11 julho 2012

Contos de Terror # 3


Olá pessoas!

Vocês já sabem: quarta -feira é dia de conto do Concurso Clássicos de Terror!

Simbora!

*lembrando sempre que as ideias e formas de expressão são de responsabilidade apenas de seus autores!*


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FIXAÇÃO


Daiane Jardim


Luz! Flash! Seus olhos arderam, mas Diana não podia virar o rosto, tinha que mantê-lo inflexível, sem expressão, mostrá-lo somente assim, belo e sexy. Passadas largas guiam suas belas pernas,levando-a de volta ao camarim.

- Diana, dessa vez vocês se safou, mas tem que emagrecer pelo menos um quilo, o próximo desfile é sábado. Sua pele está pálida, assim não da! Karoline tomará seu lugar, ela é mais bonita que você então se cuide!

As palavras secaram na garganta de Diana, não conseguia falar, por mais que quisesse, por mais que no fundo odiasse aquele mundo de luxúria e injustiças. Mas o dinheiro era bom, dependia daquela vida. Carlos, o agente de modas, saiu, e Diana olhou para si mesma no espelho, seu rosto inexpressivo, lágrimas já não tinha mais, não reconhecia a pessoa que estava a sua frente, refletida naquele espelho.

**

Chegou em  casa, tirou os sapatos e seguiu para o banheiro, a raiva ainda ardia em seu peito. Ficou nua em frente ao espelho do seu quarto, deslizou as mãos pelo seu corpo, era magra, suas costelas chegavam a aparecer. Pensou ter visto uma sombra na janela, o medo lhe percorreu a espinha, seguiu para o banheiro, tomou seu banho. Ficou um bom tempo embaixo da água refletindo, após vestiu seu pijama e deitou-se, porém não conseguia dormir.

O tique taque do relógio foi passando e suas pálpebras se fechando. Aquela sensação de ter alguém vigiando a despertou. Olhou ao redor, mas nada viu além da escuridão e da luz dos números do despertador, que estavam vermelhas, ela se lembrava que eram verdes. Estranho, pensou. Estava suada, decidiu tomar mais um banho, não estava se sentindo bem. Ao ligar o chuveiro, deixou a água correr pelas curvas de seu belo corpo. Pequenas gotas de sangue começaram a aparecer em sua pele, percebeu que saiam do chuveiro. Assustada saiu debaixo da água e se enrolou na toalha, as luzes piscaram.

Olhou para o lado e viu o espelho, a imagem que aparecia era de seu rosto disforme, como de um monstro. Começou a tocá-lo, desesperada. A voz em sua mente lhe dizia: Conserte, arrume. Diana se desesperou, os gritos estavam presos na garganta, esta parecia agora estar queimando e sangrando por dentro. O terror a dominava. Correu de volta ao banheiro e abriu uma das gavetas do armário, só encontrou um alicate de unha, lixa, algodões e giletes. Sem pensar, tomou a gilete entre os dedos e a levou até o rosto, desceu uma linha disforme ao redor de suas bochechas, deixando para trás um filete de sangue. Um alívio lhe percorria a mente, ela estava arrumando seu rosto, o deixaria ainda mais bela. A obsessão do belo cruel já lhe tomara, era tarde demais.

Levemente foi contornando com a gilete seu queixo, depois os lábios. Linhas de sangue escarlate desciam pelo seu rosto, tomou então o alicate e beliscou sua pele, tirando um pedaço de carne. A dor fazia parte de sua vida, mais uma não faria diferença.

Ao sentir que terminara, olhou diretamente para o espelho, o rosto que antes parecia de um monstro, agora mostrava uma jovem infeliz com o rosto desfigurado, sorrindo um riso de dor. Uma faca surgiu ao lado de seus pés, Diana abaixou-se, segurou-a pelo cabo, como ela foi parar ali não sabia. Afastou-a lentamente, e a trouxe com toda sua força em direção a sua barriga. Susto! Gelo! Medo! Diana acorda. Fora um pesadelo, olhou para o relógio com sua luz verde brilhante, eram 3h da madrugada, ao tatear ao lado da cama para acender o abajur, toca em algo sólido, frio e com uma ponta afiada. Era uma faca. Antes de processar seus pensamentos, uma mão negra apertou sua garganta, tomou-lhe a faca. Escuro! Silêncio e nada mais. Flash! A vida lhe fora um simples e simplório flash.


 FIM.

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