Olá pessoas!
A resenha de hoje é de um livro que eu queria ler há muito tempo, mas ficava sempre adiando, sabe-se lá porque. Ele chegou às minhas mãos do mesmo modo que o livro da Anne Rice que citei no post anterior: havia frete de uns 8 reais...o livro custava 13 reais. Veio o livro.
Mas, espera um pouco, vocês notaram que eu disse que o livro custou 13 reais? Sim, custou. E porque eu me surpreendi? Pela beleza encantadora da edição!
Da editora Zahar eu só conhecia os livros técnicos, aliás, conheci muitos deles na faculdade e, apesar da qualidade das edições, nunca houve nada que chamasse a minha atenção. Entretanto, um dia, perambulando por uma livraria (oh atividade sacrificante, viu! rs) me deparei com uma coisa linda: a edição de capa dura com ilustrações originais do livro As Aventuras de Alice no País das Maravilhas/ Através do espelho. Fiquei encantada: a capa é amarela com uma ilustração colorida, a contracapa tem aquele estilo mais antigo de livros de capa dura é e roxa!
O contraste ficou de uma beleza ímpar:
Além disso, as folhas são amareladas, o que contribui para evitar o cansaço visual, a letra é de bom tamanho, assim como é ideal o tamanho do livro: pocket. Há várias ilustrações ao decorrer da obra e confesso que amei, não só porque são imagens do ilustrador original (John Tenniel), que trabalhou com Carroll na época, como porque As Crônicas de Nárnia me deixou um pouco viciada...eu fico babando nos detalhes do desenhos e fica ainda melhor imaginar as cenas.
Não notei nenhum erro na impressão, ou nenhuma outra falha; a revisão da Zahar foi realmente primorosa. A minha única queixa (que, na verdade, nem é uma queixa!) é que o livro é tão lindo, tão bem feito e tem o formato brochura com capa dura, que às vezes dá receio de abri-lo um pouco mais e danificá-lo. Também não consegui/tive coragem de escrever nas bordas como sempre faço...rs.
Não sei se é do conhecimento de todos, mas a história de Alice foi escrita por Carroll, inicialmente para entreter três crianças durante uma viagem, em 1862 e depois, na versão que conhecemos hoje, como um presente para Alice Lidell (uma das três crianças da viagem), publicado em 1865. E eu fiquei pensando muito nisso enquanto lia, tentando imaginar como deve ter sido tanto para ela, ler, quanto para ele escrever. Carroll elevado o termo “surreal” à máxima potência. Em algumas partes eu ria, não porque a cena fosse engraçada de fato, mas porque os acontecimentos eram tão absurdos que eu só conseguia pensar: também quero o que Carroll fumou quando escreveu isso! rs.
A minha versão é composta pelos dois livros, que são uma espécie de continuação e, sinceramente, se não estivessem separados, eu nem mesmo notaria. As Aventuras de Alice no País das Maravilhas começa com Alice seguindo um coelho branco, que passa apressado, e caindo em um buraco da toca desse coelho. A partir daí ela vai vivenciar as mais estranha e imprevisíveis aventuras e conhecer as mais inusitadas criaturas, como a lagarta, o Chapeleiro louco, Bill o lagarto, a lebre de março e tantos outros. Em Através do Espelho, Alice se vê novamente em um mundo mágico, mas, desta vez com outros personagens, não menos improváveis. A história segue a sequência de um jogo de xadrez, como se suas vidas e ações estivessem (ou será que estavam de fato?!) sendo desempenhadas em um tabuleiro gigante.
O caráter surreal é o mesmo nos dois livros e eu achei fantástico que a última frase do segundo livro seja uma pergunta...uma pergunta que faz você repensar o livro todo. Aliás, essa pergunta, que contém em si mesma a resposta, não da autoria, mas do que aconteceu (não posso falar mais claramente porque aí será um spoiler gigante!) Me fez entender a surrealidade dos personagens e acontecimentos.
Chamou minha atenção a frequente afirmação do pouco conhecimento de Alice, embora seja perceptível a sua sagacidade, aos 7 anos e meio. Fiquei me perguntando sobre o porque disso: seria isso uma representação e, ao mesmo tempo, uma crítica, da visão que normalmente temos das crianças, como seres ainda em formação e que sempre sabem menos que nós, adultos conscientes e equilibrados?
Enfim, As Aventuras de Alice no País das Maravilhas/ Através do espelho são livros aparentemente leves, de rápida leitura, mas que exigem do leitor muito mais do que aparentam: solicitam, o tempo todo, total desprendimento da lógica que normalmente rege nosso dia a dia, quando, por exemplo, Carroll promove a subversão da noção de espaço/tempo; os seres correm para continuar no mesmo lugar e correm ainda mais para ir de um lugar à outro.
Sob a de leveza, me pareceram-me livros densos, enigmas cheios de referências escondidas. Carroll cita muitos detalhes, insere muitos elementos que parecem não ter muito sentido de existir, mas certamente não estão lá por acaso. Acho que é um livro para se ler algumas vezes, porque certamente se descobrirá muita coisa!
Ficha técnica:
Nome do livro: As Aventuras de Alice no País das Maravilhas/ Através do espelho
Autor: Lewis Carrol
Tradução: Maria Luiza X. de A. Borges (* Tradução vencedora do prêmio JABUTI)
Editora: Zahar
Ano de publicação desta edição: 2010
Ano de publicação original: 1865




