12 outubro 2012

Resenha: O Viajante Imóvel (Júlio Ricardo da Rosa)


Olá pessoas! 


A resenha de hoje é de um livro gentilmente enviado pela editora parceira Dublinense. Eu havia comentado durante muito minutos sobre este livro no vídeo Balaio de Gato #4, mas, como vocês devem se lembrar...o áudio sumiu! Recuperada desse golpe dos equipamentos eletrônicos...rs, vamos lá!





O Viajante imóvel

Delicioso. Se eu tivesse que definir esse livro em uma só palavra, certamente seria essa a minha escolha. O título é uma clara expressão da história de Felix Kölderlin e Vitor Assis (ou seria melhor dizer, de Felix Kölderlin x Vitor Assis?!). Duas personalidades, uma só pessoa.


Vitor Assis é um jovem que vive as descobertas da vida adulta (as boas e as ruins...rs), tem uma namorada, cursa universidade e leva uma vida sem grandes emoções. Ele não é popular, digamos assim, no seu grupo de pares, mas, um encontro muda tudo isso: Marília. Como um furacão, avassalando tudo pela frente, junto com Marília, vem um acidente que o deixa paraplégico e, embora os fisioterapeutas e médicos digam ser essa uma condição provisória, Vitor vai precisar passar, literalmente, por uma mudança de perspectiva.

A partir de sua nova vida como cadeirante, ele precisará rever suas relações e remodelá-las e, enquanto isso acontecia na história, eu me pegava discutindo com o texto, questionando o personagem, torcendo por ele, sofrendo junto, tendo esperanças e me decepcionando.

Isso, na leitura, não tem preço!

O autor traz o passado de Vitor à tona e vai costurando os acontecimentos e emoções de modo que é muito fácil você se envolver com ele, como se fosse um conhecido cuja vida você realmente acompanhasse.

Eu não posso contar muito mais coisa para não estragar a surpresa porque esse é um livro que eu realmente gostaria que vocês lessem. O mix que o autor faz entre as duas “personalidades”, digamos assim, e a forma como isso se expressa nos dois tipos de capítulos que aparecem (a história em si e os relatos)..gente, muito, muito, muito bom.

Destaco a escolha que o autor fez pelos nomes Vitor e Felix; na minha leitura, Vitor chegou a ser uma espécie de “vitorioso”, que tinha tudo, embora não tivesse, realmente, nada. Foi, precisamente, depois de passar por várias “prisões” (e deixem-me esclarecer que tomei a prisão, aqui, de várias formas, e isso não se refere, necessariamente, à cadeira de rodas), que Vitor se libertou. E aí nasce Felix, do latim: feliz. Não a felicidade de comercial de margarina, mas a felicidade real, humana, possível e diária.

Minha única crítica negativa ao livro: logo no início há um texto atribuído a Felix Kölderlin sobre um encontro dele com o povo Tuareg. Acontece que ele explica que esse nome “Tuareg” foi escolhido pelo povo e significa “aqueles que são livres”. Mas, essa informação está equivocada. Tuareg é como os OUTROS povos os chamam e significa “esquecidos por Deus”. Eles se chamam de IMOUHAR, significando “aqueles que são livres”.


Avaliação (De 1 a 5): 4.

Fico por aqui porque, como vocês já devem ter notado...eu falo muito...rs.

Um beijo e até mais!

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