05 julho 2013

Fico besta quando me entendem - entrevistas com Hilda Hilst

 Olá, pessoal!

Hoje é dia de falar de um livro encantador, enviado pela querida editora parceira Globo Livros mas, antes, eu preciso contar uma coisa pra vocês:

Quando este livro chegou, eu pensei: quem é Hilda Hilst?

Sim, eu quis confessar a minha ignorância logo no começo da resenha porque foi essa pergunta que ficou ecoando na minha cabeça enquanto eu lia esse ótimo livro. Lia não é a melhor palavra. Melhor seria dizer, enquanto eu caminhava suavemente por entre as ideias dessa mulher intensa, direta, crua, complexa da qual eu nunca havia sequer ouvido falar.

*Quando eu digo pra vocês que, entre as vantagens de ter parceria com editoras, descobrir autores é a melhor, alguém pode até não acreditar, mas é.*



O livro, como fica bem claro pela capa, traz uma série de entrevistas realizadas com a autora (20, na verdade!); a primeira é de 1950 e a última de 2003. Tem uma entrevista, inclusive, feita pelo Caio Fernando Abreu, em 1987.

É muito bacana ver como, com o passar do tempo, Hilda vai deixando algumas coisas de lado, ou melhor, vai associando menos emotividade a algumas questões, mas, ao mesmo tempo, há outras coisas sobre as quais ela mantém a mesma ideia/postura/certeza.

Sentir a passagem do tempo, através das entrevistas é muito bacana e, ao mesmo tempo, um pouco triste, melancólico. Hilda nunca entendeu o porquê de seus livros serem pouco lidos; a justificativa sempre foi de que ela seria uma autora difícil, o que ela também não compreendia, porque, afinal de contas, falava sobre a vida, e, se essa é complexa, como seria possível falar com simplicidade?

A obsessão pelo pai, a relação com o amor e o sexo, suas vivências espirituais, a Casa do Sol. Uma mulher de vida intensa, em meio a alta sociedade, marcante pela beleza e comportamento livre, que, em dado momento, resolveu morar numa espécie de chácara, longe de tudo e todos, cercada de cães e das muitas questões que lhe preenchiam.


Enfim, a minha sensação, após a leitura, que fluiu deliciosa e rapidamente, foi de querer, ou melhor, de necessitar urgentemente conhecer a escrita de Hilda Hilst.

Ficha técnica:
Título: Fico besta quando me entendem: entrevistas com Hilda Hilst
Autor: Cristiano Diniz (org.)
Gênero: Biografia e Memória
Páginas: 236

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