20 outubro 2012

Resenha: O Temor do Sábio



Olá pessoas!

Esse texto é fruto de uma tarefa muito difícil e que muitos leitores-blogueiros enfrentam: resenhar um livro que amaram. Isso mesmo! Parece que quanto mais você gosta de um livro, mais difícil se torna falar dele e foi isso que aconteceu comigo ao pensar em escrever a resenha de O Temor do Sábio, livro gentilmente enviado pela editora parceira Arqueiro.










Desse modo, esta resenha terá uma estrutura diferente; eu farei uma espécie de manifesto, uma exposição dos motivos pelos quais você deve ler O Temor do Sábio (embora eu tenha certeza de que, se você leu O Nome do Vento, não há como não devorar este segundo livro!):


Vamos lá - 10 motivos pelos quais você deveria ler O temor do sábio.

1. O Temor do Sábio é um livro extremamente bem escrito - a narrativa corre fluida, leve, no sentido de que você nem sente o passar das páginas, mas intensa pela avidez com que você devora linha após linha;

2. Não há enrolação - o Patrick Rothfuss nos deixa em um ponto crítico no livro 1 e faz uma excelente retomada no livro 2. Ele consegue nos fazer rememorar os principais acontecimentos, afinal, essa é uma história cheia de detalhes, mas não cansa o leitor. Ele tem uma história a contar e tem pleno domínio dos seus rumos;

3. O personagem principal é carismático, marcante e completamento humano - a despeito de toda a magia que aparece no enredo, Kvothe (o arcano, o sem-sangue...) é um herói, para o bem e para o mal, ele toma atitudes destemidas, se arrisca pelos outros, demonstra sua nobreza de caráter, mas também faz bobagens, cruza a fronteira do "certo x errado", trapaceia, enfim, ele faz o que é necessário para se manter vivo;

4. O terceiro ponto nos leva ao 4º motivo: Ausência de maniqueísmos do tipo bem x mal – todos os personagens são humanos no sentido de transitarem entre níveis oscilantes de maldade, bondade. Isso é fantástico porque, na vida real, acredito que somos feitos de variáveis proporções de bem e mal, convivendo juntos, dentro de nós;

5. Os elementos fantásticos são verossímeis - não importa se são trapentos, o Chadriano, magia da Universidade, equipamentos miraculosos, Encantados...tudo é verossímil nos Quatro Cantos. Enquanto lê você acredita naquilo não porque seja ingênuo, mas porque faz sentido, é coerente e passa o mais importante: a mensagem;

6. Há uma mescla entre o relato do passado e retorno ao presente sem perder o ritmo - Depois de vários capítulos contando sua vida ao Cronista, vemos Kvothe de volta ao presente, interagindo com Bast e outros personagens, mas, em nenhum momento houve quebra, perda de ritmo ou choque entre os eventos. No meme de um mês havia uma pergunta sobre o que faz um grande autor; para mim, um os elementos fundamentais é essa capacidade de pegar o leitor pela mão e conduzi-lo;

7. Grande quantidade de personagens secundários, mas a apresentação dos mesmos é feita de forma gradativa, coerente - em O Temor do Sábio o que não falta é gente nova aparecendo. Isso seria um problema se Rothfuss não soubesse muito bem que faz. Ele permite ao leitor se habituar à presença de cada um, como acontece na vida real, entendendo seu aparecimento e motivações;

8. Crítica social - sim, leitores, um livro nunca é apenas a sua história aparente, ou, pelo menos, não deveria ser assim. O Temor do Sábio não é. Nas andanças de Kvothe e, no seu consequente encontro com outras culturas, o autor mostra esse choque de realidade, a posição do estrangeiro, as consequências do desafio às regras sociais, os papéis desempenhados, o valor social dos sujeitos etc. E faz isso com uma sutileza de dar gosto!

9. Aura de conversa com o leitor - assim como o Nome do Vento, O Temor do Sábio parece uma boa e rica conversa com o leitor. Kvothe conta sua vida, suas dores, amores, sofrimentos, seu aprendizado. Você acompanha seu crescimento cronológico e emocional e acho que é por isso que eu não consigo desapegar desse personagem...rs.

10. Deixei este item por último porque considero o golpe de misericórdia dessa história: o amor à escrita/leitura. Os pais de Kvothe escrevem música, Kvothe estuda na Universidade e passa grande parte de seu tempo no Arquivo; Devi coleciona livros raros e sonha em retornar ao Arquivo, O Cronista é venerado e é ele quem registra a história de Kvothe. A arte suprema que Kvothe deseja aprender é a nomeação. Como não amar?




Bom, se com esses 10 motivos eu ainda não lhe convenci, talvez você precise saber que eu já não tenho mais unhas para roer de tanta curiosidade para saber que é Bast, um personagem que foi apresentado em O Nome do Vento, mas que guarda uma aura de mistério que só cresce nesse livro, inclusive no final, quando eu quase xinguei o autor (não fosse meu intenso amor por ele...rs) por me deixar naquele nível de curiosidade!!!


Bast é uma espécie de "aluno" de Kvothe, mas, secretamente ele espera que, enquanto narra sua aventuras, Kvothe desperte e perceba que ele não é um mero hospedeiro, mas sim aquele com mil nomes e uma reputação que sempre o precedeu.

O livro é marcado por um traço emocional intenso e, quando eu pensava, já ressabiada com histórias que andam em círculos: ok, aqui não tem mais para onde ir, né? Lá vinha Patrick Rothfuss e abria uma possibilidade que eu não havia nem mesmo sonhado.

Sabe qual é a melhor sensação de ler esses livros do Patrick? Kvothe e seu mundo me acompanham. Quando leio outras coisas, continuo fazendo associações com a história. Quando vejo cenas de épicos, imagino como elas seriam. Uso expressões do livro no dia a dia (as exclamações são as mais divertidas ever: Tehlu misericordioso! Pelo dedo negro de Deus! kkkkkk).

Patrick criou um mundo. Há cidade com características próprias, distintas, há sotaques, línguas, povos, costumes. Ok, isso é lugar comum em épicos de fantasia, mas, assim como os clichês de modo geral, o que importa não é se já foi dito, mas de que modo foi dito. Já li obras em que você percebia essa estrutura, essa combinação de elementos, mas tudo parecia um amontoado de informações, cuja intenção de compor um cenário não foi alcançada. Eu preciso acreditar nas histórias. Preciso ficar na fronteira entre saber que é uma história (afinal, meu senso de realidade tá bem conservado!) e, ao mesmo tempo, me sentir transportada para aquele mundo.

Enfim, por todos esses motivos eu mais do que recomendo a leitura de O Temor do Sábio. Melhor que isso: eu os convido a conhecer o fascinante mundo criado por Patrick Rothfuss. Você não vai se arrepender!




Um comentário:

Anônimo disse...

Bom dia! Adorei sua resenha. Colocou em palavras como me senti ao ler esse livro maravilhoso! :) Qual é a do Bast hein...