27 maio 2014

Bartleby, o escriturário (Herman Melville)



Olá pessoas, tudo bem?

Hoje eu queria conversar com vocês sobre um livro que li há certo tempo e reli ontem. Quando comprei, o fiz por ser de Herman Melville, aquele de Moby Dick, e considerado um dos melhores textos da história da literatura; imaginem a minha decepção quando eu li e ... não entendi. Quer dizer, eu entendi o texto, mas não entendi o porquê da existência dele, o que o autor queria comunicar, a essência da história de um cara que se apresenta para a vaga de escriturário e, um belo dia resolver “preferir não” fazer as coisas. Todas as coisas. Para qualquer solicitação de seu patrão, a resposta dele era sempre a mesma “prefiro não” fazer/ir/pegar etc. Fiquei incomodada com aquela sensação de vazio compreensivo e até coloquei o livro pra troca no skoob, mas n ao consegui me desfazer dele. 

Sabe minha máxima “A gente só encontra aquilo que não está procurando”? Pois, confirmada novamente.

Em diversos lugares, textos, momentos, me deparei com referências à “Bartleby, o escriturário” e outro livro que parece ótimo, “Oblomóv”, do russo (sempre eles!) Gontcharov. Foi aí que decide reler o veloz livrinho de 95 páginas.
...hello, brave new world!

Enquanto lia Bartleby, não conseguiu deixar de pensar que, assim como em Crime e Castigo Dostoiévski desenvolve a sua narrativa de modo que o leitor começa quase a entender os motivos do crime de Raskolnikov, em Bartleby, o escriturário (também visto por aí como Bartleby, o escrivão), é quase mágico perceber como somos conduzidos pelo  desenrolar da trama entre 1. Não entender aquele personagem tão estranho, 2. Compaixão por um sujeito mais solitário do que se poderia conceber, 3. Raiva crescente de sua cara de pau, seu passividade mau caráter, quase

Duvidei e questionei uma suposta loucura do escriturário; Melville nos dá pistas de uma possível doença mental expressa em um comportamento excêntrico, mas, ao mesmo tempo, percebemos o também enlouquecimento de seu patrão, absorvido por uma relação ímpar. Inicialmente assumindo uma postura altruísta, mas depois se sentindo usado, abusado, o patrão transita debilmente entre esses dois lugares, entre culpa e revolta. 

Para mim, o mais fascinante nessa releitura foi abrir os olhos para a falta de vontade de Bartleby que me era incompreensível e, ao mesmo tempo, angustiante. Dá pra imaginar um sujeito que vive à base de gengibre? Pois Bartleby vivia, nutrindo-se desse calor, um carvão que lhe mantém apenas com a mínima brasa necessária para respirar. 

Bartleby é uma ausência extremamente presente, que a todos movimenta, menos a si mesmo. Um suicídio silencioso, um morrer a cada dia, a cada “preferir não”, a cada negativa de interação. Seu “preferir não...” era mais impactante do que se ele dissesse “não quero”. O não querer é uma afirmação direta e que fala da presença de um desejo; já o “prefiro não” é quase um lavar de mãos, uma languidez verbal que nos comunica um desinvestimento das coisas, da vida, de ser.

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