04 julho 2012

Contos de Terror # 2


Olá pessoas!

Hoje é dia de conhecer mais um conto que participou do Concurso Clássicos de Terror.

Preparados?

*lembrando sempre que as ideias e formas de expressão são de responsabilidade apenas de seus autores!*

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PESADELO

                                                                                                                                   Lívia Dias Ferreira Pedrosa


Estava em casa numa noite de sexta feira 13 assistindo TV. Me chamo Júlia e tenho 17 anos, meu melhor amigo, que se chama Guilherme, estava ao meu lado, apoiando seus pés pesados em cima das minhas finas pernas. Particularmente odeio esse dia. Todo mundo fica muito azarado e supersticioso, e isso me deixa um pouco nervosa. 

Secretamente (e prefiro que continue assim) morro de medo de vultos e barulhos estranhos. Não achou tão ruim assim ? então não entendeu. Meu medo não é normal daqueles que você vê um vulto e se assusta com um simples AAH,ou então AAAAAAAH. Meu medo é daqueles sonoros AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!!!!! E, acompanhado de toda essa sonoridade, ainda tremo da cabeça aos pés! Mas, enfim, estávamos assistindo um filme de terror que o Guilherme fez o favor de colocar e eu não estava muito a fim  de ver, então permiti que meus olhos vagassem pela casa dele. 

Reparei em um canto perto da estante, que havia um sombra diferente.Ignorei-a completamente e voltei meus olhos para o filme onde tomei um susto! Na cena havia uma menina que acabava de fazer o mesmo que eu. Gelei! Olhei de canto de olho para o Gui e constatei que ele não reparou em nada, e se reparou não comentou comigo. Tudo indo super (nada) bem , não teve mais nenhum contratempo até o fim do filme. Levantamos e fomos comer alguma coisa. Ao começar a andar, reparei que o pé do Gui sangrava, passei em sua frente e bloqueei a passagem,dizendo: 

- Seu pé! Tá sangrando! 

Ele olhou pra baixo e viu que realmente sangrava,sentou na cadeira levantou o pé e não sabia informar de onde vinha o sangue.

- Vai ver pisei em algum caco de vidro, meu irmão vive deixando os copos quebrarem por ai, não deve ser nada demais.

Já fiquei nervosa. Outra coisa que odeio é sangue. É muito vermelho, muito vivo, muito..muito sangue. 
Quando avançávamos em direção à cozinha, reparei em outra sombra no canto do armário. Parei e olhei melhor. Se o irmão do Guilherme não estivesse fora e se não estivéssemos sozinhos, poderia jurar que vi um par de olhos olhando na minha direção e desaparecendo tão rápido quanto surgiu.

Resolvi ignorar também e passei a andar mais rápido. Sentei no banquinho da cozinha enquanto Guilherme foi preparar algo pra gente comer. Quando ele tirou a faca da gaveta pra passar o requeijão nas torradinhas, a luz acabou. Olhei ao redor assustada e involuntariamente dei um grito. Guilherme correu pro meu lado e perguntou o que tinha acontecido. 

- Não é nada, só estou um pouco assustada. Cadê a luz? Não pagou a conta não? - tentei descontrair o ambiente,ja que eu estava exalando medo.

- HAHA muito engraçadinha. Fica aqui que vou la fora ver se teve algum curto.

E lá se foi ele, me deixando sozinha na cozinha escura, com várias sombras estranhas, e acho que acabei de ver outro par de olhos, e... 
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH. 

Uma dor atingiu meu pé e urrei de pavor. Alguma coisa estava fincada no meu pé e doía mais do que eu posso descrever. Engoli em seco e desci do banco, agachei no chão e tateei em busca do motivo de tanta dor. Senti algo gosmento na mão e cheguei ao local da dor. Passei a mão no objeto e tive total certeza de que era a faca que estava no balcão. Me encolhi de medo e tratei de pensar em como aquilo tinha acontecido. Já estava pensando que caiu por acidente, quando bem na minha frente uma sombra imensa surge. 

Levantei e saí mancando em direção ao quarto do Guilherme. Senti que a sombra estava atrás de mim, então apressei o passo. Entrei no quarto, fechei a porta e acendi a luz. Olhei pro meu pé e tomei um susto. Não havia mais nada ali. Nem uma gota de sangue, nem uma faca pontuda, nada. Na mesma hora, Guilherme entrou no quarto e disse que a luz só havia caído, mas  tinha retornado. 

Olhei espantada pra cima e vi que eu realmente tinha acendido a luz e ela estava lá. Fiquei confusa e não entendi mais nada do que estava acontecendo. Corri pra cozinha, para o espanto de Guilherme que me seguiu desnorteado, e vi que a faca ainda estava ali. Comecei a chorar de medo e disse que não tinha graça nenhuma essa brincadeira de mau gosto. Guilherme não entendeu nada e eu saí da casa dele com toda a raiva que eu sentia. A gente mora perto,então caminhei até minha casa. Já devia ser umas 20h30, o céu estava escuro e eu resolvi andar mais rápido. Estava ficando nervosa. Olhei pro lado e vi a mesma sombra. Comecei a correr. Ela correu comigo. Eu em um passeio, e ela do outro lado. Pisquei bem forte pra ver se era coisa da minha cabeça e quando abri os olhos lá estava ela na minha frente. Parei abruptamente e fiquei a um palmo de distância. A sombra esticou o braço e encostou em mim. Foi horrível. Escutei um berro bem alto, que desconfio que era meu e caí na escuridão. 

Acordei e estava em um breu. Não enxergava nada, mas ouvia tudo. Ouvi gritos, choros, mais gritos e mais choros. Uma porta se abriu e deixou um filete de luz entrar. Espiei pela abertura e não acreditei no que meus olhos estavam vendo. O lugar só tinha sombrar e barulhos estranhos. E muitas pessoas. De diferentes raças e lugares. Andei um pouco e uma sombra passou por mim, gritei de medo e passei a correr forte. Trombei com um menino e caímos juntos. Ele me olhou horrorizado e começou a correr. Reparei que todos corriam, e gritavam. Outra sombra passou gritando atras de mim,e lá estava eu me juntando a confusão de correria também. 

Não sei quanto tempo durou esse inferno de medo e pavor,mas eu não tinha mais lagrimas para chorar. Sentei em um canto e escondi a cabeça entre os joelhos. Respirei fundo e tentei entender o que estava acontecendo. Uma voz baixa e linda chegou aos meus ouvidos dizendo que eu estava presa nos meus piores medos, e que se não encontrasse a porta branca eu ficaria ali pra sempre. Congelei ali mesmo, levantei a cabeça,olhei ao meu redor e não vi ninguém que poderia ter dito aquelas palavras na minha cabeça. Mas tudo começou a fazer sentido. 

As pessoas ao meu redor corriam de medo, para fugir de qualquer ameaça que fosse visível para si mesmo,e aos olhos deles, eu fazia o mesmo. Chorei compulsivamente,e deixei o tempo passar. Passei anos e mais anos naquele inferno,naquela tortura,com todos aqueles gritos, sombras, sangue, choros, e lágrimas em abundância. Tentei mil vezes me matar,jogando-me de montanhas,prédios, e tudo o que eu determinei que fosse alto o suficiente,mas nada acontecia comigo. Eu já estava bem mais velha e minha aparência era ainda pior. Procurei incansavelmente a porta branca, em momento nenhum descansei, ou sequer dormi ou comi. Mas, acho que ali eu não precisava daquilo. Tenho certeza que enlouqueci,e quando pensei isso, um matadouro, desses da roça mesmo, apareceu na minha frente,e na entrada lia-se SALVE-SE DISSO. Corri pra la, e quase não me cabia naquele lugar apertado, cheio de corpos sujos, cansados e apavorados. Eu devia estar assim também. 

Entramos em uma sala onde uma luz forte,desconfio que seja um raio laser, incinerava todos ali. Corri na frente dos que estavam esperando, e esperei o próximo jato de luz. Fechei os olhos,me deixei levar pela sensação de paz e tranquilidade, já que tudo estava acabando, e vi a porta branca. Quando abri os olhos e descobri o que fazer pra voltar pra minha vida, fui empurrada junto com a massa de desesperados e a luz do raio caiu sobre mim, apagando qualquer chance que eu tinha de voltar a vida.

FIM.

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