24 dezembro 2011

Resenha: Os Arquivos de Sherlock Holmes

Olá pessoas!

Essa é a resenha do primeiro livro recebido em parceria com a editora



Os Arquivos de Sherlock Holmes

Antes de falar do conteúdo propriamente dito, gostaria de comentar sobre a aparência do livro. Observei que houve uma mudança no estilo das capas feitas pela editora; um design mais elegante e condizente com os clássicos parece ter sido implementado, coisa que me agradou bastante. 

Há a referência de que o texto já está de acordo com o novo acordo ortográfico, não sendo encontrado nenhum erro e/ou falha de impressão. Apesar de ser um livro de bolso, para o que muita gente torce o nariz, ele traz orelha, com resumo da obra e informações do autor, além de ser impresso em papel de excelente qualidade. (Nota: para os aficcionados por cheiro de livro, esse é recomendado: o cheiro é ótimo! rs).

281 pags.
Coleção Clássicos de Bolso.
Autor: Sir Arthur Conan Doyle
Tradução: Casemiro Linarth
Editora: Martin Claret.


Vamos à história?

Os Arquivos de Sherlock Holmes é o ultimo livro escrito por Arthur Conan Doyle sobre o detetive; saber disso me deu um certo pesar porque Sherlock Holmes é um desses personagens tão brilhantemente construídos, que acaba por ganhar vida e separar-se de seu autor. Aliás, cabe destacar que essa é uma das “queixas” de Conan Doyle; ele se ressentia de que suas outras obras não eram levadas à sério ou pelo menos não recebiam a mesma atenção que seus escritos sobre Sherlock Holmes.


Aquele rosto pálido e de traços marcantes e aquela figura com membros desengonçados estavam ocupando uma parte desmedida da minha imaginação” (Prefácio).

Quem dera eu pudesse encontrá-lo e dizer: Querido Conan Doyle, o que você apresenta como queixa eu, em seu lugar, tomaria como a mais alta honraria. Criar um personagem literário que ganha vida, uma criatura que se desprende de seu criador, levando uma legião de fãs à seu culto é algo extraordinário, algo que poucas pessoas podem se gabar de ter feito”.

Bem, já que esse encontro não é possível, presto a minha homenagem à Conan Doyle e, porque não dizer, à Sherlock Holmes através da leitura de seus escritos, dos risos e expressões de admiração diante da narrativa construída e das observações registradas nesta resenha.

Já no Prefácio, Conan Doyle cativa o leitor, agradecendo a sua companhia e informando ser este o último relato das aventuras do mais famoso detetive da história, depois de 39 anos de aventuras.

O autor nos oferece uma leitura prazerosa, com ritmo envolvente. O leitor se entrega rapidamente, numa voracidade tal como se as palavras fossem sorvidas velozmente, rumo ao final de cada conto. Cada diálogo é tão cheio de vida, que a impressão é de que se está ouvindo uma história, muito bem contada, e não lendo.

Eu nunca havia lido nada de Sherlock Holmes, mas não foi difícil formar um retrato de sua personalidade: um homem inundado de ironia cortante, senso de humor desconcertante, solitário e de hábitos incomuns, que reconhece e admira as características de Watson e sua importância, embora à primeira vista não seja assim. Um sujeito que prima pela observação minuciosa de todos os elementos em cena, atenção extrema aos detalhes e capacidade impressionante de formar cenários. Alguém que nunca recua diante de um desafio.

Em diversas oportunidades fica claro que Holmes não se envolve nas investigações por dinheiro e/ou fama, mas sim pelo ardor do desafio, pela euforia que experimenta diante de casos complexos e aparentemente de difícil solução.

Meus honorários profissionais obedecem a uma escala fixa – respondeu Holmes friamente . – Não os modifico, a não ser quando os dispenso totalmente” p. 41.

Não é raro que ele deixe que a polícia receba as glórias ou outra pessoa qualquer; a ele basta saber ter resolvido o caso.

Obrigado, Sr. Gibson. Não creio que precise ser exaltado. O senhor talvez se surpreenda ao saber que prefiro trabalhar anonimamente e que só o problema me interessa”. P41.

Cabe a Watson registrar os casos por eles investigados e é este o material dos registros que compõem o livro. Como narradores, podemos contar com Watson, predominantemente (9 contos), além de Sherlock (2 contos) e o próprio Conan Doyle (1 conto).

Uma curiosidade: em dois dos casos, as mulheres são descritas como vindas dos trópicos, uma do Peru e outra do Brasil. Esse elemento é citado como justificativa de seu temperamento forte e passional. Dizem que elas amam como apenas as mulheres dos trópicos poderiam amar.

Como o livro é composto por 12 contos não relacionados entre si, optei por fazer um breve resumo e destacar uma citação marcante de cada um deles.

Divirtam-se!

A pedra mazarino

Quem narra a aventura é Conan Doyle, aproveitando para delinear não apenas algumas características de Holmes, mas também de Watson. O caso em questão trata-se do desaparecimento da grande pedra Mazarino, uma jóia da Coroa. Holmes é incubudo da tarefa de recupera-lo, colocando, para tanto, sua vida em risco.

Sou cérebro, Watson. O resto de mim é mero apêndice do meu cérebro. Portanto, é o cérebro que devo considerar”. p. 16.

O problema da ponte de Thor

Narrador: Watson.

Uma empregada é acusada de ter assassinado sua patroa. Na mão da morta é encontrado um bilhete que informa um encontro marcado pela empregada e no guarda roupas desta, a suposta arma do crime. Como se não bastasse, o marido da morta é descrito como um homem duro e suspeita-se de que ele venha cortejando a jovem empregada.

Suas caridades públicas servem-lhe como cortina para esconder suas maldades privadas” p.39.


O homem que andava de rastros

Narrador: Watson.

Essa é a única história desta coletânea que envolve elementos de ficção científica, possivelmente uma expressão de outra das paixões de Conan Doyle. Um cão, de uma hora para outra passa a atacar seu dono. Este, um homem sensato, apaixona-se perdidamente por uma mulher bem mais jovem e, no mesmo período, passa a agir de forma estranha, levando sua filha e seu genro a ficarem altamente preocupados com a sua sanidade.

Quando alguém tenta erguer-se acima da natureza, corre o risco de cair abaixo dela” p. 87.


O vampiro de Sussex

Narrador: Watson.

Holmes é chamado a resolver um caso que supostamente tem a participação de vampiros. Mesmo não sendo essa a sua área de expertise, ele não recusa. O caso se refere a um viúvo que se casa com uma mulher que conhece nos trópicos. Com um filho ainda bebê, esta passa a apresentar comportamento bizarro, incluindo agressões físicas ao enteado, portador de necessidades especiais e ao seu próprio filho. Tudo isso é testemunhado pela babá. O marido, desesperado, pede ajuda de Holmes para desvendar o mistério.

A nossa agência tem os pés no chão e assim deve continuar. O mundo é grande o suficiente para a nossa atividade. Não precisamos recorrer à fantasmas”. P.91.

Os três Garridebs

Narrador: Watson.

Um homem muito rico morre e deixa em seu testamento sua fortuna dividida em três partes. Uma delas seria do amigo que o destino lhe trouxera e que, curiosamente, tinha o mesmo sobrenome que ele: Garrideb. Entretanto este amigo só receberia o dinheiro caso encontrasse outros dois homens com igual sobrenome. Tudo seria apenas excentricidade, se não fosse um golpe repleto de sordidez.

Pela primeira e única vez na vida vi bater o grande coração digno do grande cérebro. Aquela revelação compensou-me de todos os meus anos de serviço humilde e desinteressado”. P. 127.


O cliente ilustre

Narrador: Watson.

Um barão sanguinário. Uma jovem cegamente apaixonada. Um pai e um amigo da família lutando por lhe abrir os olhos. A que ponto chega o ódio de uma mulher destroçada pelo amor maltratado? Holmes e Watson presenciam uma história macabra e mais uma vez vemos nosso querido detetive pondo sua vida em risco. Isso não parece lhe abalar, desde que o desafio esteja presente. Curioso notar que, neste conto, fica claro que o único mistério insolúvel para Holmes....é a mulher!

Quem sabe, Watson? O coração e a mente de uma mulher são enigmas insolúveis para o homem. Ele pode perdoar ou justificar um assassinato, e uma ofensa bem menor pode irritá-la” p. 137.

Um ódio intenso passou pelo seu rosto pálido e determinado e pelos seus olhos em chamas, como nunca um homem e raramente uma mulher podem alcançar” p.141.


Os três frontões

Narrador: Watson.

Uma velha senhora tenta de recompor após a morte do filho. Em meio ao luto, vê sua casa invadida. Sabendo não possuir nada que valesse um assalto, conta com a ajuda de Holmes para decifrar este mistério. Quem diria que um romance desastroso faria parte dessa trama?

Rabiscou três ou quatro palavras numa folha no seu caderno de anotações, dobrou-a e a passou às mãos do lacaio.
- O que escreveu, Holmes? - Perguntei.
- Simplesmente isso: Então será a polícia? Acho que ela nos receberá” p. 177.


O soldado pálido

Narrador: Holmes, já que Watson havia se afastado para casar.

Uma intensa amizade nasce entre dois jovens soldados, durante a guerra. Coube ao destino abrir um abismo entre ambos. Inconformado diante disso, um dos jovens busca reatar os velhos laços, mas se vê barrado pelo pai de seu amigo. O senhor se mostra arisco e até mesmo violento. O jovem busca a ajuda de Holmes, que, com astúcia ímpar e observação minuciosa desmonta mistério por mistério dessa história.

Não vejo mais que o senhor, mas me exercitei em prestar atenção ao que vejo” p.183.


A juba do leão

Narrador: Holmes.

Um homem corre à praia envolvido em dor alucinante, gritando por socorro, levando no corpo marcas que se assemelham à rasgos. Entre os suspeitos de sua morte está um ex desafeto, cujo comportamento estranho só aumenta as suspeitas em cima de si. Em meio às investigações, descobre-se que o homem estava prestes a se casar. E mais, que o pai e irmão da noiva não estavam nada de acordo com essa união. As várias pontas soltas parecem nem mesmo se aproximar, mas uma surpresa violenta traz nova luz.

Sou um leitor que devora tudo, com uma estranha retenção na mente de coisas insignificantes” p. 228.

O fabricante de tintas aposentado

Narrador: Watson.

Um homem traído procura a ajuda de Holmes. Sua esposa havia fugido com seu amigo de jogos e, além da traição, levaram consigo dinheiro e títulos. As pistas são vagas e os relatos homem apenas atestam a crueldade de uma mulher gananciosa e um falso amigo contra o homem de maneiras rudes, mas sem malicia. Entretanto, há muitos elementos estranhos nessa historia: caixa forte, canos de gás, um bilhete de teatro, paredes recém pintadas. Como isso tudo se encaixa?

Vamos fugir deste mundo de trabalho cansativo pela porta lateral da música” p. 237.


A inquilina de rosto coberto

Narrador: Watson.

O que fazer quando se descobre que sua inquilina misteriosa, cujo rosto é completamente deformado, lhe pede ajuda para revelar um terrível segredo?

Não há palavras para descrever a conformação de um rosto, quando o rosto já não existe mais” p.261

O velho solar de Shoscombe

Narrador: Watson.

Outrora endinheirado, um homem se vê refém de agiotas, sobrevivendo às custas da renda da irmã viúva. Sua chance de liberdade é ganhar a corrida de cavalos, mas, para isso, é preciso que ele de fato participe da corrida! Um acontecimento decisivo parece ser capaz de impedir isso, a menos que ele tome uma atitude drástica. Coragem ou sordidez: em que você apostaria suas fichas?

Holmes permanecera por algum tempo calado, meditando. Acendera o mais velho e o mais malcheiroso dos seus cachimbos” p.269.



E aí: já leram? Conhecem Sherlock? Gostam....detestam? Que tal me contar nos comentários?

Até mais!

5 comentários:

Wood disse...

Eu acho que sou a única pessoa no MUNDO que nunca leu nada sobre Sherlock Holmes haha! No máximo eu vi UM filme no cinema. Na verdade histórias policiais/grandes mistérios não me atraem, apesar de eu já ter lido algumas coisas do gênero. De qualquer forma, eu não tenho preconceito contra livros em formato de bolso. Acho GENIAL para quem quer conhecer uma obra sem precisar pagar muito e também pode ser levado para qualquer lugar sem problemas. Eu sempre leio edições de bolso e se gosto muito e faço questão, aí compro uma edição maior. Mas tenho vários da Companhia de Bolso, por exemplo, que são excelentes e nem pretendo trocá-los por outras.

Grande beijo :D

Bruno Miranda disse...

Eu nunca li nada sobre Sherlock Holmes, mas eu gosto muito desses esilo investigativo. Ainda quero ler alguma coisa do Conan Doyle. Pelo visto você gostou bastante, né?

Só imagino o cheirinho das páginas! haha Beijos,

@minha_estante - Minha Estante

Sora Seishin disse...

Oi Nayara!!
Gosto bastante dos livros e contos do Sherlock Holmes. Fiquei interessada nesse porque você comentou que tem o conto "O vampiro de Sussex" que sou louca para ler.
Adorei seu comentário sobre o cheiro do livro! Vou procurar ele na livraria e dar uma cheirada!
Beijos,
Sora - Meu Jardim de Livros

Caçadora de Livros disse...

Gostei da sua análise.
Você conta, mas não solta tudo!
Adorei!
Nossa tem a citação de uma brasileira, uhuuu ^^

Bjs ;D

Caíque Fortunato disse...

Oi, conheci o seu blog através do Twitter da editora Martin Claret e gostei muito dele. A sua resenha ficou super completa, gostei muito! li um outro livro desse autor também da editora Martin Claret: A volta de Sherlock Holmes e gostei muito, na verdade poderia dizer que até virei fã desse autor. Gostei também das frases utilizadas nesta resenha, parece ser um ótimo livro. Agora pretendo pedir ele de parceria para essa editora, pois estou curioso e ansioso para ler mais contos do famoso e ilustre Sherlock Holmes. Parabéns pelo esforço e dedicação ao escrever essa resenha de forma tão cativante e envolvente.

Abraços
Como disse acima gostei muito do blog, se incomodaria de seguir e conferir o meu? Lá tem a resenha do livro A Volta de Sherlock Holmes, ficaria feliz se comentasse.

Um grande abraço, a partir de agora vc vai me ver muito aqui.

Caíque Fortunato
http://entrepaginasdelivros.blogspot.com/