09 dezembro 2013

Os Impostores (Chris Pavone)


Olá pessoas!

A leitura que compartilho hoje com vocês traz uma história de suspense:



Pensei que você ganhasse a vida roubando.

Não.Isso é o que eu faço para me divertir
(Os Impostores, p. 274)


Kate tem um marido bacana e dois filhos pequenos. Leva uma vida tranquila, muito diferente da que deixou para trás. Dessa vida anterior restou saudade da adrenalina, sagacidade e segredos a serem guardados sobre todas as coisas que precisou fazer. E não foram poucas coisas. Acontece que, um dia, seu marido, confiável e pacato, como sua vida, lhe diz que eles devem se mudar...para Luxemburgo.

Como, quando, por quê? Kate se vê às voltas com muitas perguntas, quase nenhuma resposta e a necessidade de reconstruir sua vida em um país estranho, sentindo-se mais desterrada do que nunca. Essa poderia ser uma excelente oportunidade se lembranças e pessoas que Kate gostaria de deixar no passado, não voltassem como fantasma a lhe assombrar.

Essa é a história de Os Impostores, primeiro romance do autor americano Chris Pavone.

Recomecei a leitura de Os Impostores umas 3 vezes, não porque a narrativa fosse ruim, mas porque ela me exigiu atenção aos detalhes e estado de espírito que favorecesse acompanhar os personagens nas suas dinâmicas andanças por várias cidades, bem como na montanha russa de emoções associadas. Sabe aquela atmosfera da trilogia Bourne? Foi dela que lembrei enquanto lia.

Achei interessante a estratégia do autor de nos apresentar, no momento atual, um encontro significativo e, a partir daí, ir reconstituindo a história, oferecendo pedaços de uma quebra cabeças cheio de peças miudinhas, feitas para confundir, mas, ao mesmo tempo, segurar o leitor.

Não tenho críticas à narrativa em si, mas sim ao conteúdo implícito nas falas dos personagens; quando Kate questionava suas escolhas, mais especificamente, a sua disponibilidade em executar as tarefas domésticas, observei certo desprezo, por mulheres que aceitam ou mesmo escolhem ser donas de casa, como se fosse uma posição menor, menos importante, desqualificada e medíocre. Qual o problema em uma mulher escolher cuidar da casa, escolher dedicar-se aos filhos em tempo integral?! As escolhas são pessoais, particulares e devem ser motivadas pelo desejo. Considerar que uma mulher precisa, necessariamente, trabalhar fora, para ser valorizada é valer-se do mesmo argumento absurdo de tempos atrás quando as mulheres precisavam ficar em casa para serem valorizadas.

Também fica evidente a supervalorização da cultura americana, com destaque para a exaltação exagerada e não realista da idoneidade do sistema de justiça dos EUA, ao mesmo tempo em que se apressam em apontar as carnificinas do 3º mundo, esquecendo-se das suas próprias, criadas e/ou financiadas.

Os Impostores tem uma trama bem construída, mistérios instigantes e, embora peque quanto ao carisma dos personagens e o desfecho não tenha sido tão impactante quanto eu achei que seria, vale a leitura.


De 0 a 5 estrelas, daria 3.

* Livro gentilmente enviado pela editora Arqueiro, parceira do blog/canal. 
** Leia um trecho do livro clicando AQUI

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