06 fevereiro 2012

Resenha - Noites Brancas (Dostoiévski)

Olá pessoas!

Gostaria de agradecer a todos que comentaram na resenha anterior, de Príncipe Sombrio.


Hoje teremos resenha do livro Noites Brancas, do escritor russo Fiódor Dostoiévski.


Como eu conheci o autor:

Eu não lembro. É, simples assim, não lembro a primeira vez que ouvi sobre ele. Sei apenas que é um nome que sempre me rondou, em citações, matérias, comentários, livros pelo caminho. Até um dia em que, fazendo uma arrumação no quartinho da bagunça, encontrei uma caixa de livros antigos, daqueles de coleções de revista. Entre várias coisas desinteressantes havia Noites Brancas, numa versão bem tosca lançada pela extinta revista Minha e apoiada pela rede, que ainda se chamava, Bandeirantes.


A edição:


Como eu disse, minha edição é bem tosca. Um livro de 92 páginas que afirma conter o texto completo. As páginas são grosseiras e o tempo as coloriu de marrom. O cheiro é péssimo....rs. Não fosse:

Dostoiévski;

- o livro pequeno;

- a minha dificuldade de encontrar um livro cujo personagem tivesse o nome com a mesma inicial que a minha (exigência do Desafio Realmente Desafiante para o mês de Fevereiro! Tem banner aqui do lado, cliquem!)


...eu aguardaria a compra da minha edição da Editora 34, traduzida diretamente do russo.

Essa, ó:




O livro:

O livro conta a história de um homem que vaga pelas ruas de São Petersburgo, imerso na sensação de abandono que lhe consome. Em uma noite ele encontra uma jovem numa ponte; Nastenka, que vive com a avó cega e cuja vida também é vazia, não por sua escolha, mas porque, devido a um acontecimento, passa a viver numa condição inusitada, unida à avó pela barra da saia.

O encontro daquela noite, e das que se seguiram, mudaria suas vidas. Conhecemos a história do “sonhador” (e o autor dá uma descrição de sonhador que é de chorar de linda!) e a história de “Nastenka”; descobrimos a intensa batalha travada entre a vida real vazia e seu oposto: uma rica e fulgurante vida imaginativa.

Eu encaro Noites Brancas como uma discussão sobre o quanto as pessoas podem se esconder atrás dos sonhos, para evitar o sofrimento (e assim acabam sofrendo ainda mais) e como outras simplesmente ousam se lançar a esse risco. É essa dinâmica que vejo o tempo todo no livro: os substitutos que escolhemos para suportar a existência.

“E começamos a ler Walter Scott; ao cabo de um mês, já tínhamos lido quase metade dos livros emprestados. Depois, ele emprestou outros e outros ainda, emprestou Pushkin, de tal modo que por fim eu já não podia viver sem livros e deixei de sonhar em casa com um príncipe chinês”. 
P. 49.


Noites Brancas é um livro de detalhes. Os cenários são personagens para Dostoiévski. Ele nota seus detalhes e lhes descreve atribuindo voz e história às casas, ruas, lugares de sua amada cidade. Ele tem requinte na forma de falar dos personagens, dos seus sentimentos, das suas histórias banais, mas ao mesmo tempo complexas. Ele insiste em nos lembrar das prisões que guardamos dentro de nós mesmos. 

Isso me lembra imediatamente Percy, um personagem da série de TV Nikita:

- “Já leu Dostoiévski, Alex? Tolstói? Os russos sabem falar de sofrimento”.

Sabem mesmo.


Noites Brancas é Dostoiévski, portanto, para mim, representa uma leitura arrastada, bem no clima cinzento e de atmosfera pesada de sua terra, mas com um fator atrativo tão grande que eu simplesmente não consigo abandonar. Sempre saio séria das leituras dele, não como quem fica triste ou acabrunhada, mas séria como quem pensa: de onde esse homem tirava essas coisas? Como ele podia pegar um acontecimento trivial, uma história que, possivelmente nas mãos de qualquer outro nada seria e fazer ISSO?!. 

As histórias de Dostoiévski não têm elementos de fantasia, não têm aventuras desmedidas, não são investigativas no sentido comum do termo. O que li até hoje são histórias sobre o homem comum e sua extraordinária vida interior.


“Essa vida é uma mistura de algo de puramente fantástico, de encarniçadamente idealista e, simultaneamente – ai de mim, Nastenka -, de grosseiramente prosaico e comum, para já não dizer de insolitamente vulgar”. p. 27.


Dostoiévski não é fácil, mas vale cada parada para suspirar e se perguntar se irá adiante.


Ficha técnica:

Livro: Noites Brancas.
Autora: Fiódor Dostoievski.
Tradução: Carlos Loures.
Editora: América do Sul.
Ano: 1988.

2 comentários:

Anônimo disse...

Muito bom! *-*

João Lucas Rocha disse...

Parabéns pela ótima resenha ! Por favor, continue ! Abraços