25 julho 2012

Contos de Terror # 5


Olá pessoas!

O conto de hoje foi o vencedor do Concurso Clássicos de Terror


Você pode conhecer os outros quatro contos participantes clicando nesses links: 1, 2, 3, 4.



Sua opinião é sempre bem-vinda! :)




*as ideias e formas de expressão são de responsabilidade de seus autores, devidamente identificados no post*




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LENDAS URBANAS




Millena Bezerra





Há muito tempo a pequena cidade do interior deixara de ser pequena e tranquilaEnquanto o guarda noturno fazia soar seu apito à meia noite nas ruas vazias, os habitantes dentro de suas casas dirigiam suas preces aos santos e deuses que conhecessem buscando pouparem seus filhos de um ser que andava roubando a vida de crianças.

João era um dos moradores que temia pela vida de sua filha, Mirela. Todos os dias sua esposa deitava-se ao lado da pequena e ele deitava-se à porta do quarto, numa última tentativa de protegê-la. Sempre esperavam o sol nascer para se permitirem dormir um pouco. Ou quase sempre. Não desta vez.

Dizia-se que o estranho ser adentrava as casas durante a madrugada e, após conversar com os pais das crianças, espancava-as com um martelo até que todos os seus ossos estivessem quebrados e toda a sua carne comprimida. Em seguida, perfurava o que foram seus pobres e frágeis corpos com um arame e levava-as embora deixando atrás de si um rastro de sangue.

A trilha sangrenta levava invariavelmente a um beco sem saída e as autoridades se viam impotentes por não terem mais pistas. Nenhum casal saía são da experiência tão macabra e alguns recorriam ao suicídio como se assim conseguissem se livrar da culpa que ficava. João acordou sobressaltado com um toque frio metálico em seu pé esquerdo.

Quando abriu os olhos encontrou um velho, de rosto enrugado, com um martelo e um arame nas mãos. Seus olhos brancos refletiam um vazio pavoroso.

- Acorde sua esposa, nós precisamos conversar.

Mas não foi preciso chamar Suelen, a voz grave que ecoara pela casa já a tinha acordado, agora ela se punha de pé ao lado do marido ainda paralisado no chão. Seus olhos já refletiam o que viriam a ser lágrimas, podia-se dizer que todo seu sangue havia evaporado porque seu rosto estava pálido e seu corpo exalava medo. Ela sabia o que estava por vir. João olhando para o velho, perguntou:

- Quem é você? O que quer? Por que nos escolheu?

- Eu venho buscar tudo aquilo que é meu. Você me prometeu sua filha e eu vim buscá-la.
O corpo de Suelen tremia sob seus soluços. A pequena Mirela havia acordado e vinha tateando no escuro para junto de seus pais:

- Papai? – perguntou com uma voz rouca.

- Filha, saia daqui, fique escondida, ele suplicou.

- Não adianta se esconder – respondeu o velho – você sabe quem sou eu? Sabe por que vim buscá-la?

- Você é o velho do saco que, quando eu era pequena, papai dizia que um dia viria me pegar?

Os olhos brancos do velho inflamaram num vermelho vivo e ele sorriu sem dentes para a garota, levantou sua mão direita e desferiu um golpe com o martelo em seu rosto.

FIM.

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