02 janeiro 2014

Veneno (Sarah Pinborough) - Livro I - Saga Encantadas

Olá pessoas!

Hoje vim compartilhar com vocês as minhas impressões de leitura de “Veneno”, primeiro livro da saga Encantadas, publicado pela editora Única.

A história se propõe a mostrar os contos de fadas sob uma ótica, digamos, diferente, mas, o mote principal é o clássico cabo de guerra entre Branca de Neve e a madrasta; A princesa, bela, doce, livre e amada por todos, não entende o ódio da madrasta, uma mulher amarga e cruel.

Logo de cara, um elemento me pegou de surpresa: a carga sexual presente na história. Ok, isso não é novidade, afinal, essa mistura combinou dois nichos em moda atualmente: contos de fadas e erotismo. Não é à toa termos Once upon a timeGrimm e tantos filmes pipocando aqui e ali, por um lado, e milhares de livros eróticos (com os nomes mais bizarros e engraçados!), por outro. Acontece que eu não imaginei que haveria cenas mais explícitas, quase num estilo Irmandade da Adaga Negra...rs. Serviu para humanizar os personagens, mas não achei que acrescentou muita coisa à história em si.

Na presente história, conhecemos um rei (pai da Branca de Neve) omisso, mais preocupado com a guerra no reino do que com as pequenas, constantes e sérias batalhas que se desenrolam dentro de seus muros. Como a maioria dos personagens masculinos em contos de fadas, o rei é um banana!

O personagem da madrasta girou muito em torno da sua posição frente às pressões sociais: ela entende que a sociedade espera que as mulheres se comportem de acordo com determinados padrões, já experimentou o peso da pressão ao ser obrigada a casar, ainda muito jovem, com um homem que não desejava e o fato de Branca de Neve não estar submetida a tais exigências, mantendo o direito a certas liberdades quase selvagens, é o que desperta a sua inveja e sede de aprisioná-la.

Acho sempre interessante as discussões de gênero relacionadas aos contos de fadas, e, nesta história, assim como na história mais tradicional da Branca de Neve, podemos olhar a questão por vários ângulos: qual o lugar social reservado à madrasta? Em que medida seu lado sombrio é alimentado pelo fato de estar relegada a viver sob a sombra da Rainha boa? Já notaram que a carga da herança da magia vem sempre do lado materno, como uma indicação, nada sutil, de que o mal, a tentação, o descaminho sempre vem das mulheres?

Alguns personagens não esperados aparecem nessa história, como, por exemplo, a bruxa da história de João e Maria. Nunca, jamais, em tempo algum, eu estabeleceria a conexão que vi aqui! Além dela, também somos presenteados com Aladim e o seu psicopata way of life. Como assim? Pois é, você precisarão ler Veneno para saber do que estou falando, mas, aviso, é meio chocante...rs.

Destaco o uso do personagem Sonhador como uma representação de nós, leitores de contos de fadas, tendendo a idealizar as características de princesas e príncipes, negando seus defeitos e não vendo nada além do “viveram felizes para sempre”.

A narrativa de Sarah Pinborough não é excelente ou tão dinâmica a ponto de fazer o leitor querer devorar suas páginas, mas, a forma humanizada como os personagens foram tratados em Veneno, foi o elemento que me fez levar a leitura adiante a fim de saber aonde aquilo tudo levaria. 

A proposta foi mais ousada do que a autora teve fôlego, de fato, pelo menos nesse livro, para levar adiante. Achei os diálogos fracos e superficiais, os momentos de clímax deixaram a desejar no quesito tensão, entretanto, os desdobramentos finais garantiram a minha intenção de ler o volume seguinte, pois a autora teve seu mérito com a reviravolta sensacional que serve de gancho para o próximo volume!

De 0 a 5 estrelas, eu daria 2, 5 estrelas.

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