20 fevereiro 2012

Resenha - O homem que confundiu sua mulher com um chapéu

Olá pessoas!

Hoje é dia de resenha de livro, mas há uma novidade: a resenha de hoje não é minha!

Eu amo ler. E amo ter amigos que também amem ler. Depois de presenciar, em inúmeras ocasiões, uma amiga tecer os melhores comentários sobre Oliver Sacks, banquei a cara de pau e disse: quer escrever uma resenha para o Dignidade? Ela topou e eis aqui o resultado disso!





"O homem que confundiu sua mulher com um chapéu"


Literalmente.





Caminhar entre estantes cheias de livros em uma biblioteca é sempre uma prazerosa aventura para quem gosta de ler. Foi em um desde passeios que descobri Oliver Sacks. O diferente título de um de seus livros chamou-me a atenção. Entre tantos livros sobre saúde e seus nomes sempre objetivos aquele era diferente. E ele não era fruto apenas de um editor e autor criativos tendo como base o marketing, mas de um caso real, como viria a descobrir depois.  Qual o título do livro? O homem que confundiu sua mulher com um chapéu.


Sacks é psiquiatra e professor de psiquiatria e neurologia na Columbia University. Cada capítulo deste livro traz o caso de diferentes pacientes dele. Comecei a ler os relatos médicos ali mesmo, em pé entre as estantes, e como vi que não conseguiria parar resolvi pegar emprestado. O encantador na forma como ele escreve é que ele vai além da descrição técnica dos casos psiquiátrico-neurológicos (por isso o livro estava na seção de saúde). 

Leigos, como eu, não sentem-se perdidos na leitura, pois Sacks vai construindo os capítulos relacionando psicologia, biologia, sociologia e artes de modo longe de ser enfadonho ou rebuscado. E por isso é tão bom. Mesmo não sendo médico, estudante da área ou professor em qualquer nível você encontrará algo que te fará ver as coisas de um modo diferente, mais abrangente. Além disso, os temas abordados são, a meu ver, universalmente fascinantes. 







Como não se encantar com a precisão e fragilidade do cérebro humano que se evidenciam nas disfunções? Além do paciente que ao tentar pegar seu chapéu puxou a cabeça da esposa, temos o caso da mulher desencarnada que é um exemplo de pessoa que perdeu a propriopercepção, ou seja, a percepção de si mesma, do seu corpo, e por isso ela se sente como se “tivesse desencarnado”; entre outros.



Sacks atende seus pacientes, dá aulas e ainda encontra tempo para escrever muitos outros livros. Um deles, Tempo de despertar, inspirou um filme homônimo que foi indicado a três Oscars em 1990. Além de O homem que confundiu sua mulher com um chapéu, li O olhar da mente, Um antropólogo em Marte e Vendo Vozes. Além do primeiro, recomendo bastante Vendo vozes. Não que os outros sejam ruins, mas é que após a leitura dele, você nunca mais verá a linguagem e a educação especial, mais especificamente para deficientes auditivos, da mesma forma. 


Com base nele, defendo de forma mais segura a minha posição a respeito da manutenção das escolas com foco na educação de crianças com necessidades especiais. Mas só este livro e este tema dariam margem para outro post. E eu só estou aqui de visita :)


Comprei um exemplar de Alucinações musicais e estou muito ansiosa pela sua chegada via correios. Agora consigo dimensionar a felicidade de minha amiga Nay ao ver o carro do Sedex  kkk. Espero que ele seja tão bom quanto os outros e quem sabe eu volte para fazer uma resenha de verdade.


Ficha Técnica:


Livro: O homem que confundiu sua mulher com um chapéu
Autor: Oliver Sacks
Editora: Companhia da Letras


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Bom, deixa eu apresentar a autora da resenha. Eu poderia apenas dizer que Viviane Neves é minha amiga, uma integrante do "combo", como eu e mais duas amigos nos chamamos (qualquer dia eu conto essa história...rs), mas apenas esta afirmação não traria peso suficiente para sua apresentação, não é? 

Então, deixa eu falar da parte séria e respeitável. Viviane é bióloga, trabalha em um projeto ambiental, acaba de inciar seu mestrado, faz aulas de alemão e dança do ventre. Bem, isso é o que eu sei, desde a última atuaização, porque a cada dia descobrimos mais atividades na sua agitada agenda. Desconfio que seus dias têm mais de 24 horas, embora ela jure que não é assim.

Oi Vivi, muito obrigada pela sua colaboração. Não sei dos meus leitores, mas eu gostei muito da resenha e fiquei de fato interessada nos livros. Você não é colunista do blog, mas eu acalento as minhas esperanças de que um dia seja! :)


Beijos a todos...até mais! ;)