09 abril 2012

Eu leio Clássicos sim...e daí?

Olá pessoas!


A pergunta no título pode parecer agressiva, mas, como vocês sabem que quantidades infinitas de fofura moram em mim, rapidamente farão esta impressão sumir e prestarão atenção na explicação que se segue.

Hoje é segunda, dia de resenha e o livro de hoje é...


Ops...

Hoje SERIA dia de publicar resenha, mas isso não vai acontecer. Eu ainda não acabei de ler o livro!

Vamos entender a situação: para vocês terem ideia, costumo ler um livro de 400 pags em 3 dias. Acontece que estou há mais de 20 dias com o livro Clássicos de Terror da editora Martin Claret, que compreende 3 obras (Frankenstein, O médico e o monstro e Drácula) e eu ainda vou começar a terceira, que corresponde à segunda metade do livro.

Porque isso aconteceu?

Teria eu entrado na ressaca literária? 

Teria eu assumido outras tarefas que me roubaram o tempo de leitura? 

Teria eu achado as obras ruins?

Nada disso! A explicação é muito mais simples: são clássicos. E eles exigem uma forma de leitura toda especial, pelo menos, para mim.


Eu não leio um clássico em meio às pessoas conversando. 

Eu não leio um clássico no ônibus (ok, eu não leio nada no ônibus e nem é por causa do lance do descolamento de retina, mas porque eu fico enjoada, grogue grogue e, entre o desejo de ler e a iminência de revelar o conteúdo do meu estômago ao mundo...eu me contenho). 

Eu não leio um clássico no salão. 

Eu não leio um clássico nos intervalos da novela.



E daí vem a pergunta: se pra mim é tão “complicado” ler um livro assim...

...porque você insiste em ler os clássicos?

Todas as vezes em que falo nesse assunto, lembro da Millena Bezerra e seu lindo blog Amor por Clássico; queria que ela tivesse uma conta no twitter só pra gente poder debater todas as dificuldades e prazeres relacionados à leitura de um clássico.

Eu gosto muito da minha parceria com a editora Martin Claret exatamente porque ela me dá a oportunidade de ter contato com obras que, a despeito de terem sido escritas há 100, 200, 300 anos, permanecem atuais (em linhas gerais), instigantes, sendo impossível não reverenciar as mentes brilhantes que as produziram.

Essas obras não atravessaram as dobras do tempo, em plena forma, à toa. Quando nos lançamos à elas, buscando descobrir seus mistérios, eles também nos pedem algo em troca. Na verdade, nos exigem, nos cobram, nos convocam total atenção e entrega sob pena de não captar a sua essência responsável pela mística preservação.

Eu não quero aqui falar sobre “boa literatura” x “má literatura”; acho que essa é uma discussão que deve ser feita com muita cautela e o mínimo de preconceito exatamente por estar em um campo que deve prezar mais a liberdade de escolha, a variedade de identificações com esse ou aquele enredo e, em especial, o encontro único que ocorre entre leitor e literatura.

Quero apenas falar da minha experiência como leitora e conhecer as impressões de vocês.

Quais são seus gêneros favoritos? Quais são seus hábitos de leitura? Quais são as suas dificuldades enquanto leitores? Quais são os livros que os desafiam?


Eu gosto de pensar na leitura enquanto exercício e, para tanto, não posso me furtar de pensar no tipo de leitores que somos e que tipo de leitura estamos fazendo. Em que medida não estamos sendo engolidos pelo fenômeno da ansiedade de informação e nos rendendo apenas ao fast reading, ou seja, a essa “nova” cultura de leitura mais rápida, com um livro sobrepondo o outro num frenesi que, muitas vezes, não nos permite nem mesmo fixar direito o nome dos personagens e/ou as nuances da história? 


Algumas vezes eu quero ler coisas leves, fugazes, que me arranquem o riso fácil ou um suspiro profundo, mas eu também que ser desafiada pelas ideias do autor, quero que ele me convide a dançar no seu ritmo e me surpreenda, me teste, me derrube (porque não?) e me ofereça sua mão para levantar.

Frankestein nasceu de uma aposta.

O médico e o monstro nasceu de um pesadelo.

Drácula eu ainda não sei, mas, em breve nós saberemos e teremos muito para conversar.


Até mais!

8 comentários:

Juliana disse...

Oie!

Eu tenho vontade de ler clássicos, só acho que me falta coragem .-. hahaha

Como você disse, eles requerem uma atenção toda especial, e daí ´`as vezes fica difícil - e eu ainda prefiro uma leitura mais contemporânea :/

Mas acho que foi a escola que me traumatizou hahaha

Adorei o post! :D

BEijoooo!

Ju
julianagiacobelli.com

Maira Neves disse...

Nay, sempre senti essa sensação em alguns livros, uma leitura mais pesada, mais densa. Acho que tudo é culpa das linhas narrativas. Alguns livros tem muitas linhas narrativas e por isso são muito mais densos. Por exemplo, Alice, numa leitura rápida é só uma menina que caiu num buraco, mais ele tem infinitas linhas narrativas, cada diálogo tem vários desdobramentos de significados. Tem muitos livros infantis que possuem essa caracteristica, mas parece que isso quase desaparece dos YA (que, geralmente, tem só uma linha - a da própria história) e isso, na minha opinião, deixa a coisa toda mais pobre. Já leu "Desventuras em série"? É incrível e é pra crianças, mas estou adorando, enfim...tô divagando.
Bjs

Sora Seishin disse...

Oi!!
Ei, ficou muito legal esse post :)
Eu já li Frankenstein e O médico e o monstro, ambos são excelentes. O Drácula está na minha lista.
Acho que os clássicos precisam de uma maior atenção na leitura, por isso a gente demorar um pouco mais para ler. Mas não se preocupe que isso não é tempo perdido, muito pelo contrário, pois você está enriquecendo seu conhecimento ;)
Eu comecei a ler um livro de mil páginas no fim de semana, também vou ficar muuuuitos dias com o mesmo livro.

Beijos,
Sora - Meu Jardim de Livros

Melissa disse...

Bom, devo admitir que adoro clássicos, porque como você disse são leituras desafiadoras e complexas. A minha impressão sempre é que há muito mais do que aquilo que o texto aparenta e acredito que são poucos autores que conseguem enredar bem uma história, contar coisas além de um texto aparente, por isso esses são chamados de clássicos. Livros que lemos hoje podem ter essas mesmas características mas só o tempo dirá se tornarão ícones da literatura daqui a alguns anos. Grande parte do que dizemos que é leitura difícil se deve ao fato de que falamos de livros escritos em outras épocas, onde a linguagem culta e formal era sinal de um texto bem escrito, o que não ocorre hoje, podemos ter bons textos sem usarmos termos de 1800!! Acho que a linguagem simples incentiva o grande público o hábito da leitura de mais livros, o que é excelente, mas igualmente importante se torna a leitura de clássicos não só porque são "clássicos" (e sentir quase uma obrigação de lê-los) mas também por trazer um novo mundo de linguagem para nós. A diversidade traz o enriquecimento da nossa cultura literária e linguística, por isso é importante ler, como diz minha mãe, ler até placa de caminhão !
PS: Eu amo Frankenstein - ansiosa pela resenha!!!!

Tatinda disse...

Você está certíssima em ler em seu tempo. Acredito que cada livro deva ser lido num tempo diferente, com visões específicas. Um chick lit leve ou juvenil simples é lido num só dia. Mas uma Fantasia Histórica que nos obriga a estudar história para avaliá-la, Uma Sci-Fi complexa que nos confunde, um clássico rebuscado com outro linguajar, um livro grosso, levam mais tempo. Depende também de nosso momento psicológico, tempo disponível. Antes de tratarmos nosso cérebro feito máquina e correr para resenhar um livro, devemos curtir a leitura, observar bastante as entrelinhas, nos adequar à época em que o livro foi escrito e quem sabe até pesquisar? Sem ter preconceito, acho que quem só resenha juvenil e chick lit, livros muito fáceis de serem lidos, digeridos e resenhados deveria de vez em quando sair do seu lugar comum e se arriscar em outros campos, nem que para isso a leitura demore bem mais. Vc está certíssima e não ligue para o tempo que leva para ler a obra e resenha-la. Ou melhor as obras, são três clássicos!!! Queria muito ler os trÊs, vc está de parabéns na escolha. Eu li O Corcunda de Notredame sem ser adapatado,e amei, mas demorou um pouco. Beijos

Wood disse...

Sou suspeita para falar de clássicos :) Até fiz um post explicando para as pessoas porque eu lia clássicos e porque meu blog abordava clássicos e tudo mais. Para mim, lê-los já se tornou parte do dia-a-dia, eu leio na fila do ônibus, leio esperando para entrar em algum lugar...acabou que eles entram, sem qualquer distinção, no meu conceito de literatura, nas coisas com as quais eu sei que vou aprender e tudo mais. Sempre gostei de coisas antigas, sempre gostei de coisas "complexas" (porque veja bem, parece complexo porque não está no mesmo contexto histórico-social ao qual nós pertencemos), e acabei percebendo que esse é o tipo de leitura que mais me atrai. Eu poderia passar anos falando sobre diversos motivos que me fazem gostar de lê-los, mas eu só digo que: te entendo. Eu conheço pessoas que demoram para ler mesmo livros que nós "devoramos" com facilidade, e tem gente que lê clássicos com rapidez - eu já fiz algumas peripécias, como ler O Conde de Monte Cristo em 2 meses, sendo que era uma tradução do francês para o inglês - e acredito QUE, não importa o tipo de leitura, seja com algum direcionamento de aprendizado, ou só por distração, ela sempre merece a nossa total atenção, e cada um tem utiliza o seu tempo como quer/precisa/é necessário \o/

Dos seus clássicos citados, li "O Médico e o Monstro", apenas ;) Vamos esperar o seu "parecer"! hahaha

Beijinho!

Millena Bezerra disse...

Nay, este post dá margem para diversas reflexões, por exemplo, eu também não leio em ônibus porque depois fico com dor de cabeça, enjoada. Nem leio quando tem alguém do meu lado incomodando, não leio "para dormir" - livro para mim não é remédio contra insônia... entre outros.

Fico indignada quando por aí vejo blogueiras dizendo que não gostam destes livros velhos ou que dizem que a literatura brasileira está melhorando, dá vontade de comentar "sua fdp, você já leu Dom Casmurro?" fico logo revoltada mesmo.

Claro, nem todo clássico é bom, tem livro que é chato pra caramba, mas, como você disse, não foi a toa que eles atravessaram séculos.

Demooooro para ler clássicos, as vezes estou super envolvida na história, mas demoro 7 dias para ler 150 páginas comassim?? eu sou daquele tipinho que ainda procura no dicionário o que não entende, que lê e relê as passagens que gosta, que lê o mesmo parágrafo mil vezes até que cada palavrinha tenha sido compreendida...

Ah, amo clássicos.
Obrigada por ter me citado.
Beijos!

Lorena Rocco disse...

Eu também não leio no ônibus. Fico Grogue!

Adoro a Martin Claret pelo mesmo motivo. E acho que lê um Classico exige quase um 'estado de espirito'.

Tenho alguns acumulados em minha estante e não leio porque já fico atolada de coisas da Faculdade e quando tenho tempo, quero uma leitura mais leve.

Costumo ler clássicos quando estou na Fazendo (muito silencio!) e durante as férias. Salvo muitas exceções.

Concordo em número, gênero e grau!!

=*
PS: Tem sorteio lá no Blog.