14 agosto 2013

Idade Média, é você?

Apressamo-nos em correr os olhos pelos livros de História e, orgulhosos, afirmar que a Idade Média acabou. Tenho cá para mim que, talvez, ela nunca tenha, de fato, passado. Suspeito que tenha adormecido num canto qualquer, e, desperta um pouco a cada dia, nesses tempos em que ainda se esfolam pessoas, se mata à luz do sol e as cidades exalam podridão, chafurdando na degenerescência.

Os discursos hipocritamente moralizantes ainda reinam na superfície de um mar opaco e que, de quando em sempre, exala um odor conhecido e, por isso mesmo, negado. Nossas culpas são assepticamente purgadas na caridade noticiada, nossas alegrias apressadamente embrulhadas em papel vagabundo e descartável, nossos grilhões disfarçados como emprego e nossas esperanças bancariamente depositadas em um amanhã que corre para ser ontem.

Retrocedendo um pouco mais na história, encontramos outro paralelo. A exaltação da luta/pancadaria como esporte sempre me parece uma espécie de justificativa politicamente correta de expressão da raiva que já não cabe em si. Põe-se um nome pomposo, adiciona-se uma pitada generosa de patrocínio, alardea-se com propaganda e pronto. Tudo resolvido. 

A face alheia é a tela pronta para a deformidade, diante da plateia indócil que vibra, exigindo mais sangue e mais adrenalina. Fosse isso na arena do Coliseu e todos se apressariam em gritar: barbárie! Mas, no ringue bem demarcado e iluminado, com transmissão em HD é esporte. 

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