agora que sua esposa acabara de dar á luz um menino, herdeiro do trono. No filme a história de Caspian começa assim, mas no livro há uma introdução muito maior; a ausência dela não impede a compreensão da história e entendo que tenha sido sacrificada no filme, mas os detalhes contados no livro são interessantes e não pesam de forma alguma. Por exemplo, no livro ficamos sabendo que as histórias da antiga Nárnia são tabu, ninguém fala sobre elas, mas o preceptor de Caspian, na verdade um meio-anão, diante das muitas perguntas do jovem, lhe conta tudo que sabe. Os animais falantes de Nárnia não são mentira. Eles existiram e ainda existem.


Na fuga, Caspian se machuca e é acolhido pelo Texugo e Nikabrik, um anão de caráter duvidoso. 

Discussão pra lá, discussão pra cá admite-se que Caspian deve reivindicar o trono, já que seu pai, Caspian IX era rei (o tio ficou no trono quando o rei morreu) e os narnianos remanescentes são reunidos para se juntar a ele na luta. 

Essa decisão não foi fácil, afinal, como aceitar que um telmarino, ou seja, alguém do povo que dominou e praticamente destruiu Nárnia, fosse seu rei?


Apesar das dúvidas, os antigos reis e rainhas de Nárnia e o anão Trumpkin se juntaram a eles e começaram as batalhas. 


Sim, foi mais de uma e as baixas no exército de Nárnia não foram poucas. A saga de Caspian, dos reis e rainhas e dos narnianos fala de honra, coragem e escolhas difíceis, como bem cabe aos épicos, mesmo os de fantasia. Aslam tem participação muito menor aqui, mas é sempre significativo quando aparece, afinal ele é o estandarte da fé, bem como da promessa da nova vida.


Edmundo tem participação sem grande destaque em termos de quantidade de aparições, falas ou ações em batalha, mas a sua presença é de grande importância. É muito bonito ver seu crescimento, sua maturidade; apesar de Pedro ser o grande rei e não se negar ao combate, me parece que Edmundo passa a ser a solidez das decisões pensadas. Quem lembra dele no livro O leão, a feiticeira e o guarda roupa não deixa de se emocionar com a mudança.

Pra vocês não dizerem que eu babo pelo Peter Jackson (babo mesmo. Acho Senhor dos Anéis a melhor adaptação de livro que já vi e estou ansiosíssima pelo Hobbit! rs), achei uma coisa que vi ser feita melhor aqui que nos filmes dele: as árvores que andam. Apesar de amar fantasia e me espantar com quase nada, aceitar árvores que andam e falam me parece uma coisa muita estranha. Em Senhor dos Anéis elas andam, falam, têm nomes (Bárbarvore, lembram?) e eu confesso: não sei lidar com isso. Em Nárnia elas são bem mais realistas (realidade dentro da fantasia, ok). Elas andam lançando suas raízes. A cena foi MUITO bem feita.


Aqui devo inserir outro destaque: gente, a qualidade técnica do filme me parece excelente. 

E eu digo me parece porque não tenho conhecimento suficiente para falar sobre efeitos especiais e tal, mas como cinéfila amei ver centauros e faunos que pareciam reais, cenários deslumbrantes e verossímeis, batalhas bem montadas, animais falantes perfeitos etc.




Quando chega a hora dos antigos reis e rainhas partirem, Aslam lhes dá uma noticia difícil. Confesso que eles reagiram melhor do que eu...rs. Fiquei triste nessa parte e isso se repetiu em A viagem do peregrino da Alvorada. Não direi o que é para não estragar a surpresa (sim, porque eu aposto que vocês vão ler!), mas se refere à Susana e Pedro e creio que à transição necessária para a vida adulta. Quando eu comentar a parte final do volume único, que não é um livro, mas um comentário de Lewis sobre formas de escrever histórias para crianças, retornarei a este ponto.


Pra finalizar, achei que tanto o livro quanto o filme têm um ritmo muito bom de narrativa; Lewis é descritivo na medida certa, mas cabe destacar que em relação às batalhas, o diretor Andrew Adamson conseguiu me passar mais emoção do que o próprio escritor.



Não sei se isso se deve à realmente uma narrativa mais superficial e pouco empolgante das batalhas nos livros ou a fato de que no cinema há a imagem que já impõe, por si só, uma emotividade maior, auxiliada pela trilha sonora. Aliás, a trilha sonora de Príncipe Caspian é linda; bem pensada, coerente e estimula as emoções apropriadas em cada momento.

Espero que tenham gostado da resenha. A próxima é A viagem do Peregrino da Alvorada, que também tem filme! O livro é delicioso....o filme não vi ainda, mas to super curiosa pra ver como o diretor Michael Apted se virou!

Fonte das imagens:
http://omelete.uol.com.br/galeria/principecaspian/principecaspian_56/?slug_conteudo=veja-25-novas-fotos-de-principe-caspian.


Trailler pra vocês se animarem a ver:




Ficha técnica do filme:

Diretor: Andrew Adamson

Elenco: Ben Barnes (Caspian), Anna Popplewell (Susana), William Moseley (Pedro), Georgie Henley (Lúcia), Skandar Keynes(Edmundo), Peter Dinklage (Trumpkin), Sergio Casltellito (rei Miraz), Warwick Davis (Nikabrik), Vincent Grass (Dr. Cornelius, preceptor de Caspian) entre outros.


Produção: Andrew Adamson, Mark Johnson, Perry Moore, Philip Steuer.
Roteiro: Andrew Adamson, Cristopher Markus, Stephen McFeely, baseada na obra de C.S.Lewis
Fotografia: Karl Walter Lindenlaub
Trilha sonora: Harry Gregson-Williams
Duração: 147 min.
Ano: 2008
País: EUA/Reino Unido.
Estúdio: Walt Disney/Walden Media.

Um comentário:

Bruno Miranda disse...

Ah, adorei! Eu ainda não li o livro e filme, eu só assisti um, bem provável que seja o primeiro. Mas eu gostei muuuito, fiquei muito empolgado para assistir este! Beijos,

@minha_estante - Minha Estante