12 janeiro 2014

Quatro soldados (Samir Machado de Machado)

Olá!

Eu gostaria muito de ter trazido essa impressão de leitura em vídeo, mas a logística associada à gravação não permitiu, então, vamos ao trabalho com as palavras escritas; na verdade, eu achei que teria dificuldade em expressar aqui todas as minhas sensações e a minha empolgação durante a leitura e ao final dela.

Quando solicitei esse livro da parceira Não-editora, o fiz porque a sinopse informava uma história que se passava no final do séc XVIII, e incluía a luta entre índios, jesuítas e etc. Vocês já sabem: quando inclui qualquer coisa desse período ou próximo dele, meus olhos brilham! Assim, fui com grande expectativa, mas não fazia ideia do quanto esse livro me agradaria.


SINOPSE: Nos últimos anos da guerra contra índios e jesuítas, quatro jovens têm seus caminhos entrelaçados. Um alferes que, ainda adolescente, recebe seu primeiro comando, um rígido e melancólico capitão de cavalaria, um desertor que vive do contrabando de livros e um tenente de motivações sempre ambíguas. Em comum, possuem a mesma inquietação com o papel que lhes é destinado no mundo, enquanto vão e vêm no espaço mítico e nebuloso da fronteira brasileira no século XVIII. Entre labirintos perdidos e viagens subterrâneas, entre o Iluminismo e o Terremoto de Lisboa, nenhum deles, nem mesmo o narrador, consegue passaar incólume. Talvez nem mesmo você.


A primeira coisa que preciso destacar: a narrativa de Samir Machado de Machado é extremamente gostosa. Cada frase funciona como um laço que te faz ficar apegado à história, sem querer largar o livro, sorvendo cada acontecimento, vibrando e se emocionando com os personagens, aguardando seu retorno e sorrindo involuntariamente com as reviravoltas.

Em muitos livros, o que se vê é a narrativa de um evento x, enquanto a vida dos personagens vai aparecendo aqui e ali, pincelando momentos da história, temperando os acontecimentos. Em Quatro soldados, essa lógica é invertida: existe uma história que vai se desenrolando, mas, que, na verdade, serve de pano de fundo para as histórias pessoais dos personagens. A minha sensação era de que havia as pessoas em destaque, nítidas e cheias de nuances fascinantes e, ao fundo, como imagens mais embaçadas e se sucedendo, os eventos maiores.

Desse modo, posso dizer que, sim, eu me apeguei às pessoas e, ainda agora, lembro vividamente de cada um deles, com saudades: Licurgo, Antônio Coluna, Andaluz e Índio Branco. Homens tão diferentes, relacionados de alguma forma, todos com vidas interiores encantadoramente ricas. Querem uma prova disso? Pois:

Vocês conseguem imaginar um homem enorme, que mora e faz a segurança de um bordel e, além disso, trabalha com contrabando de livros? Ah, esqueci de dizer: ele enxerga melhor no escuro.

Pois é, esse é o tipo de personagem que Samir Machado de Machado imaginou e com que nos presenteou. Homens que assumem as intempéries que a vida lhes apresenta, da forma que podem; homens que se comportam segundo códigos de ética particulares e que encontram sua lógica em si mesmos, mas que, especialmente, não se furtam à responsabilidade por suas escolhas.

Além de tudo isso, ainda tem como bônus a ideia da terra incógnita: de que ainda existem coisas a serem descobertas. De que há coisas que caminham nas entranhas da Terra muito antes e há muito mais tempo que nós.

Enfim, Quatro Soldados é uma excelente história, muito bem contada e que me fez economizar as páginas finais; ao mesmo tempo que eu queria saber mais, não queria que o livro acabasse, sempre com aquele medo de leitor de nunca mais encontrar personagens e um enredo tão bons.

De 0 a 5 estrelas, eu daria 5. Com louvor! 


Ficha técnica:

Quatro soldados
Samir Machado de Machado
Não-editora
320 páginas

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