16 abril 2014

Colin Fischer (Ashley Edward Miller e Zack Stentz)

Olá pessoas,


as leituras de abril estavam sendo intensas, tanto pelo nível de crueldade das histórias, como foi o caso de O canto das sereias, quanto pelo ritmo narrativo que me fez devorar em 4 dias Divergente/Insurgente. Minha primeira idéia foi engrenar Convergente e saber como a odisséia de Tris e Quatro terminaria, mas sempre que faço esses mergulhos profundos e sem equipamento de oxigênio, acabo criando altíssimas expectativas e me frustrando. Assim, deixei as facções de lado e procurei algo completamente diferente, o que me levou a um lançamento de Abril /2014 da editora Novo Conceito – “Colin Fisher”, dos autores Ashley Edward Miller e Zack Stentz.


A primeira coisa que eu estranhei foi o nome do livro; acreditem, eu fiquei procurando o título porque, na minha cabeça, Colin Fisher só podia ser o nome do autor. #lerdezadefine. Depois, na contracapa, vi a apresentação do personagem título como um Sherlock Holmes do nosso tempo. Hum...perigosa associação, mas, atraente, ainda assim.


Comentários edificantes à parte, vamos à história:


Colin Fisher fala de um garoto de 14 anos portador da síndrome de Asperger. Ele vive com os pais e o irmão Danny, de 11 anos, e, no começo da nossa aventura, encara o primeiro dia de aula.


Talvez a sua experiência de primeiro dia tenha sido muito tranquila, mas isso não parecer ser regra; mesmo quem não sofre bullying ou coisas do tipo, chega nesse momento com as expectativas lá em cima, ansiedade no nível máximo, frio na barriga e aquele velho medo de não ser aceito. 

Para Colin, a dificuldade reside basicamente no fato de que ele é extremamente inteligente, o que facilita muito sua vida acadêmica, mas, por outro lado, tem sérios comprometimentos nas interações sociais: ele não gosta de ser tocado (as pessoas precisam avisá-lo de que vão fazê-lo) e carrega um caderno onde registra tudo, desde uma catalogação das expressões sociais, como uma espécie de glossário interativo (entenderam a capa agora?), até comportamentos que ele não compreende e que decide “investigar”.


Por falar em investigação, o livro traz como acontecimento central um mistério: durante o intervalo, na cantina da escola, enquanto as amigas comemoram o aniversário de uma menina, acontece uma confusão que culmina com um disparo e uma arma abandonada no chão. Em virtude de seu histórico de encrencas, Wayne Connely é imediatamente tomado como suspeito e praticamente culpado, mas Colin tem opinião contrária. Ele tem CERTEZA de que Wayne é inocente. E está determinado a provar isso.


Sim, essa é a forma de Colin encarar o mundo e o comportamento das pessoas: ele investiga. A vida é um mistério e seu interesse é movido pela curiosidade e é essa curiosidade que torna interessante acompanhar sua lenta caminhada rumo à compreensão das interações sociais, seu significado e suas regras invisíveis, tão importantes de serem dominadas para o trânsito nessa teia intricada que se chama mundo.


O mais destacável: as posturas de Danny (irmão de Colin) e do Sr. Torrentine (prof. De Educação Física). Essas duas pessoas foram fundamentais para nos fazer pensar sobre as formas de relacionamento com Colin e os portadores de necessidade especiais em geral, bem como, algumas vezes, o desejo de proteger pode acabar por excluir e/ou estigmatizar. Apesar de entender as dificuldades de Colin, os dois tinham em comum o fato de lidar com ele não apenas de modo brando, mas incluindo as punições, exigências, correções e firmeza exigidas, em certa medida, de qualquer pessoa. Torrentine não permitiu que as potencialidades de Colin ficassem soterradas por suas limitações, e foi muito bonito ver que isso espelhava a postura do próprio Hans Asperger, estudioso e portador da síndrome (aprendi isso e muito mais nas notas de rodapé do livro!).


Já quanto à Danny, as reações explosivas cobrando um tratamento igualitário para ele e o irmão, podem ser vistas, de modo superficial, como falta de compreensão, mas, lembremos que ele tem apenas 11 anos. Deve ser confuso, frustrante, emocionalmente exigente amar uma pessoa, mas, ao mesmo tempo, não entendê-la. Além disso, a aparente crueldade ou falta de sensibilidade de Danny podem ser pensadas como uma forma de expressão da coisa mais natural do mundo - ciúmes de irmãos - o que indica a sua aceitação de Colin como qualquer outra pessoa. 


Como eu sempre digo sobre a diagramação dos livros da Novo Conceito: nada de extraordinariamente inovador, mas muito leve, bem feito e objetivo. O livro é curto, apenas 176 páginas e, aliado à escrita ágil e dinâmica de Miller e Stentz, a leitura flui muito rapidamente; os diálogos são divertidos, bem colocados, há um humor sutil, inteligente. É exagerado associar Colin à Sherlock Holmes? Sim, muito, mas, ao mesmo tempo, a forma de delineamento do personagem e sua atuação são muito boas e interessantes por si só. 


Ah! No final do livro eu tive vontade que a história continuasse, especialmente, por que as últimas linhas deixaram uma gancho que, na  minha opinião, daria outro livro!

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*Este livro foi enviado como cortesia pela editora Novo Conceito, parceira do blog. As opiniões positivas ou negativas contidas nas resenhas refletem as minhas impressões, independentemente da forma de acesso (compra ou parceria) ao livro *
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Ficha Técnica:
Livro: Colin Fischer
Autor(es): Ashley Edward Miller e Zack Stentz

Tradução: Henrique Amat Rêgo Monteiro

Editora: Novo Conceito
Mais infomações: http://www.editoranovoconceito.com.br/livros/colin-fischer/
 




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