28 setembro 2012

Resenha: "Está tudo bem, querido?"


Olá pessoas,

a resenha de hoje é bem breve, porque eu já falei desse livro no vídeo Balaio de Gato #4, mas decidi que, mesmo que eu faça resenha em vídeo, não deixaria de manter um comentário aqui, pois, assim, quem tiver interesse de pesquisar pode achar as resenhas de modo mais fácil.

O que falar sobre “Está tudo bem, querido?” 

Bom, eu fiquei interessada assim que a editora parceira Dublinense enviou esse release:


"Os 16 contos que compõem Está tudo bem, querido? apresentam um protagonista chamado, como seu autor, Ricardo Morales. É impossível não perceber o tom aflitivo, quase claustrofóbico, de todos os contos. Esqueça as firulas e os rodeios: o que Morales apresenta nestes contos é o poder da prosa seca, da dor intensa - a frustração debaixo do tapete da sala, o desânimo diante do desemprego e da pilha de louça suja. A apatia da rotina conjugal contrasta com uma fúria contida, algo que parece estar sempre pronto para explodir"


Fiquei animada! Gosto muito disso, gente que pega cenas comuns, como atravessar uma rua, pegar um ônibus, olhar pela janela, e transforma isso num conto. Na verdade, vou repetir pela milésima vez: eu amo contos. Acho fascinantes, instigantes, marcantes; é como se fossem uma caixa de surpresas ainda maior que um romance, já que, dentro deles, coexistem muitos mundos, muitas vezes, sem qualquer ligação.

Digo e repito: ter acesso a autores desconhecidos e, consequentemente, ler coisas fora da onda "todo mundo está lendo" é a maior vantagem das parcerias com editoras. Dá um frio na barriga, admito; para mim, encontrar um livro novo, conhecer um autor novo me dá quase tanto nervosismo quando conhecer gente nova. Estranho?! Pode ser, mas é a sensação que tenho. Um misto de ansiedade, curiosidade e medo de me decepcionar. Não é de hoje que traço analogias entre livros e gente. Se acostumem.

Mas, voltando a resenha, acontece que, Ricardo Morales, o autor, brinca com nossa cabeça ao usar seu próprio nome para nomear personagens que perpassam todos os contos. Eu ficava a pensar: até que ponto quem fala aqui é o Morales autor ou o Morales personagem? É o mesmo Morales em vários momentos de sua vida ou são vários Morales?

Devo confessar que o clima do livro me deixou bem pra baixo. Já o primeiro conto foi uma porrada e, me desculpem o termo, mas foi assim que me senti. Nos contos que se seguiram, foi pancada atrás de pancada, rasteira atrás de rasteira e, mesmo assim eu não conseguia parar de ler. O livro traz temas fortes como parricídio, pedofilia, traição etc e o faz de modo tão natural, como se narrasse uma ida à padaria. A escrita é fluida, dinâmica, sem buracos ou quedas bruscas. Causa desconforto pelas histórias em si, mas não pela qualidade de sua narrativa. 

É por  tudo isso que eu recomendo sua leitura. Só esteja atento ao seu estado de espírito; se você estiver meio down, talvez seja melhor aguardar dias mais ensolarados.

Visite a página do autor e conheça mais: http://www.dublinense.com.br/autores/ricardo-morales/

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