14 maio 2012

Resenha A casa do bosque

Olá pessoas!

Hoje é dia de resenha (amém! Já não era sem tempo!*) e o livro que quero apresentar é "A casa do bosque", enviado pela editora parceira Petit.
O livro segue o gênero espírita, base das editoras parceiras que o enviaram. Vale ressaltar que, como é comum nos romances espíritas, a obra é psicografada por alguém e ditada por um espírito.

É  primeiro livro espírita que leio e esta escolha se deve ao fato de acreditar na doutrina espírita e o  desejo de conhecer melhor esse tipo de literatura. Aliás, essa leitura e, consequentemente, essa resenha representa o início de um desafio para mim, enquanto leitora. Uma oportunidade de me desvencilhar de certos preconceitos, afinal, para opinar melhor e saber, de fato, do que gosto, não gosto, preciso experimentar, não é mesmo? 

*momento do comentário em noção: sempre que uso esse argumento, penso que ele não vale para tudo....tudo mesmo, mas, enfim, vocês entenderam a essência da minha ideia*


Como conheci a autora:

Visitando o site das editoras parceiras. Na verdade, interessei-me pela sinopse do livro, mais que pela biografia da autora (no caso, da médium que psicografou), mas sei que ela é bem conceituada no universo da literatura espírita.

A edição:

O trabalho realizado pela editora Petit está impecável: papel de excelente qualidade, folhas, embora brancas, não cansam a visão, pois as letras são de bom tamanho e com espaçamento duplo, diagramação cuidadosa com decoração nas aberturas de capítulo, sem falar na capa, que considero muito bonita, inclusive com parte em alto relevo e aplicação de verniz. A revisão também foi precisa e não há erros gramaticais e/ou de digitação/impressão.


O livro: 

A história trata de Leandro, um rapaz que, numa tentativa de fuga de uma situação perigosa em sua vida, aceita a tarefa de ir até uma fazenda encontrar determinados documentos. Em sua jornada, ele percebe que a fazenda e seus moradores guardam muitos segredos e vai mergulhando cada vez mais nesse mistérios, como nunca ousou imaginar. Quem diria que um trabalho, relativamente simples, mudaria o rumo de sua vida e de muitos outros?

Eu analiso esse livro de duas maneiras:

1. Para quem compartilha a doutrina espírita;
2. Para quem é leigo e apenas o encara como mais uma obra literária.

No primeiro caso, percebo que há uma série de conceitos, explicações, experiências e reflexões que se tornam interessantes com o decorrer da leitura exatamente porque reverberam em outros conteúdos que o leitor já possui. É como se você fosse ampliando seus conhecimentos à medida em que certas coisas fazem mais sentido. É inegável o caráter, de certa forma, doutrinário, como se a obra tivesse como objetivo, muito mais do que a história em si, um intuito de ensinar alguns conceitos básicos e estimular o estudo mais avançado. Já para quem não sabe e não quer saber do espiritismo, acredito que o livro posso parecer um pouco lento, arrastado e escrito em um tom professoral que incomoda (pelo menos a mim, quando isso ocorre).

Entretanto, para os dois públicos, acho que algo permanece constante: há excessiva explicação dos acontecimentos. Para mim, é preciso haver uma dosagem sutil do quanto é explicado e do quanto precisa ficar por conta do leitor (suas experiências, memórias, nível de compreensão, links que forma etc). Quando um texto me dá tudo mastigado, explicado, dissecado, eu costumo ficar irritada porque sinto como se o autor me direcionasse, sabe, me impusesse a sua forma de compreensão/interpretação.

Literatura é polifonia. Isso para mim é capital, cabal e inegociável. Ler um texto é dialogar com ele, entender as palavras do autor depois que elas passam pelo meu filtro particular; particularidade essa não apenas porque é minha, mas, inclusive, porque é diferente em cada momento de vida em que eu ler aquele mesmo texto.

Considero a história de A casa do bosque relativamente bem construída: tem início, meio e fim, não se trai, não deixa, em sentido negativo, pontas soltas. Entretanto, creio que os diversos personagens poderiam ter sido explorados de uma forma melhor, ficariam mais ricos, mais complexos emocionalmente. O livro segue uma linearidade pacata, sem becos, vielas, ladeiras...é uma longa e uniforme estrada sem buracos. Para uns isso será ótimo, para outros, nem tanto.

Por estar mais familiarizada com literatura espírita do que eu, ofereci o livro a minha mãe a fim de saber sua opinião. Ela gostou, embora também o tenha considerado um pouco morno, sem clímax ou passagens marcantes. Porém, para quem quiser conhecer esse gênero, A casa do bosque pode ser uma forma tranquila de começar.

Como vocês já sabem, comentários são sempre bem vindos e muito aguardados! 

Até mais.

P.S: *não sei se vocês usam essa expressão aí, mas aqui em Salvador usamos muito, para expressar que a pessoa já deveria ter feito tal coisa há muito tempo*


Ficha técnica:

Título: A casa do bosque.
Autor: romance ditado pelo espírito Antônio Carlos e psicografado pela médium Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho.
Edição: 2011.
Editora: Petit.

3 comentários:

Ágata Bresil disse...

Já sigo o seu blog por um bom tempo. ;) Hoje estou passando aqui de novo.

Adorei a resenha porque é raro eu ver resenhas de livros espíritas por ai e eu sou espírita e amo livros assim, estou esperando ansiosamente pela feira do livro espírita aqui da minha cidade.

Beijos. Tudo Tem Refrão

Carla Mariano disse...

Gosto da leitura espírita, pois em geral me fazem mergulhar com os personagens e ter sensações de que faço parte da história, mas para isso, é preciso que o livro seja instigante. Se é morno e apenas linear, acredito que eu começaria a ler mas largaria o livro de ladinho, para uma ooooutra ocasião...

Beijo grande minha linda

Carla
@MaosLindas

juliana g. disse...

Nunca li nenhuma obra espírita =)
Beijocas!