13 julho 2012

Terra Incognita *


Olá pessoas!

Queria saber de vocês: como organizam suas filas de leitura? Vocês têm fila de leitura? Qual foi a última vez que leu um livro que não fosse de parceria? Você tem blog e não tem parceria? 

Muitas perguntas, né, eu sei. Elas surgem toda hora: enquanto leio os blogs, vejo as postagens no twitter (e fico quieta, porque tudo agora vira briga/polêmica!) e também enquanto vou levando a minha vida (de gado).

Outro dia passei por duas experiências interessantes. A primeira foi a conversa com uma amiga que também é apaixonada por literatura; eu sempre dou notícias do blog e, de vez em quando, trocamos nossos escritos pra saber a opinião uma da outra.

Como já disse, eu não tenho formação nem gabarito para ser crítica, mas palpito como leitora e, inclusive gosto muito de fazer isso. Lá pelas tantas, falando de nossas leituras, eu comentava dos autores que estava conhecendo por causa das parcerias; nem sempre eu amo o livro e/ou estilo do autor, mas sinto que estou muito mais aberta, com a guarda muito mais baixa para novas formas de escrita que não apenas aquelas de figuras conhecidas e consagradas.

O argumento da minha amiga era: se tenho pouco tempo e não gosto de desperdiçar dinheiro, prefiro comprar um Borges do que arriscar outro autor desconhecido.  Ao que eu respondia: e se houver um "Borges" que eu não conheço?!

Mais tarde, ao chegar em casa, vi um post, já não lembro mais onde; uma blogueira perguntava se estávamos, de fato, lendo aquilo que gostávamos. O texto era uma espécie de provocação, muito interessante até (uma pena que eu realmente não em recorde onde li!) e super válida e que eu traduzo como: porque você lê o que lê?.

Ok, cada um lê o que quer, o que bem entende, não dá pra colocar rótulos fixados com cola SuperBond e dizer que tal gênero é porcaria enquanto o outro é o máximo da qualidade. São parâmetros pessoais; toda leitura é um encontro, às vezes acontece a química, às vezes não. O que ela falava e o que eu falo aqui é sobre esse furor por acumular leituras, não pelo prazer, mas pelos mais variados e estranhos motivos.

Eu ando vendo muita incoerência, sabe. Gente desesperada, gritando que precisa correr com a fila de leitura, mas se matando a cada divulgação de parceria. Se não está dando conta...quer receber mais livros?! o.O. Gente usando "gostei" como argumento. Gente que não sabe nem o que a editora publica, mas quer receber os livros. Gente plagiando resenha. Gente se dizendo leitor voraz, sem ao menos saber a diferença entre "está" e "estar", falando "vou ir", inventando palavras, comendo letras.

Como diz Alceu Valença: “da manga rosa eu quero o gosto e o sumo”. Não quero ler por obrigação, não quero bancar "a leitora" pelo simples fato de que quando se faz isso, a parte mais incrível da leitura se perde:

liberdade, transgressão, a possibilidade de viver vidas, ideias, sensações, de "entrar" na cabeça e no universo de incontáveis de pessoas. Pra que ser uma só, se eu posso ser a coleção de fragmentos de todos os livros que li?

E daí que, juntando essas duas coisas (a conversa com minha amiga e o texto da blogueira), resolvi voltar o pensamento para mim:

Eu, de fato, ainda consigo escolher minhas leituras ou, depois de definir o foco do blog como literário e ter firmado parcerias, o controle das minhas escolhas passou, mesmo sem querer, para outras mãos?


Isso é algo que me pergunto sempre e acho que, por enquanto, estou bem tranquila e com as rédeas nas mãos. Consigo ler os livros que comprei e revezá-los com livros de parceria. Sobre as parcerias, com exceção da Novo Conceito que envia todos os lançamentos (e eu leio apenas os que quero), as demais editoras permitem a escolha dentro de seu catálogo, de modo que eu peço o livro de acordo com o gênero/autor que gosto, arriscando algumas vezes pra ver no que dá, mas cônscia do porquê da minha escolha.

Li Clássicos de Terror em 2 meses.
Li Amante Liberto em 3 dias.
Já recomecei A Divina Comédia 4 vezes.
Estou lendo o Nome do Vento há 7 dias.
Li O Hobbit 3 vezes.
Abandonei A Insustentável Leveza do Ser.
Li Último round entre uma conversa e outra.
Entendi que O Jogo da Amarelinha exige mais atenção do que eu posso oferecer nesse momento.
Acho toda Distopia meio pobre, se comparada a Admirável Mundo Novo.
Não pretendo reler Iracema.


Além de tudo isso, tenho cada vez mais certeza de que 1. minhas escolhas ainda estão seguras (se eu sentir alguma ameaça a isso, páro e repenso tudo) e 2. prefiro correr o risco de encontrar alguém muito bom...do que ter aquela velha opinião formada sobre os clássicos.

* Terra incognitatermo em latim que significa "terra desconhecida" utilizado na cartografia para registrar as regiões nunca mapeadas ou documentadas. Adoro esse termo e sempre penso nele quando começo uma leitura; para mim, todos os livros são terras a desbravar

Até mais!

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