27 junho 2012

Publicando os contos do Concurso Clássicos de Terror # 1


Olá pessoas!

Lembram do concurso Clássicos de Terror cujo reaultado foi ao ar na semana passada? Pois é, eu disse que se os autores permitissem e os leitores tivessem interesse, teria prazer em publicar os contos enviados, afinal, acho que uma das maiores fontes de ansiedade dos escritores é saber opiniões a respeito de seus textos, né?

Por isso, nesta quarta e nas próximas quatro semanas, vocês conhecerão os textos que me foram enviados. Cabe ressaltar que o conteúdo é de inteira responsabilidade dos autores, devidamente identificados em cada postagem. Os textos foram transpostos na forma como foram enviados, exceto em casos em que erros de digitação/ortografia foram corrigidos.

Sejam bem-vindos, divirtam-se e não deixem de compartilhar as suas impressões, viu! ;)

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O TREM FANTASMA MALDITO... - Da Série... ACONTECEU COMIGO

Djanira Luz
                                                                                                                
Não sei de você, mas, toda vez que sou obrigada a entrar num trem-fantasma, entro receosa. Sim, obrigada a ir. Nunca entrei por vontade própria.  Quando criança, entrei para não ser chamada de covarde pelos colegas. Depois, para fazer a vontade dos sobrinhos e agora, claro, para acompanhar os filhos... Para mim é pior do que andar no teleférico da cidade. E olha que é bem alto!

Naquele dia quando Gegê disse ir com a namorada Lika ao novo parque da cidade, fiquei preocupada. A estrutura dos brinquedos era duvidosa e havia um ar macabro naquele parque que  Deus me livre! Toda vez que eu passava por ele, tinha a sensação de estar sendo observada.  É batata! Se eu começo a abrir boca e sentir uma sonolência repentina e inexplicável, pode saber, tem alguma coisa errada.  Tenho essa sensibilidade sempre que alguma pessoa negativa se aproxima de mim ou vou a algum ambiente carregado, com clima tenso. Fico assim sonolenta, sinto uma indisposição como se a pressão arterial caísse demais. Sinto como se eu fosse pára-raios ou  um captador de espíritos maus... Sei lá! Mas, que sinto isso, é fato. Por isso, quando Gegê disse que levaria Lika ao parque tentei convencê-lo a levá-la ao teatro ao invés do parque. Era mais culto e seguro.

- Ah, Gegezinho... Eu quero andar na montanha russa e no trem fantasma... Dizem que é assustador! – Fez denguinho Lika. Ela sabia como persuadir o namorado. Manha e beicinho numa carinha bonita, quem há de resistir? Gegê não seria diferente. E lá foram ao bendito parque.

Fiz o que pude, tentei evitar... Jovens não sentem medo, diversão é a lei e linguagem deles.

- Lika, a tia Adê falou daquele jeito, acho que ela sentiu alguma coisa...  – Preocupou-se Gegê.

- Aaaaaaaaaaaah não, Gegê! Não me venha com aquela história que sua tia vê fantasmas coisa e tal! Ela tem é mania de achar que sabe adivinhar as coisas... – Reclamou Lika.

- Vê fantasmas, não... Ela sente que alguma coisa pode acontecer. É diferente. É alguma coisa prevenindo. Acho até bom. Sempre segui os conselhos dela e nunca caí em furada... – Explicou Gegê.

- Se você não quiser ir comigo, vou com Soraya e a Mi...- Chantageou Lika.

- Não! Se você insiste e não tem medo, então vamos! – Gegê seguiu para o parque um pouco apreensivo.

Já no parque, a música alta, o cheiro de pipoca, a maçã do amor, os balões cheios de gás hélio, tudo isso fez Gegê se distrair. Em pouco tempo havia esquecido dos zelos da tia Adelaide. Tiro ao alvo, boca do palhaço, pescaria entre picolés, cachorro-quente e algodão doce, Gegê e Lika pareciam dois meninos alegres. 

Depois da montanha russa, chegou o momento do trem fantasma. A essa altura, Gegê nem lembrava mais dos receios da tia Adê. Lika, pegou emprestado um chapéu do vendedor de balões, ficou atrás da barraquinha de tickets e quando Gegê foi pagar a entrada do trem fantasma, Lika o assustou, pulando à sua frente:

- Buuuuuuuuuuuuuu! Eu sou o fantasma do trem das onze que vim comer seu fígado com cebolas... Ha, ha, ha!! – Debochou Lika.

- P... Caramba! Estava distraído... – Disse Gegê já morrendo de rir do susto que levou. Gegê continuou. – Fica brincando, depois aparece um vampiro aí... He,He,He!

- Venha, meu doce vampiro! – Puxando Gegê pelo braço, Lika foi entrando no trem fantasma.

Muita risada. Muita brincadeira. A noite prometia grandes surpresas...Antes de entrar no vagão, Gegê olhou para a placa na entrada do túnel e ficou incomodado com aqueles dizeres ...Total escuridão. Mal o trem começou a deslizar sobre os trilhos, Lika sentiu o corpo arrepiar e se agarrou ao namorado.

- Ué, cadê a corajosa? – Divertiu-se Gegê ao perceber que Lika estava com medo.

- Sei lá... Meu corpo arrepiou todinho... – A voz da Lika estava diferente. Séria, um tanto assustada.

- Você está bem? Quer sair? – Gegê ficou preocupado com a namorada. Ela era sempre alegre, de repente havia mudado o humor.

- Não sei, Gegê... Aquilo que sua tia falou, estou sentindo uma coisa esquisita, parece que tem alguém me espiando... – Quando Lika ia pedir para sair, o trem começou a andar em alta velocidade.

- Pára, pára... – Lika entrou em desespero e começou a gritar. O trem corria como se não tivesse freios, como se estivesse descontrolado!

- Calma, Lika, é só um trem de parque de diversão! – Tentou acamá-la.

E vinham bruxas com suas risadas esganiçadas. Vampiros com odor de sangue fresco. Zumbis cheirando a carne putrefata . Morcegos enormes, aranhas, cobras... Todo aquele cenário aumentava o desconforto tanto em Lika quanto em Gegê. O mau cheiro era insuportável dava a sensação de que tudo ali era mesmo real. Fora as luzes que surgiam a cada nova aparição monstruosa, quase nada se via. Lika, pergunta para Gegê:

- Já não se passaram três minutos? Está demorando para chegar a saída! – Lika estava angustiada e rouca de tanto gritar.

- Lika... Você não vai acreditar! Na entrada havia uma placa que dizia: “TRÊS MINUTOS QUE IRÃO DURAR UMA ETERNIDADE” e acabei de ver no celular que estamos aqui dentro há uma hora... – Gegê só pensava na tia, arrependido por não ter aceitado seus conselhos.

- Meu Deus! E agora? O que vamos fazer? Vamos morrer aqui! – Lika estava histérica, descontrolada, começou a gritar:

- SOCORRO, SOCORRO, SOCORRO! ME TIREM DAQUI!!!

- Meu amor, me abraça, vou tirar você daqui! – Gegê tentou acalmá-la, prometendo o que lhe parecia impossível.

Numa curva, Gegê tentou levantar, alguma coisa acertou forte sua cabeça e ele desmaiou. Foi aí que Lika viu aproximar um vulto de um homem alto, forte e gritou:

- Graças a Deus, moço! Por favor, ajuda aqui que alguma coisa acertou meu namorado... – mal acabou de falar, aquele vulto investiu contra Lika uma faca num dos olhos e desapareceu .

O grito de dor que Lika deu foi assustador. O trem parou fora do túnel e as pessoas que estavam esperando a vez para entrar no vagão, ficaram apavoradas com aquela horrível cena. Todos acreditaram que o namorado havia feito aquilo com Lika, pois ele não estava no vagão.

Com a chegada da polícia é que puderam apurar o ocorrido. Lika, pela dor, desmaiou e foi conduzida pelos bombeiros para o hospital mais próximo da cidade. Encontraram Gegê desfalecido com um corte na cabeça. O local estava inchado revelando que ele também havia sido agredido violentamente. Depois que voltou a si com ajuda dos paramédicos, Gegê soube o que havia acontecido com a namorada. Ficou horrorizado chegando a chorar pelo dano causado a Lika. Ela ficaria cega de uma vista. O estrago causado pela adaga era irreversível.

A perícia verificou a câmera de circuito de segurança do parque. Ao verem o vídeo, os peritos ficaram espantados com o que ele mostrava. Ao lado de Lika, Gegê estava desmaiado. Em algum momento, ele voou para fora como se alguém bem forte o arremessasse. Depois, Lika parecia conversar com alguém, embora não se via ninguém na imagem da fita. De repente, do nada, uma adaga é introduzida em sua vista direita.

Não houve quem descobrisse o autor daquele crime bárbaro. Nem o mais conceituado perito foi capaz de solucionar esse caso. Ninguém jamais conseguiria desvendar, como tia Adelaide havia dito, não era algo carnal e sim sobrenatural...

- É por, isso meu filho, que não gosto de trem fantasmas. Pode ter algum espírito negativo como pode ter um psicopata escondido lá dentro fantasiado de vampiro ou de outra coisa para cometer um crime assim que fica sem solução. – Disse tia Adê.


Você aí... Quando for entrar num trem fantasma, assegure-se de que não tem ninguém lá dentro. Pode ter um espírito mau, pode ter um psicopata assassino... Cuidado !!!



FIM.


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