24 maio 2014

Cortando excessos

Eu ando entediada. Isso já faz algum tempo e eu não sei bem o por quê nem como remediar a situação. Talvez seja uma crise de idade, como diria John Mayer, ou mesmo o fato de sermos o filho do meio da história, anestesiados e com aspirações de validade vencida. Minha lista de projetos é sempre enorme, mas, cadê a energia pra realizar tudo aquilo?

Acontece que a vida não é um aplicativo do facebook em que você pode pedir que seus amigos e/ou desconhecidos lhe mandem energia e assim você possa seguir em frente. Aqui, no mundo real, o sistema é bruto, a Sapucaí é grande e o custo de vida tá pela hora da morte.

Sendo assim, aproveitei a desculpa de refazer minha lista de 101 coisas em 1001 dias e incluí itens que precisam de um empurrãozinho(zão) pra deslanchar.

Hoje eu completo 144 dias sem comprar livros. O melhor: estou muito tranquila com isso. Eu vibro com cada lançamento e cada promoção obscenamente boa (a Cosac ainda me mata do coração!), mas não tô sentindo a necessidade quase visceral de agarrar o cartão, encher o carrinho e digitar furiosamente os dados da conta.

Comprar menos me fez repensar minha relação com o blog e a leitura em si. Como resultado, encerrei parceria com três editoras. Não, não houve problemas, nem polêmica. São excelentes editoras, tanto na qualidade de suas publicações como na relação com leitores e blogueiros; me respeitaram enquanto parceira, mas não estava havendo mais uma identificação entre meu gosto literário e o catálogo. Só isso.

Disse e continuo dizendo: leio por prazer. Blogo por prazer. Quando isso acabar, pego minhas coisas e meu rumo.

Do corte de excessos em livros eu passei para outros excessos. Estou lendo todos os posts do blog Um ano sem Zara, um dos meus blogs de moda favorito. (Aliás, atualmente eu só acompanho três blogs de moda porque, felizmente, eles não se transformaram em vitrines disfarçadas). Faço isso porque o meu ritmo de compras passou do limite de desejo/necessidade e descambou pra consumismo. Eu não tô quebrada, não tô endividada, graças a Deus, mas tenho a sensação de que me tornei uma refém (com síndrome de Estocolmo) da manipulação de vendas. Meus desejos de compra estão sendo administrados por qualquer mecanismo que não minha vontade consciente. Não bastasse isso, tenho impressão de que não importa quantas coisas eu compre, estou sempre na preguiçosa combinação de calça jeans, sapatilha e camiseta. Ousadia, cadê você?!

Não quero mais isso.

Então juntei o compromisso da lista de 101 coisas, a inspiração do Um ano sem Zara, a racionalidade de Bauman e a compreensão de que a hora é agora. Sabe o choque quando você se dá conta de que um dos seus grandes sonhos é conhecer NY e, quem sabe, se comprasse menos, já teria ido há tempos? 

Pois é.

Eu sei que já disse isso aqui. Eu sei que já fiz até banner. E não deu certo. Mas, sendo este meu espaço, para o bem e para o mal, cabem recaídas, idas, vindas, tentativas, promessas. Cabe dizer que hoje eu recomeço, eu tento, de novo, não comprar, mas, desta vez com prazo: 160 dias sem comprar. De hoje, 24 de maio a 31 de outubro.

Porque esses números? Não sei.

O que eu sei é que tenho grandes planos e alguns deles envolvem grandes quantias. Estas só precisam encontrar a forma correta de ser utilizada.

Isso começa hoje.


P.S: ao reler o texto, achei que ele estava meio fragmentado, pingando aqui e ali. Ia reescrever, mas essa versão faz todo o sentido. Pra arrumar a casa, primeiro a gente tira tudo do lugar.

Um beijo e até mais.

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