15 fevereiro 2014

Os medos nossos de cada dia

A chamada do noticiário me surpreendeu: população da cidade x está assustada com ataques de suposto lobisomem.

Chocada com a falta de noção da inclusão de tal matéria, especialmente, por ter aparecido em sequência ao toque de recolher impingido por traficantes em um bairro de Salvador, minha primeira reação foi dizer: “aff, tanta coisa importante acontecendo e essas pessoas perdendo tempo com lendas?!

Imediatamente após expressar minha sensata, achava eu, indignação, pensei melhor e julguei que, na verdade, talvez fizesse todo o sentido preocupar-se com lendas, afinal, nada mais coerente que voltar-se desesperadamente para terrores outros que não aqueles perpetrados por nossos iguais.

Muitas vezes cheguei a pensar que o mundo era infinitamente mais simples quando havia a chance de terceirizar nosso medo para criaturas sobrenaturais. 

Mas, acontece que, o mundo nunca foi simples. 
Nem as pessoas, nem a crueldade. 

Daí a ideia de que o sobrenatural, acho eu, sempre serviu como uma válvula de escape, como uma alternativa, sendo mais aceitável esperar o mal vindo de um monstro que de uma pessoa nascida do mesmo jeito que nós, feita da mesma carne e mesmo sangue, suscetível às mesmas dores e humores.


As pessoas da cidade x estão se protegendo como podem, reforçando portas e janelas, fazendo vigílias; as pessoas da minha cidade, também. Rezando. 


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