24 abril 2013

Resenha: Paixão de Primavera



Olá pessoas, 

 


tudo bem?


A resenha de hoje é de um livro enviado pela editora parceira Petit/Butterfly chamado Paixão de Primavera. 



Escolhi este livro por dois motivos:



  1. O Desafio Literário deste mês pede um livro que tenha estação no título;
  2. Este livro estava aqui há certo tempo e me deixou muito curiosa por se passar na Rússia e ter sido “ditado” por Tolstói.



Eu não sei se vocês conhecem ou se já leram um livro espírita;  um médium escreve o que é ditado por um espírito – isso se chama psicografia. Não vou discutir aqui a doutrina espírita ou mesmo a validade das psicografias, pois não é o espaço mais adequado, nem o objetivo da resenha e, principalmente, não tenho conhecimento suficiente para isso. Entretanto, acredito e respeito a doutrina espírita.


Vamos falar da história do livro:


Paixão de Primavera se passa na Rússia, mais especificamente, entre Moscou e os Montes Urais, no período de 1800 e pouco e traz diversos elementos típicos da cultura russa, favorecendo a contextualização dos acontecimentos.


Uma coisa me chamou atenção logo de cara: esse livro é diferente dos enredos típicos de romances espíritas, embora mantenha a base que fala de encontros e desencontros nas encarnações. Acontece que aqui, há bastante foco nas reflexões do narrador, que é o Tolstói, e não apenas nos revezes dos personagens. Além disso, os capítulos têm cerca de 10 a 12 páginas, o que torna a leitura bastante ágil.


A história em si é interessante: Ludmila, uma jovem de 14 anos, vive numa aldeia distante de tudo e, um belo dia, um grupo de cossacos chega e pede abrigo temporário. Há um apaixonamento instantâneo entre ela e o líder, culminando no sequestro da jovem. A partir daí, a vida dela vira de pernas para o ar, passando por dificuldades enormes, mas, ao mesmo tempo, sempre encontrando ajuda nos locais mais improváveis. 


O livro teria tudo para ser um belíssimo romance histórico e, não deixa de ser bom, mas alguns pontos me decepcionaram um pouco:


- achei a narrativa repetitiva: o mesmo evento era narrado, no mesmo formato, por várias pessoas, e essa é uma falha que vejo em grande parte dos livros espíritas. Acho que seria mais interessante apresentar novamente os eventos apenas se eles fossem abordados por outra perspectiva. 


- novamente a literatura espírita escorrega no didatismo: no intuito de nos fazer entender alguns conceitos, os autores explicam demais, mais cansando que traindo. Isso poderia ser feito, em minha opinião, de modo muito mais interessante, através dos eventos ou, quem sabe, de diálogos entre os personagens, notas de rodapé, etc.


- para mim, o ponto mais crítico: a apresentação da depressão, bem caracterizada, mas associada à influências negativas de espíritos e passível de cura através da fé. De forma alguma nego completamente a intercessão entre as dimensões espirituais, nem o poder da fé, mas, para algumas pessoas e em alguns casos, afirmações desse tipo contém um sério risco de comprometer sua saúde.




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