06 dezembro 2011

Resenha - A cadeira de prata

Olá pessoas,

tudo bem?

Hoje é dia de resenha! (Crônicas de Nárnia precisa desencantar porque tem livro de parceria já sendo lido e resenha sendo pensada!)

O livro de hoje é o penúltimo da versão completa das Crônicas de Nárnia: "A cadeira de prata"



Essa é a capa do livro em edição individual. Encontrei a imagem no google, pois a minha é a versão completa, com a capa do leão.


Esse foi o livro que menos gostei, mas não pensem que isso quer dizer que ele é ruim. Muito ao contrário, é ótimo, mas em comparação aos cinco anteriores, achei menos empolgante, menos surpreendente, digamos assim.

A história começa nos mostrando uma cena comum em colégios: um grupo mais forte oprimindo os mais fracos. No grupo dos fracos está Jill. A jovem, tentando se livrar de tal perseguição começa uma amizade com Eustáquio. Sim, ele mesmo, o primo chato (ex-chato, né? rs) dos Pevensie. Por falar neles, aqui não há nem menção aos quatro irmãos, antigos reis e rainhas de Nárnia. Talvez tenha sido essa ausência um dos motivos da minha não empolgação, quem sabe.

Eustáquio, que agora sabe da existência de Nárnia, vê a ida para lá como uma chance de fuga dos perseguidores. Os dois são realmente são levados à Nárnia, mas não por seu desejo, como pensam, mas sim pela convocação de Aslam para que cumpram uma missão: encontrar o príncipe Rilian, o filho desaparecido do rei Caspian X, aquele mesmo das aventuras dos livros “Principe Caspian” e “A viagem do Peregrino da Alvorada”.



Muita informação, né?

Calma! 

Respirem e deixem que eu explique para  que vocês não fiquem perdidos.





No livro anterior, na saga em busca dos 7 lordes exilados, Caspian e sua tripulação chegam à ilha de Ramandu; lá, o jovem rei conhece uma moça, que na verdade é uma estrela, e fica encantado por ela.

Em “A cadeira de prata” descobrimos que ele desposou esta moça e com ela teve um filho, Rilian. Um dia, quando estavam no campo, a rainha foi picada por uma serpente e morreu. Seu filho cresceu jurando vingar-se da criatura e a perseguiu até que um dia desapareceu. Dez anos se passaram e o rei não teve notícias do filho. Já idoso e doente, resolve fazer uma último viagem rumo ao fim do mundo, em busca de Aslam e, quem sabe, respostas.

É aí que começa de fato a aventura de Jill e Eustáquio. A jovem é incubida por Aslam de gravar na memória quatro sinais que deveria reconhecer a fim de cumprir a missão, mas, apesar de toda a recomendação, ela não sabia que seria tão difícil manter-se no caminho. (Eu tentei lembrar dos quatro sinais enquanto lia....mas não deu muito certo...rs)

Apesar de não ser meu favorito, fiquei imaginando como seria transpor esse livro para a tela porque ele é bastante visual. Aqui Lewis não poupa descrições dos ambientes, das paisagens e das criaturas, como é o caso do curioso “paulama” Brejeiro, uma criatura assemelhada a um sapo em pé, que será de grande ajuda na missão de Jill e Eustáquio.



Esta seria uma representação do paulama. Achei aqui, ó: 


A trama se desenvolve no sentido da busca pelo príncipe perdido e os percalços encontrados no caminho; o alerta sempre presente nos textos de Lewis sobre não se deixar levar pelas aparências aparece aqui de modo contundente, em especial na figura da rainha do mundo subterrâneo e seu cavaleiro.



Jill, Eustáquio e Brejeiro passam por muitos apertos, entre os quais, quase virar comida de gigantes e serem mantidos escravos da magia. Vale destacar a belíssima descrição da cidade subterrânea e seu funcionamento. Na minha cabeça ficou muito clara a imagem do movimento, das rotinas, da estrutura e me fez ter mais certeza do que disse na resenha anterior: Lewis é um excelente escritor do cotidiano, de cenas corriqueiras. Isso não o diminui em nada, ao invés disso, acho que mostra a sua habilidade com as palavras e de tornar o comum, interessante.

Enquanto ia lendo, me perguntava o porquê do título “A cadeira de prata”, mas não vou contar porque senão perde a graça, né? 


Só digo que tem a ver com a serpente, o príncipe desaparecido e magia.

A conclusão da aventura traz certa dose de ansiedade e tristeza, mas vocês já sabem...Lewis é melancólico!

Pra finalizar, deixo duas passagens que destaquei:

Quando Rilian, já liberto, disse: "Amigos - disse o príncipe - , quando um homem se lança numa aventura como esta, deve dar adeus à esperança e ao medo (...)" - p. 604, imediatamente me fez lembrar que, na Divina Comédia, Dante leu uma frase muito próxima, gravada no portão do Inferno: "Lasciate ogni speranza, voi ch’entrate ou Abandonai toda esperança, vós que entrastes" - (Canto III do Inferno, 9º verso).

E aí me permitam uma pausa para um comentário: aqui em Salvador existe um museu chamado Palacete das Artes; este conta com diversas réplicas das obras de Rodin, entre elas, o portão do Inferno. Nesta obra, Rodin construiu a escultura do portão que imaginou a partir do relato de Dante sobre sua passagem pelo Inferno, guiado pelo poeta Virgílio. É, sem dúvida, uma das esculturas mais lindas que já vi. A riqueza de detalhes é uma coisa impressionante. Quem vier aqui, não esqueça de visitar!

Provando que Lewis ama um detalhe, há essa passagem:

Assoviava e às vezes cantarolava uma velha balada sobre o lendário Corin Punhos de Ferro, da Arquelândia”, p. 604.

Eu acho muito interessante dois aspectos da escrita de Lewis. A primeira se refere ao fato dele falar como se estivesse contando uma história que realmente houvesse existido; em alguns momentos ele diz que não sabe de tal coisa, ou que outra coisa pode acontecer, como se ele fosse um historiador. A segunda coisa se refere às costuras que ele faz entre as histórias. Então, nessa passagem destacada ele fala de Corin, e a gente tem que puxar pela memória. Alguém lembra de Corin? Hum? Lá, gente, em O cavalo e seu menino, o príncipe que tinha um irmão gêmeo, mas só soube disso depois, pois viveu um bom tempo na pobreza, sendo maltratado pelo pai adotivo.

Bem, é isso! Há rumores de que A cadeira de prata possa virar filme, mas até agora não temos nada de concreto. Em fevereiro, o produtor da série foi encontrado morto em seu apartamento, possivelmente por overdose de analgésicos. Com isso, o projeto fica ainda mais emperrado. Pra quem quiser mais informações sobre o mundo de Nárnia, recomendo o portal http://narnianos.com.

Agora falta apenas a resenha do último livro: "A última batalha". A Ruiva disse aqui nos comentários que esse livro é emocionante e eu mal posso esperar pra começar a ler!

Por favor, comentem e cliquem para seguir o blog.

Até mais!

2 comentários:

Millena Bezerra disse...

Excelente resenha, eu li As Crônicas de Nárnia em 7 dias [isso! uma crônica por dia] e vejo detalhes que não prestei tanta atenção.

Só uma coisinha que soou estranha lá em cima a respeito da capa, você colocou 'edição independente' e ficaria melhor 'edição individual', mas isso é muito mínimo.

Nayara disse...

Verdade, Mi, obrigada! Sabe que na hora eu tb achei estranho...mas não me veio outra palavra pra substituir. Vou mudar...rs.

Bj!