27 novembro 2011

Resenha - A viagem do Peregrino da Alvorada

Olá pessoas!

Demorou, mas saiu. Eis a resenha de A viagem do Peregrino da Alvorada, o 5º livro das Crônicas de Nárnia. Um livro muito gostoso de ler, com linguagem simples, atraente, com ritmo ágil e uma capacidade invetiva invejável.

Já sabendo que havia um filme sobre o livro, parti para a leitura tentando imaginar como as coisas poderiam ser transpostas para a tela. Como ele é cheio de detalhes 

(ok, todas as histórias da coletânea são, mas neste Lewis se desmancha em descrições detalhistas. Vocês precisam ver como ele descreve o Peregrino da Alvorada! É curioso que Lewis é econômico nas descrições de batalhas, mas nas coisas do cotidiano ele é genial. Ele consegue falar de cenas comuns e de sentimentos de modo que você realmente sente e vê aquilo tudo. E nesta parte cabe outro comentário: já notaram que nas obras de fantasia sempre há anões, eles sempre são considerados como criaturas e não como humanos, e sempre são exímios artesões? Anões sempre trabalham em minas, esculpindo túneis, lapidando gemas, com grande talento. Porque, hein?!)

fiquei curiosa para saber como fariam. Mas, vejam só, o filme realmente não me decepcionou! Gostei bastante, achei fiel ao livro, com efeitos especiais incríveis e com excelente ritmo. Achei inclusive que Ben Barnes estava mais à vontade no papel de Caspian. Por falar em Ben Barnes....uma pausa para esta imagem, absolutamente necessária:


Este é o Rei Caspian.

Alguém ainda respira?
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Ok, voltemos. rs.

Nessa história, Edmundo e Lúcia estão na casa dos tios, onde são obrigados a conviver com o primo Eustáquio Mísero (sim, este é mesmo o sobrenome dele...rs) no período da guerra. O garoto, com gostos estranho

 “Eustáquio gostava de animais, especialmente de besouros quando estavam mortos e espetados num cartão” p. 403.

e chato como um fim de tarde de domingo, fazia questão de perseguir Edmundo e Lúcia, sempre rindo das suas histórias, que julgava serem fantasiosas.

Os pais dos quatros jovens Pevensie haviam ido para os EUA e levado Susana. Pedro estava na casa do tio (aquele mesmo do Leão, a feiticeira e o guarda roupas, que, por ter conhecido Nárnia, entendia do que os meninos falavam. Ele havia perdido tudo e morava numa casa muito menor), se preparando para exames da faculdade.

Edmundo e Lúcia estão bastante entediados quando começam a reparar numa pintura pendurada na parede do quarto.

  “Tia Alberta detestava o quadro, mas não podia jogá-lo fora, pois fora presente de casamento de uma pessoa a quem não queria ofender”. P. 404.


Em meio às chacotas de Eustáquio acontece algo surreal: a pintura ganha vida e o mar que antes era estático se transporta para o quarto. Em um momento estão enfadados na Inglaterra e no minuto posterior estão no mar de Nárnia sendo salvos por tripulantes de um barco: O Peregrino da Alvorada.



É assim que Edmundo e Lúcia reencontram Caspian, Ripchip e vários tripulantes rumo a uma empreitada complicada: Caspian havia prometido buscar os 7 lordes exilados pelo tio Miraz na época do assassinato de seu pai e tomada do trono. O último lugar conhecido na terra de Nárnia eram as Ilhas Solitárias. Depois dali, tudo era desconhecido, ou terra incognita, termo em latim que os antigos navegadores utilizavam para marcar nos mapas as terras/áreas não conhecidas, despertando a curiosidade e também temor devido às histórias sobre monstros de toda espécie habitando os mares e raças ferozes e sanguinárias povoando as terras.





Ilha após ilha, eles enfrentam muitos perigos. Caspian sempre precisando reafirmar sua liderança, Lúcia e Edmundo sempre o apoiando, e muita magia envolvida. Admiro a riqueza desse livro, cuja leitura é deliciosa, pois ele nos apresenta mais facetas de Nárnia. Outras terras, povos curiosos como os tontópodes, o mágico Coriakin, uma mulher-estrela, seres marinhos e as ilhas, que são tão diferentes entre si que parecem te personalidade própria.


 Destaque para uma espécie de versão do mito do Rei Midas: os viajantes encontram um dos lordes, mas ao mesmo tempo descobrem a força de suas fraquezas. Há um lago cuja água transforma tudo em ouro. Até as pessoas.

Por falar em fraquezas e tentação, Eustáquio é um personagem muito mais interessante no livro que no filme, onde há menos tempo de ser trabalhado.  Aqui eu tenho as duas únicas queixas do filme: 1. Uma das partes mais interessante acontece quando ele encontra o tesouro de um dragão e as consequências disso, mas esse episódio é mostrado rapidamente no filme e eu acho que merecia um destaque maior; 2. No filme a permanência de Eustáquio na sua forma animalesca é muito maior que no livro. Achei desnecessário. Incluiu a presença dele em eventos nos quais ele não estava presente de fato. Acho que foi uma espécie de tentativa de alçar um personagem chato à condição de herói quando no livro a sua história já havia sido muito bem trabalhada.

Mais um vez achei o final bastante triste, ou melhor, melancólico. Reforço o que disse na resenha 2: Lewis me parece bastante melancólico. Ele tem uma forma doce de escrever, fala de aventuras, de sonhos, conquistas, mas sempre fica uma cicatriz. Não foi algo tão forte como senti no final de Senhor dos Anéis com a partida de Frodo para os Portos Cinzentos, mas ainda assim é como se ele dissesse, silenciosamente: as experiências deixam marcas em nós e nunca mais podemos voltar a ser quem éramos; vimos coisas demais para manter a inocência intacta.

Finda a empreitada de achar os 7 lordes, Caspian resolve ir até o fim do mundo e, quem sabe, encontrar o país de Aslam. Ripchip, sempre evocando uma espécie de profecia feita por uma ninfa, acredita que seu destino é chegar ao país de Aslam. E foi aqui que me emocionei por ter notado uma coisa que não havia captado no livro: a ida ao país de Aslam é um caminho sem volta. Pensando no teor fortemente religioso (católico) do livro e sendo Aslam a representação de Deus, então isso seria uma metáfora para a morte? Acho que sim.


Confesso que chorei na despedida deles, em especial, de Lúcia. Senti-me como ela, meio inconformada de não voltar àquelas terras. Ainda restam 2 livros e eu não faço a menor ideia do que eles tratam já que Aslam foi bem claro: os quatro Pevensie não voltariam mais à Nárnia. 

Quais aventuras Lewis ainda guarda para nós?


Se o enredo fosse no twitter poderia ser assim:  dois irmãos entediados. Um primo chato. Um navio. Uma surpresa em cada porto. Resista às tentações. A redenção: o país de Aslam.

Segue o trailler pra aguçar a curiosidade de vocês sobre o livro e o filme:





Até mais!

3 comentários:

Luana disse...

Eu adorei o filme! E o livro eh maravilhoso!

Ruiva disse...

"As Crônicas de Nárnia" é minha coleção preferida, por ter sido a primeira. Achei ótima a sua resenha, viu?
Pra mim, é difícil falar de qual dos livros gosto mais. Acho que "O Sobrinho do Mago", por falar da origem de tudo, me agrada bastante, e "A última batalha", por ser o final de tudo, me emociona horroooooooores.
"A Cadeira de Prata" é bem interessante, e acho que dará um filme legal também. Não vou falar detalhes, claro, pra não estragar sua leitura. Só digo que vale a pena.
Bjs

Ilmaralina disse...

Adoro as Crônicas de Nárnia. Principalmente pela relação direta e metafórica com as coisas de Deus. Realmente, encontrar Aslam seria uma metáfora para a morte, mas não como uma coisa ruim, seria como uma nova vida, um novo caminho a ser descoberto depois desta nossa "vida". Acho lindo também a referência que ele faz à inocência para perceber a magia. observa-se que ao passo que os meninos crescem eles não voltam mais para Nárnia. Realmente Lewis é o cara! Adorei a sua resenha, e realmente no filme fazem modificações desnecessárias no personagem de Eustáquio, mas ainda assim adorei o livro e o filme! Estou doida para que saia logo o sobrinho do mago, que tbm virará filme. Bjos flor! Seu cantinho está cada vez mais lindo!


Ilmara
www.conversadelivro.blogspot.com