12 agosto 2013

Vamos falar sobre séries: The Newsroom

Olá pessoas, tudo bem? 

Há um tempão não falo de séries por aqui, né? Pois, hoje teremos uma participação mais especial da minha querida amiga Rafa (que começou um blog incrível sobre séries...e largou. Que não é colunista de séries aqui, mas...eu não desisti! rs), pra falar de uma série que já me ganhou só por esse texto.

Vamos lá! O texto é maiorzinho, mas vale CADA palavra:
  
“It's not. But it can be” -  Mackenzie McHale


The Newsroom é uma série de Aaron Sorkin. Com isso, já dá pra se ter uma ideia do que esperar. Diálogos e cortes rápidos e inteligentes, câmera nervosa em cenas específicas, ótimo elenco, personagens falíveis, uma América retratada com falhas, mas de forma amorosa, sonhadora e muita política.

The Newsroom é exatamente isso e me ganhou já no fantástico teaser de nove minutos. Dito isso, vamos a ele.

Ele começa exatamente com o protagonista da série, Will McAvoy (Jeff Daniels) observando com uma expressão irônica, enquanto duas pessoas estão discutindo sobre política diante de uma plateia formada pelo que parecem ser alunos de alguma universidade. A discussão continua intensa até que a câmera começa a mostrar que entraremos na perspectiva de Will.

Hora de sermos apresentados a esse cara.

Vemos que ele identificou alguém na plateia, mas que não sabemos se é fruto da imaginação dele ou não. O mediador do debate o chama e então, “saímos” de Will. O mediador faz uma pergunta e recebe uma resposta sarcástica. Um dos alunos da plateia também. Outra resposta sarcástica. Em um dado momento, o mediador nos informa que Will é âncora de um jornal e que tem o costume de ficar “em cima do muro”, de não demonstrar suas posições. Passamos a saber mais isso sobre ele. 

E aí vem o ponto chave. O clímax do teaser. E quem via The West Wing está mais do que acostumado a esses momentos, sempre muito bem feitos e impactantes. Josiah Bartlet, interpretado pelo maravilhoso Martin Sheen, cansou de nos presentear com discursos hipnóticos desse mesmo tipo. Nesse momento, uma aluna pergunta a ele o que faz da América o melhor país do mundo. Os outros dois respondem a pergunta e então, na vez dele, mais uma resposta evasiva, sendo, então, repreendido pelo mediador que, desta vez, avisa que irá exigir uma resposta séria. Uma resposta humana. Então, Will olha para a plateia e vê novamente a mulher de antes com umas placas, enviando mensagens pra ele. Sentindo-se pressionado e atordoado com a visão da mulher lhe mandando mensagens, como se tivessem apertado um botão, ele desata a falar absolutamente tudo o que pensa.

A impressão que temos é que há muito tempo ele não fazia algo assim.

Terminado o debate, ele é recriminado pelos outros dois e termina perguntando: O que foi que eu disse lá fora?

E então, temos a abertura. Enorme! Linda! Eu AMO aberturas e as de Sorkin são sempre maravilhosas e com uma música linda do tipo que te faz esquecer todas as besteiras que os EUA fazem, colocar a mão no peito e querer cantar o hino deles com orgulho.

Não precisou de mais nada pra eu já amar a série além desses nove minutos. O restante do episódio, como já falei, tem tudo o que caracteriza as séries de Sorkin, e mesmo que você pense “já vi isso antes”, porque a forma é a mesma, você não consegue desgrudar os olhos da tela. Primeiro, porque se você fizer isso, certamente perderá informações importantes, já que é tudo muito rápido. Segundo, porque o conteúdo é muito consistente. O restante do episódio se desenvolve de maneira primorosa e arrisco dizer, um dos melhores pilotos que já vi. 

Qualquer obra audiovisual é isso pra mim. Não é muito do que se fala, mas como se fala. É muito difícil ser original hoje em dia. Quase tudo já foi falado. Especialmente sobre política. Mas o modo como se aborda o assunto é que define se é algo de qualidade ou não. Particularmente, sou o tipo de espectadora que não liga para histórias sobre mundos fantásticos, efeitos especiais mirabolantes e coisas do tipo. Eu gosto do comum. De ver o comum, o dia a dia, sendo retratado com qualidade, com verdade, com emoção. É isso o que sempre me comoveu no cinema. Ele transforma o ordinário em arte. Ele faz com que uma cena de duas pessoas conversando dentro de uma cozinha enquanto picam tomates, se torne algo grandioso.

E Aaron Sorkin sabe fazer isso como ninguém. Ele tem uma linguagem cinematográfica própria e utiliza isso na TV de forma muito inteligente, te levando para o ambiente dos personagens e te fazendo se sentir como um deles. Dessa vez, ele está apostando em um Dr. House do Jornalismo (nem tão ácido e nem tão casca dura, mas ainda assim, difícil), um tanto desesperançado, amargo, cínico e que perdeu o gosto e a direção na vida, mas que parece estar acordando pela influência daquela mulher das placas lá do teaser (que também está enfrentando um recomeço) e por todas as pessoas que ela está trazendo para vida dele. 

Um homem que estava adormecido realizando um trabalho no qual não acreditava mais e que aparece com as mãos tremendo ao se preparar para o programa que significará o seu recomeço. Diante de algo assim, quando o programa está para começar e aguardamos Will entrar no ar, você fica ansioso por ele, você torce pra que ele não engasgue ou trave ou sei lá o que mais. Você torce por ele e está junto com ele naquele momento. Uma série que consegue te levar a esse ponto merece ser vista, merece atenção e respeito. E ah...de quebra você já tem dois casais pra shippar, se você for desse tipo...rsrsrs.

[Eu, Nayara, sou dessas! \o/]

O piloto apresentou um material muito rico repleto de cenas memoráveis e extremamente atuais sobre o papel do jornalismo e tem tudo pra se desenvolver bem, pois está em boas mãos. Aliás, parabéns para o diretor do episódio, Greg Mottola, que também é co-produtor executivo da série e pra Thomas Newman, responsável pela música.

Não dá pra saber se a série vai vingar, embora esteja  começando sua segunda temporada e alguns tenham dito que Sorkin escorregou em três episódios do final da primeira, pois teve que reescrevê-los. Quanto a mim, ele nunca me deu razões pra desconfiar de seu talento e já sinto nascer um novo vício. Obrigada, Sorkin. Mais uma vez.


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Um beijo e muito obrigada por este texto lindo, Rafa.
Sim, eu ainda (sempre) quero que você seja colunista de séries por aqui; você e Josi são as únicas exceções!



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