27 janeiro 2012

Resenha: Último round - Tomo I

Olá pessoas!

A resenha de hoje é sobre o livro Último round - Tomo I, do escritor Julio Cortázar.


Como conheci o autor:


Através de uma disciplina na minha segunda graduação (Comunicação Social com habilitação em Relações Públicas), relacionada à produção de textos. Li um trechinho de “História de cronópios e fama” e fiquei tão encantada que saí catando tudo dele; a forma intensa, o caráter fantástico (no sentido de uma escrita fantasiosa, permeada de elementos inusitados, mas completamente verossímeis), tudo em Cortázar me conquistou.

Se vocês derem uma olhada na resenha do filme O preço do amanhã, tem citação de texto dele! 

Desse modo, ao ver uma promoção desse livro, não resisti. Comprei. Tenho outro esperando na fila, mas ainda vai demorar a ser lido.

Cortázar nasceu em Bruxelas, em 1914; passou a infância e juventude no país de seus pais, a Argentina, indo morar depois na França, por mais de 30 anos. Morreu em Paris em fevereiro de 1984.

A edição:

O livro foi publicado pela editora Civilização Brasileira, que, por sua vez, foi bastante cuidadosa: não identifiquei erros de digitação e/ou concordância, nem defeitos de impressão. Observei variação no tipo e tamanho das fontes, mas isso tem a ver com o estilo da publicação, ou seja, uma colagem. Achei curioso e interessante o formato do livro parece um daqueles almanaques dos anos 80 onde se encontrava de tudo um pouco.


O livro:

Último round – Tomo I é uma colagem de citações, publicações em jornal, poesias, contos e quando se começa a ler, parece um emaranhado de coisas que foram reunidas pra formar um livro. Depois de um tempo você se acostuma e fica ansioso pela surpresa que virá na próxima página! Assim como os formatos da escrita, os temas também são os mais variados, indo desde a narração de uma luta de boxe, à frases escritas nas paredes da Sorbonne ou nas ruas de Paris, referências ao movimento estudantil de Maio de 68 até descrições de conversas com seus amigos.


Não sou muito afeita à poesia e, neste caso, nem as de Cortázar me emocionaram. Acho que é um gênero de escrita que não me toca. Quanto aos textos de jornal, estes mostram a qualidade do escritor, mas fiquei fascinada mesmo por seus contos, em especial por três deles:

- As testemunhas, onde Cortázar narra uma situação absurda, como toda a veracidade possível, fazendo o leitor tomar como natural o acontecimento:

Quando contei a Polanco que na minha casa havia uma mosca que voava de costas, seguiu-se um desses silêncios que parecem buracos no grande queijo do ar (...) expliquei-lhe detalhadamente que tinha descoberto a mosca na página 231 de Oliver Twist, ou seja, que estava no meu quarto lendo Oliver Twist (...). pg. 42.


- Turismo Aconselhável, onde descreve sua chegada à Calcutá e a visita à Howrath Station:


“(...) eles moram na praça, são a população da praça, moram e dormem e comem e adoecem e morrem na praça, debaixo desse céu indiferente, sem uma só nuvem, embaixo desse tempo em que não há futuro porque a esperança não cabe”. P. 138

“(...) é um inferno onde os condenados não pecaram nem sequer sabem que estão no inferno, estão ali desde sempre se renovando”. P.144.


- e País chamado Alechinsky, um texto narrado sob a ótica de formigas (isso mesmo, formigas!) e suas aventuras noturnas:


“Talvez seja tempo de explicar porque renunciamos durante longas horas, às vezes durante uma noite inteira, à nossa fatalidade de formigueiro faminto, às intermináveis fileiras indo e vindo com pedacinhos de grama, fragmentos de pão, insetos mortos, porque há muito tempo esperamos ansiosas que a sombra caia sobre os museus, as galerias e os ateliês para abandonar as tarefas do fastio e subir até os recintos onde os jogos estão à nossa espera, entrar nos polidos palácios retangulares que se abrem para as festas”. P. 158/159.


Além disso, o livro é recheado de desenhos e fotos, tiradas por seus amigos e pelo próprio autor, provando que o seu talento não se resume à escrita. Li os textos de Último round - Tomo I na sequência que a edição apresenta, mas, acredito que este seja um daqueles livros que o leitor pode abrir em qualquer parte e começar a ler, já que os textos são completamente independentes. 

Leitura altamente recomendada!



Ficha técnica:

Livro: Último round – Tomo I.
Autor: Julio Cortázar.
Tradução: Ari Roitman e Paulina Wacht.
Editora: Civilização Brasileira.
Ano: 2008.

6 comentários:

Eloo disse...

Bem legal o modo que você disse sobre o livro e o autor, de certa forma me deixou curiosa.. rsrsr

Beijos,
http://naminhaestanteliivros.blogspot.com/

Paati' disse...

Adorei a resenha, o livro parece ser interessante. Já que tem poesia no meio, eu acho que gostaria desse livro.

Beijos, Paati'
http://livros-resenhados.blogspot.com/

Bruno Miranda disse...

Não faz meu estilo, aliás eu nem conhecia o livro. Mas sem dúvidas o autor deve ser muito talentoso!

Primeira vez que entro com o layout novo, ficou bem melhor! :D

Beijos.

@minha_estante - Minha Estante

Marli Carmen disse...

Acredito que eu adoraria o livro!! Gostei do que vc escreveu!!! Beijinhos e bom final de domingo para vc!

http://amazoniaumcaminhoparaosonho.blogspot.com/

Adriana Souza disse...

Olá, td bem? Achei o seu blog super perfeito, já estou te seguindo. Acabei de abrir um blog literário e gostaria de ter a honra de vc como seguidor do meu! Obrigadaaa e sucesso! Beeeijos!
Adriana Souza
http://umbestsellerchamardemeu.blogspot.com

Daiane disse...

Que legal!! Eu gosto de poesia :)
Fiquei curiosa para ler!
Ainda não conhecia esse livro, mas deve ser mto bom!!
Bjs
Daiane
nouniversodaliteratura.blogspot.com