06 setembro 2012

Papéis Avulsos (Machado de Assis)

Olá pessoas!

A resenha de hoje começa bem direta:

Machado deveria ser prescrito.

É, assim mesmo, como os médicos nos passam receitas com os mais diferentes medicamentos.

Qual seria a indicação? Toda e qualquer.

Todos deveriam ter em casa, pelo menos um exemplar de algum livro seu, num cantinho reservado da estante, sempre à mão, pelo simples motivo de que Machado serve para tudo, inclusive para corrigir leituras ruins/enfadonhas, ou mesmo aquelas que não causam brilho no olhar e aperto no coração.

Foi assim que Papéis Avulsos veio parar em minhas mãos. Na verdade, já estava comigo desde o começo de 2011 quando me chegou como troca de um presente. O título do livro trocado era “Jesus Cristo, o maior psicólogo que já existiu” e creio que o efeito de Machado tenha sido muito mais terapêutico do que aquele poderia ser. Nada contra Jesus, afinal, não sou religiosa, mas creio firmemente em Deus. A questão é que, se eu quisesse ler sobre seus ensinamentos, ganharia mais indo à Bíblia e não lendo um “livro” de alguém que copiou e colou trechos bíblicos, embrulhados em formatação especial e organizado em capítulos.

O livro é uma coletânea de contos (12) e afirmo sem medo que é um melhor que o outro. O livro começa com O Alienista, conto que li 3 vezes na faculdade de Psicologia e mais 2 na faculdade de Comunicação, já que minha monografia foi sobre loucura e séries de TV. Li agora pela sexta vez, e, ainda assim, foi impossível não pensar: que gênio. Isso se repetiu conto após conto, linha após linha, no brilhatismo de O Alienista e sua crítica cortante ao cientificismo desenfreado da época, Teoria do Medalhão e o risco das ideias originais, A chinela turca e seu final surpreendente etc. Era uma leitura, mas parecia que alguém me lia aquelas histórias, me embalando em suas ideias e fazendo com que nada conseguisse atrapalhar o meu mergulho em águas profundas.

Machado deveria ser prescrito, eu repito.

Como ninguém ainda o fez, me valho do meu CRM imaginário e digo: se você ainda não leu nada de Machado de Assis, levante dessa cadeira e corra para corrigir tal fato. Você pode até achar minha indicação/prescrição abusada, mas não vai se arrepender.

Deixo alguns trechos para dar água na boca:

Eles ainda não possuem a terra e já estão brigando por causa dos limites - Na Arca – três capítulos inéditos do Genesis.

“Considerei o caso e entendi que, se uma coisa pode existir na opinião, sem existir na realidade, e existir na realidade, sem existir na opinião, a conclusão é que das duas existências paralelas, a única necessária é a da opinião, não a da realidade, que é apenas conveninente” – 
O segredo do Bonzo.


 “A loucura, objeto dos meus estudo, era até agora uma ilha perdida no oceano da razão; começo a suspeitar que é um continente” – 
O Alienista.

“O passeio nas ruas, mormente nas de recreio e parada, é utilíssimo, com a condição de não andares desacompanhado, porque a solidão é oficina de ideias, e o espírito deixado a si mesmo, embora no meio da multidão, pode adquirir uma tal ou qual atividade” – 
Teoria do Medalhão.

Um beijo e até mais!

* O dia de resenha no blog é sexta, mas como ele estava meio abandonadinho, resolvi antecipar! 

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